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Alcalose metabólica grave por vômitos + diurético de alça + corticoide — hipoclorêmica e hipocalêmica — Caso Estudante

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Apresentação Clínica

Mulher 72 anos, ICC FEVE 25%, uso crônico de furosemida 120mg/dia + prednisona 20mg/dia por polimialgia reumática. Vômitos persistentes há 4 dias. PA 95x55 mmHg, FC 68bpm, FR 12irpm, SpO2 95%, T 36,3°C, Glasgow 14 (sonolenta). Gasometria arterial: pH 7,58, pCO2 48 mmHg, pO2 75 mmHg, HCO3 44 mmol/L, BE +18. Na+ 132 mEq/L, K+ 2,2 mEq/L, Cl- 78 mEq/L. Ânion gap: 10. Lactato 1,5 mmol/L, Cr 1,8 mg/dL. Solicita interpretação da alcalose metabólica grave com compensação respiratória e abordagem terapêutica.

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
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07/04/2026 Disclaimer

Síntese do Caso

Mulher de 72 anos, portadora de ICFER (FEVE 25%), em uso de furosemida em alta dose e corticoterapia crônica, apresentando quadro de vômitos persistentes há 4 dias. Evolui com hipotensão limítrofe, rebaixamento leve do sensório (Glasgow 14) e distúrbio ácido-base misto: alcalose metabólica grave hipoclorêmica e hipocalêmica, com alcalose respiratória associada.

Hipótese Diagnóstica Principal

Alcalose Metabólica Grave Cloreto-Responsiva (Hipoclorêmica/Hipocalêmica) — Confiança: 95%

  • Justificativa: O pH de 7,58 e o HCO3 de 44 mmol/L definem a alcalose metabólica grave. A etiologia é multifatorial: perda de H+ e Cl- pelo trato gastrointestinal (vômitos), agravada pela perda renal de Cl- e K+ induzida pela furosemida (alcalose de contração) e pelo efeito mineralocorticoide da prednisona.
  • Análise da Compensação: A pCO2 esperada seria: `(0,7 × 44) + 21 = 51,8 mmHg (± 2)`. Como a pCO2 medida é de 48 mmHg (abaixo do esperado), existe uma alcalose respiratória leve superajuntada (provavelmente secundária à dor, ansiedade ou hipóxia tecidual incipiente), o que agrava a alcalemia.
  • Ânion Gap: 132 - (78 + 44) = 10 (Normal). Confirma ausência de acidose metabólica oculta.
  • Diagnósticos Diferenciais

    #DiagnósticoConfiançaAchados que FavorecemAchados que Afastam
    1Arritmia Ventricular Iminente80%K+ 2,2 mEq/L, alcalemia grave (pH 7,58)Ausência de relato de palpitações/síncope (requer ECG imediato)
    2Insuficiência Renal Aguda Pré-Renal75%Cr 1,8 mg/dL, hipotensão (95x55), vômitosNecessita de ureia e clearance basal para confirmação
    3Alcalose Cloreto-Resistente10%Uso crônico de corticoide (prednisona)Cloro sérico muito baixo (78), história clara de vômitos
    Não Esqueça: A hipocalemia grave (K+ 2,2) associada à alcalemia extrema (pH > 7,55) reduz drasticamente o limiar para arritmias letais (Torsades de Pointes, Fibrilação Ventricular) e causa depressão miocárdica direta, o que pode ser fatal em uma paciente com FEVE de 25%.

    Confirmação Diagnóstica

    Exames Complementares (por ordem de prioridade)

    Imediatos (beira-leito):

  • ECG de 12 derivações (TUSS: 40101010): Mandatório. Buscar achatamento de onda T, presença de onda U, prolongamento do intervalo QT e extrassístoles.
  • US-POC (POCUS) Cardíaco e Pulmonar: Avaliar VExUS, presença de linhas B (congestão) e contratilidade biventricular antes de iniciar a expansão volêmica.
  • Laboratoriais:

  • Magnésio sérico (TUSS: 40302237): A hipocalemia será refratária à reposição se houver hipomagnesemia concomitante (comum com uso de furosemida).
  • Cloro urinário (TUSS: 40301583): Se < 20 mEq/L, confirma a etiologia cloreto-responsiva (embora o uso recente de furosemida possa falsear este valor para cima).
  • Conduta Terapêutica

    Medidas Imediatas (Tempo 0)

  • Monitorização: Monitor cardíaco contínuo (risco de arritmia), oximetria e PNI a cada 15 minutos.
  • Acesso: Obter 2 acessos venosos periféricos calibrosos. Considerar acesso venoso central se houver necessidade de reposição rápida de potássio (> 10 mEq/h).
  • Suspensão de Fármacos: Suspender Furosemida imediatamente. Manter a Prednisona (risco de insuficiência adrenal secundária se suspensa abruptamente), mas considerar transição para hidrocortisona IV se via oral indisponível.
  • Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)

    O tratamento definitivo desta alcalose é a reposição de Cloreto e Potássio. O rim só excretará o excesso de bicarbonato quando o volume intravascular e os níveis de Cl- e K+ forem restaurados.

    MedicaçãoDoseViaPreparo/DiluiçãoTempoObservação
    Ondansetrona (Zofran®)4 a 8 mgIVAmpola 4mg/2mL ou 8mg/4mL. Fazer puro ou diluído em 10mL SF 0,9%.2-5 min1ª linha para cessar perdas de H+ e Cl- por vômitos.
    Cloreto de Potássio (KCl) 19,1%40 mEq (aprox. 1,5 ampolas de 10mL)IVDiluir em 400mL de SF 0,9%.4 horasTaxa máx periférica: 10 mEq/h. Se acesso central: pode infundir a 20 mEq/h.
    Sulfato de Magnésio 10%2g (2 ampolas de 10mL)IVDiluir em 100mL de SF 0,9%.30-60 minFazer empiricamente se Mg não disponível imediatamente, para garantir retenção do K+.
    Cloreto de Sódio 0,9% (Soro Fisiológico)250 mL (Alíquota)IVSolução pronta.15-30 minReposição de Cl- e volume. Requer cautela extrema devido à FEVE 25%.

    Estratégia Definitiva

  • Expansão Volêmica Guiada: A paciente necessita de Cloreto de Sódio (SF 0,9%) para corrigir a alcalose, mas possui ICFER grave.
  • Conduta: Administrar alíquotas de 250 mL de SF 0,9%.
  • Após cada alíquota, realizar POCUS pulmonar. Se surgirem > 3 linhas B por campo ou piora da oxigenação, interromper a infusão.
  • Acetazolamida (Diamox®):
  • Critério de indicação: Apenas se a paciente desenvolver sinais de congestão pulmonar grave durante a reposição volêmica e ainda mantiver alcalose metabólica grave.
  • Dose: 250 a 500 mg IV 1x/dia. (Promove excreção renal de bicarbonato, mas agrava a perda de potássio — o K+ deve estar > 3,5 antes de usar).
  • Avaliação de Resposta

  • Critérios de sucesso: Melhora do sensório (Glasgow 15), estabilização da PA (> 100x60), K+ > 3,0 mEq/L, e redução progressiva do HCO3 e pH na gasometria.
  • Tempo de reavaliação: Nova gasometria arterial e eletrólitos (Na, K, Cl, Mg, Ca, Cr) em 4 a 6 horas.
  • Sinais de falha/piora: Queda da SpO2 ou taquipneia (sugere edema agudo de pulmão iatrogênico pela reposição volêmica); arritmias no monitor.
  • Alertas Críticos

  • ⚠️ ALERTA DE SEGURANÇA (POTÁSSIO): NUNCA administre KCl em *bolus* direto (risco de PCR em assistolia). A concentração máxima em acesso periférico é de 40 mEq/L a uma taxa de 10 mEq/hora.
  • ⚠️ ALERTA HEMODINÂMICO: O uso de Soro Fisiológico 0,9% é o tratamento de escolha para alcalose hipoclorêmica, mas em pacientes com FEVE 25%, o risco de Edema Agudo de Pulmão (EAP) é altíssimo. A reposição deve ser estritamente fracionada e monitorada à beira do leito.
  • Disposição e Acompanhamento

  • Destino: Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ou Sala Vermelha. A paciente possui distúrbio ácido-base grave, hipocalemia ameaçadora à vida e necessita de reposição volêmica de alto risco (ICFER).
  • Reavaliação: Monitorização contínua do débito urinário (sonda vesical de demora se rebaixamento persistir ou para controle estrito de balanço hídrico).
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    *⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*

    Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

    Alcalose metabólica grave por vômitos + diurético de alça + corticoide — hipoclorêmica e hipocalêmica

    Diferenciais esperados:
    • Síndrome de Cushing
    • Hiperaldosteronismo primário
    • Síndrome de Bartter/Gitelman
    • Abuso de laxantes

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    Acuracia Clinica
    Completude dos Diferenciais
    Adequacao Terapeutica
    Seguranca
    Qualidade do Function Calling
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    Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: