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Acidose metabólica láctica gravíssima (tipo A) por choque séptico refratário — prognóstico extremamente reservado — Caso Residente

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Apresentação Clínica

Homem 75 anos, sepse urinária (E. coli em urocultura), em choque séptico refratário com noradrenalina 1,2 mcg/kg/min + vasopressina 0,04 UI/min. Ventilação mecânica FiO2 50%. PA 65x35 mmHg, FC 52bpm (bradicardia terminal), FR ventilado, T 34,5°C, Glasgow 3. Gasometria arterial: pH 6,88, pCO2 25 mmHg, pO2 180 mmHg, HCO3 4,5 mmol/L, BE -27, SaO2 95%. Na+ 148 mEq/L, K+ 7,2 mEq/L, Cl- 112 mEq/L. Ânion gap: 31,5. Lactato 18 mmol/L. Cr 4,5 mg/dL. Glicemia 42 mg/dL. Solicita interpretação da acidose láctica grave refratária, prognóstico e discussão de limitação terapêutica.

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
07/04/2026 Disclaimer 1 flag(s)

Síntese do Caso

Homem de 75 anos com choque séptico de foco urinário em estágio irreversível (falência de múltiplos órgãos: hemodinâmica, renal, metabólica e neurológica). Apresenta acidemia extrema (pH 6,88), hipercalemia grave (K+ 7,2), hipoglicemia (42 mg/dL) e bradicardia terminal (FC 52 bpm), configurando um quadro de colapso fisiológico com Parada Cardiorrespiratória (PCR) iminente.

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Interpretação Fisiopatológica (Acidose e Choque Refratário)

O paciente encontra-se na fase final da cascata do choque séptico, caracterizada por perda completa da autorregulação celular e vascular:

1. Acidose Láctica Grave (Lactato 18 mmol/L) e Anion Gap Elevado (31,5):

  • Trata-se de uma acidose metabólica de Anion Gap elevado, mista (Láctica Tipo A + Urêmica).
  • O lactato de 18 reflete hipóxia tecidual profunda e irreversível, além de falência hepática na depuração do lactato.
  • A uremia (Cr 4,5) contribui para o acúmulo de ácidos não mensuráveis (sulfatos, fosfatos).
  • 2. Refratariedade aos Vasopressores (pH 6,88):

  • Em pH < 7,10 (e criticamente < 6,90), ocorre dessensibilização completa dos receptores alfa e beta-adrenérgicos. A noradrenalina (mesmo em doses supra-máximas de 1,2 mcg/kg/min) perde sua eficácia de acoplamento ao receptor, resultando em vasoplegia intratável (PA 65x35).
  • 3. Bradicardia Terminal (FC 52 bpm):

  • É o resultado da tríade letal metabólica: Hipóxia miocárdica + Acidemia extrema + Hipercalemia grave (K+ 7,2). A acidose força o *shift* de potássio para o extracelular, e a lesão renal aguda (LRA) impede sua excreção, gerando toxicidade miocárdica direta.
  • 4. Hipoglicemia (42 mg/dL) e Hipotermia (34,5°C):

  • Indicam falência hepática fulminante (esgotamento das reservas de glicogênio e incapacidade de gliconeogênese) e perda da termorregulação hipotalâmica, sinais clássicos de morte iminente na sepse.
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    Conduta Terapêutica (Sequência Temporal)

    Embora o prognóstico seja reservado e a discussão de paliação seja o foco principal, até que a família seja contatada e a limitação terapêutica seja formalizada, as causas imediatamente reversíveis de PCR devem ser tratadas.

    Medidas Imediatas (Tempo 0)

  • Correção da Hipoglicemia: Risco de dano neurológico adicional e disfunção miocárdica.
  • Estabilização da Membrana Miocárdica: A bradicardia com K+ 7,2 exige antagonismo imediato com cálcio para evitar assistolia/Fibrilação Ventricular.
  • Medicações Iniciais (Resgate Fisiológico)

    MedicaçãoDoseViaPreparo/DiluiçãoTempoObservação
    Glicose 50%20 a 40 mL (10 a 20g)IV2 a 4 ampolas (10mL) puras*Bolus* rápidoLavar o acesso com SF 0,9% após. Reavaliar HGT em 15 min.
    Gluconato de Cálcio 10%10 mL (1 ampola)IVPuro ou diluído em 50mL SF 0,9%Infundir em 2-3 minEstabiliza o miocárdio. Repetir em 5 min se FC não melhorar ou ECG mantiver alterações.
    Bicarbonato de Sódio 8,4%100 a 150 mEqIV100 a 150 mL (1 mEq/mL) purosInfundir em 10-15 min*Terapia de resgate.* Indicado por pH < 6,9 e hipercalemia grave associada à LRA.

    *Nota: A terapia de substituição renal (Hemodiálise/CRRT) está contraindicada neste exato momento devido à instabilidade hemodinâmica extrema (PA 65x35 com DVA em doses altíssimas); o paciente não toleraria o preenchimento do circuito.*

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    Prognóstico e Avaliação de Sobrevida

    O prognóstico é sombrio, com mortalidade estimada próxima a 100% a curtíssimo prazo (horas).

  • SOFA Score: O paciente pontua o máximo (4 pontos) nos sistemas cardiovascular (DVA alta), renal (Cr > 3,5), neurológico (Glasgow < 6) e provavelmente coagulação/hepático. Um SOFA > 15 correlaciona-se com mortalidade > 90%.
  • Clearance de Lactato: Inexistente. Níveis > 10 mmol/L refratários são preditores independentes de óbito.
  • Futilidade Terapêutica: O escalonamento de vasopressores (ex: adicionar Adrenalina) ou tentativa de RCP em caso de parada cardíaca neste contexto são considerados medidas distanásicas (prolongamento do processo de morte sem benefício clínico).
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    Estratégia Definitiva: Limitação de Esforço Terapêutico (LET)

    A conduta principal neste momento é a transição para Cuidados de Fim de Vida (End-of-Life Care).

    1. Abordagem Familiar (Imediata)

  • Convocar reunião familiar de urgência.
  • Utilizar comunicação clara e empática (Protocolo SPIKES).
  • Mensagem central: *"A infecção causou falência irreversível de todos os órgãos. O corpo não responde mais às medicações máximas. O processo de morte está em curso e nosso foco agora é garantir que ele não sinta dor ou desconforto."*
  • 2. Definição de Limites (Withholding / Withdrawing)

  • Ordem de Não Reanimação (ONR): Documentar em prontuário a contraindicação de manobras de RCP, desfibrilação ou uso de drogas de parada (Adrenalina/Amiodarona) em caso de PCR.
  • **Não Escalonamento (*Withholding*):** Não aumentar doses de Noradrenalina/Vasopressina. Não iniciar novas terapias (ex: Hemodiálise, novos antibióticos).
  • **Descalonamento (*Withdrawing*):** Suspender coletas de exames laboratoriais, gasometrias, controle glicêmico rigoroso e medicações fúteis (ex: profilaxias, estatinas, vitaminas).
  • 3. Protocolo de Conforto (Paliação na UTI)

    Mesmo com Glasgow 3, o paciente em ventilação mecânica e choque pode apresentar *air hunger* (fome de ar) e dor isquêmica.

  • Analgesia e Sedação: Manter ou iniciar infusão contínua para garantir conforto absoluto.
  • Fentanil: 25 a 50 mcg/h IV contínuo.
  • Midazolam: 2 a 5 mg/h IV contínuo (ou Morfina se preferência institucional para dispneia terminal, embora o Fentanil seja mais seguro na LRA grave).
  • Ventilação Mecânica: Reduzir alarmes do ventilador e do monitor. Ajustar parâmetros para conforto (FiO2 suficiente para evitar cianose visível, sem buscar metas de gasometria).
  • Acesso Familiar: Liberar visitação estendida/permanente para despedida.
  • Não Esqueça: O suporte espiritual e psicológico para a família deve ser acionado imediatamente. A documentação em prontuário da reunião familiar, dos prognósticos discutidos e da decisão compartilhada de LET é obrigatória ética e legalmente (Resolução CFM nº 1.995/2012 e 1.805/2006).

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    *⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM), protocolos de Cuidados Paliativos em UTI e Surviving Sepsis Campaign, e não substitui o julgamento clínico presencial e a avaliação bioética individualizada.*

    Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

    Acidose metabólica láctica gravíssima (tipo A) por choque séptico refratário — prognóstico extremamente reservado

    Diferenciais esperados:
    • Acidose láctica tipo B (medicamentosa)
    • Necrose intestinal isquêmica
    • Insuficiência hepática aguda

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    Acuracia Clinica
    Completude dos Diferenciais
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    Seguranca
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    Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: