Acidente botrópico grave com CIVD consumptiva, rabdomiólise, lesão renal aguda e síndrome compartimental iminente — Caso Especialista
Apresentação Clínica
Paciente masculino, 35 anos, trabalhador rural, chega ao PS após acidente ofídico (picada de jararaca — Bothrops) em perna direita há 4 horas. Edema progressivo de perna até coxa, equimose extensa, sangramento persistente no local da picada e gengivorragia. PA 90x55, FC 120, FR 22, SpO2 95%, T 36.5°C, Glasgow 14 (sonolento). Labs: plaquetas 45.000, fibrinogênio 60, TP incoagulável, TTPa incoagulável, Hb 8.5, creatinina 3.5, K+ 5.8, CPK 12.000, DHL 800, urina escura (mioglobinúria + hemoglobinúria). Circunferência da perna 15cm maior que contralateral. Soro antibotrópico ainda não administrado.
Síntese do Caso
Paciente masculino, 35 anos, com quadro de acidente ofídico botrópico há 4 horas, evoluindo com sinais de envenenamento GRAVE: choque misto (hipovolêmico/distributivo), coagulopatia de consumo severa (sangramento ativo, TP/TTPa incoaguláveis, hipofibrinogenemia), rabdomiólise maciça (CPK 12.000), lesão renal aguda (Cr 3.5) e hipercalemia (K+ 5.8). Risco iminente de síndrome compartimental no membro acometido.
Hipótese Diagnóstica Principal
Acidente Botrópico Grave — Confiança: 99%
Diagnósticos Diferenciais
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Acidente Laquético | 10% | Edema, coagulopatia, sangramento. | Ausência de síndrome vagal (bradicardia, diarreia, cólicas). Paciente está taquicárdico. |
| 2 | Acidente Crotálico | 5% | Rabdomiólise, urina escura, LRA. | Presença de edema maciço e sangramento (raros no crotálico); ausência de fácies miastênica (neurotoxicidade). |
| 3 | Síndrome Compartimental | 80% | Aumento de 15cm na circunferência, dor, edema tenso. | É uma *complicação* do quadro atual, não o diagnóstico primário. Avaliação prejudicada pelo rebaixamento (Glasgow 14). |
Não Esqueça: A hipercalemia (K+ 5.8) no contexto de LRA e rabdomiólise pode gerar arritmias letais a qualquer momento. O choque atual pode ser agravado por disfunção miocárdica secundária à toxicidade ou distúrbio eletrolítico.
Confirmação Diagnóstica
O diagnóstico é eminentemente clínico-epidemiológico. Não se deve atrasar a soroterapia aguardando exames.
Exames Complementares (Solicitados via Sistema)
Imediatos (beira-leito):
Laboratoriais:
Imagem:
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Conduta Terapêutica (Sequência Cronológica)
1. Medidas Imediatas (Tempo 0)
2. Medicações Iniciais (Primeiros 10-30 min)
A prioridade absoluta é a neutralização do veneno circulante. A pré-medicação é recomendada pelo Ministério da Saúde para mitigar reações anafiláticas ao soro heterólogo.
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| 1ª Linha (Pré-medicação): Hidrocortisona (Solu-Cortef®) | 500 mg | IV | Diluir em 10 mL AD | Em 3 min | Fazer 15 min antes do soro. |
| 1ª Linha (Pré-medicação): Prometazina (Fenergan®) | 50 mg | IV | Diluir em 10 mL AD | Em 3 min | Fazer 15 min antes do soro. |
| TERAPIA ALVO: Soro Antibotrópico (SAB) ou Antibotrópico-laquético | 12 ampolas (120 mL) | IV | Diluir em 250 a 500 mL de SF 0,9% | Infundir em 1 hora | Dose padrão para acidente GRAVE. NUNCA fracionar. |
| Analgesia: Morfina (Dimorf®) | 2 a 4 mg | IV | Diluir 1 amp (10mg/1mL) em 9mL AD (fica 1mg/mL). Fazer 2-4 mL. | Lento | Evitar AINEs (risco de sangramento e piora da LRA). |
3. Estratégia Definitiva e Manejo de Complicações
4. Avaliação de Resposta
5. Alertas Críticos
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Disposição e Acompanhamento
*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM), incluindo o Manual de Diagnóstico e Tratamento de Acidentes por Animais Peçonhentos do Ministério da Saúde (Brasil), e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Acidente botrópico grave com CIVD consumptiva, rabdomiólise, lesão renal aguda e síndrome compartimental iminente
- Acidente laquético (Lachesis)
- Acidente crotálico com componente local atípico
- Anafilaxia ao veneno