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Anemia ferropriva grave — investigar causa (perda GI oculta vs ingesta inadequada) — Caso Estudante

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Apresentação Clínica

Paciente feminina, 62 anos, queixa de fadiga progressiva há 6 meses, dispneia aos moderados esforços, queda de cabelo e unhas quebradiças. Relata dieta pobre em proteínas e história de menorragia (pré-menopausa). PA 110x70, FC 100, FR 18, SpO2 98%, T 36.5°C, Glasgow 15. Palidez cutaneomucosa 3+/4+, glossite atrófica, coiloníquia. Labs: Hb 7.2, VCM 68, HCM 22, RDW 18%, reticulócitos 0.5%, ferritina 5 ng/mL, ferro sérico 20 mcg/dL, TIBC 450, saturação de transferrina 4%, leucócitos e plaquetas normais. Esfregaço: microcitose e hipocromia.

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
07/04/2026 Disclaimer

Síntese do Caso

Paciente feminina, 62 anos (pós-menopausa), apresentando síndrome anêmica crônica sintomática (fadiga, dispneia, taquicardia compensatória) e estigmas clássicos de ferropenia grave (glossite atrófica, coiloníquia). Hemodinamicamente estável, porém com anemia microcítica e hipocrômica severa (Hb 7.2 g/dL) e perfil de ferro confirmando depleção total dos estoques (Ferritina 5 ng/mL, Sat. Transferrina 4%).

Hipótese Diagnóstica Principal

Anemia Ferropriva Grave — Confiança: 99%

  • Justificativa: O perfil laboratorial é patognomônico: microcitose (VCM < 80), hipocromia (HCM < 27), anisocitose (RDW elevado), associado a ferritina < 15-30 ng/mL e saturação de transferrina < 20%. Os achados físicos (coiloníquia e glossite) indicam cronicidade e gravidade da depleção tecidual de ferro.
  • Causa Base (Obrigatória investigação): Sangramento do Trato Gastrointestinal (oculto).
  • Diagnósticos Diferenciais

    Ordenados do mais letal/urgente ao menos grave (método Rule Out):

    #DiagnósticoConfiançaAchados que FavorecemAchados que Afastam
    1Neoplasia GastrointestinalAltaIdade (62 anos), anemia ferropriva grave sem sangramento visível.Nenhum (investigação mandatória).
    2Anemia de Doença CrônicaBaixaIdade, fadiga.Ferritina muito baixa (na ADC a ferritina é normal ou alta), TIBC alto.
    3Talassemia MinorMuito BaixaMicrocitose, hipocromia.RDW elevado (na talassemia costuma ser normal), perfil de ferro depletado.
    4Má absorção (ex: Doença Celíaca)MédiaAnemia ferropriva refratária/crônica.Ausência de queixas TGI relatadas (mas não exclui).
    Não Esqueça: Em pacientes pós-menopausa ou homens idosos, a causa da anemia ferropriva é sangramento gastrointestinal (câncer de cólon ou estômago) até que se prove o contrário. A história de menorragia pré-menopausa e dieta pobre *não* justificam isoladamente uma Hb de 7.2 aos 62 anos.

    Confirmação Diagnóstica

    Critérios Clínicos

    O diagnóstico de Anemia Ferropriva já está estabelecido pelos exames fornecidos. O foco agora é identificar a etiologia.

    Exames Complementares (por ordem de prioridade)

    Laboratoriais:

  • Sangue Oculto nas Fezes (SOF): Pode ser solicitado, mas um resultado negativo *não* exclui a necessidade de endoscopia/colonoscopia nesta faixa etária.
  • Sorologia para Doença Celíaca (Anti-transglutaminase IgA + IgA total): Se endoscopia e colonoscopia forem normais.
  • Pesquisa de H. pylori: Durante a endoscopia (causa comum de má absorção de ferro/micro-sangramento).
  • Imagem / Endoscópicos (Mandatórios):

  • Colonoscopia: Padrão-ouro para rastreio de neoplasia colorretal.
  • Endoscopia Digestiva Alta (EDA): Para descartar úlceras pépticas, neoplasia gástrica, angiodisplasias e avaliar atrofia duodenal.
  • Conduta Terapêutica

    Medidas Imediatas (Tempo 0)

  • Monitorização: Sinais vitais, oximetria.
  • Oxigenoterapia: Não indicada no momento (SpO2 98%).
  • Transfusão de Concentrado de Hemácias (CH): NÃO INDICADA no momento. A paciente está hemodinamicamente estável, sem isquemia miocárdica ativa e com Hb > 7.0 g/dL. A anemia é crônica e houve adaptação fisiológica.
  • Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)

    Devido à gravidade da anemia (Hb 7.2) e necessidade de reposição rápida e segura, a via intravenosa (IV) é a 1ª linha de escolha neste cenário, visando rápida melhora sintomática e reposição dos estoques.

    LinhaMedicaçãoDoseViaPreparo/DiluiçãoTempoObservação
    Carboximaltose Férrica (Ferinject®)1.000 mg (se peso > 50kg)IVDiluir em 100-250 mL de SF 0,9%Infundir em 15 minDose única na maioria dos casos. Menor risco de anafilaxia.
    1ª (Alt)Sacarato de Hidróxido Férrico (Noripurum EV®)200 mg por sessãoIVDiluir 2 ampolas (10mL) em 100 mL de SF 0,9%Infundir em 30-60 minMáximo 3x/semana até atingir dose total calculada.
    Sulfato Ferroso (Neutrofer®, Sulferrol®)40 a 80 mg de ferro elementar/diaVOTomar em jejum ou com suco cítrico (Vitamina C)ContínuoPrescrever em dias alternados ou dose única diária para otimizar absorção (reduz bloqueio pela hepcidina).

    *Nota sobre o Cálculo de Déficit de Ferro (Fórmula de Ganzoni):*

    Déficit (mg) = Peso (kg) x (Hb alvo - Hb atual) x 2,4 + 500 (estoque).

    *Exemplo para 60kg:* 60 x (12 - 7.2) x 2.4 + 500 = ~1.190 mg de ferro elementar.

    Estratégia Definitiva

  • Investigação Etiológica: Encaminhamento prioritário para Gastroenterologia/Endoscopia.
  • Contraindicações ao Ferro IV: História de anafilaxia prévia a ferro IV, infecção ativa grave (bacteremia), sobrecarga de ferro (hemocromatose - não é o caso).
  • Critérios para Transfusão (Resgate): Apenas se a paciente evoluir com instabilidade hemodinâmica, dor torácica isquêmica, síncope ou queda da Hb < 7.0 g/dL com sintomas refratários.
  • Avaliação de Resposta

  • Critérios de sucesso:
  • Melhora sintomática (fadiga/dispneia) em poucos dias (especialmente com ferro IV).
  • Crise Reticulocitária: Ocorre entre o 7º e 10º dia após início da reposição (marcador precoce de resposta).
  • Elevação da Hemoglobina: Espera-se aumento de 1 a 2 g/dL a cada 2 a 3 semanas.
  • Tempo de reavaliação: Repetir Hemograma e Reticulócitos em 14 dias. Perfil de ferro apenas após 8-12 semanas do término da reposição IV.
  • Sinais de falha: Ausência de elevação de reticulócitos ou Hb sugere sangramento ativo contínuo superando a reposição, má absorção (se uso VO) ou diagnóstico incorreto/misto.
  • Alertas Críticos

  • ⚠️ ALERTA DE SEGURANÇA (Ferro IV): Embora raro com as formulações modernas (Carboximaltose/Sacarato), existe risco de reações de hipersensibilidade. A administração deve ser feita em ambiente com suporte para anafilaxia (Adrenalina disponível).
  • ⚠️ ALERTA DIAGNÓSTICO: Não prescreva apenas o ferro e dê alta sem garantir a investigação do trato gastrointestinal. Tratar a anemia sem investigar a causa em idosos é considerado erro médico grave (mascaramento de neoplasia).
  • Disposição e Acompanhamento

  • Destino: Alta ambulatorial após infusão de ferro IV (pode ser feito em hospital-dia ou sala de medicação da emergência).
  • Especialista: Encaminhamento ambulatorial com prioridade para Gastroenterologia (para realização de EDA e Colonoscopia).
  • Reavaliação: Retorno em 14 dias com novo Hemograma e contagem de reticulócitos.
  • *⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*

    Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

    Anemia ferropriva grave — investigar causa (perda GI oculta vs ingesta inadequada)

    Diferenciais esperados:
    • Anemia de doença crônica
    • Talassemia minor
    • Anemia sideroblástica
    • Neoplasia GI com perda oculta

    Avalie a Resposta do Assistente

    Acuracia Clinica
    Completude dos Diferenciais
    Adequacao Terapeutica
    Seguranca
    Qualidade do Function Calling
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    Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: