Apendicite aguda não complicada — Caso Estudante
Apresentação Clínica
Homem de 25 anos, dor periumbilical que migrou para FID há 18 horas, anorexia, náuseas e febre de 37.8°C. Blumberg positivo, Rovsing positivo, sinal do psoas positivo. Leucócitos 14.500 com desvio à esquerda. PCR 55. USG mostra apêndice não compressível de 9mm com líquido livre em pelve. PA 120/80, FC 95, FR 18, T 38°C.
Síntese do Caso
Homem jovem (25 anos) apresentando quadro clássico de abdome agudo inflamatório com cronologia de Murphy (dor periumbilical migratória para fossa ilíaca direita), associado a sintomas dispeptícos e febre. Exame físico evidencia peritonite localizada (Blumberg, Rovsing e Psoas positivos). Laboratório mostra resposta inflamatória sistêmica (leucocitose com desvio, PCR elevada) e USG confirma apêndice espessado (9mm) não compressível com líquido livre pélvico, sugerindo fase supurativa ou microperfuração.
Hipótese Diagnóstica Principal
Apendicite Aguda (Fase III - Supurativa/Complicada) — Confiança: 99%
Diagnósticos Diferenciais
Ordenados do mais letal/urgente ao menos grave (método *Rule Out*):
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Úlcera Péptica Perfurada | 5% | Dor abdominal, peritonite, líquido livre. | Início insidioso (18h), dor primária em FID, USG diagnóstico de apendicite. |
| 2 | Diverticulite de Meckel | 10% | Clínica idêntica à apendicite aguda. | Diagnóstico eminentemente intraoperatório. |
| 3 | Doença de Crohn (Ileíte) | 5% | Dor em FID, febre, leucocitose. | Quadro agudo isolado, USG aponta para o apêndice especificamente. |
| 4 | Urolitíase / Cólica Nefrética | 2% | Dor em flanco/pelve, náuseas. | Ausência de irradiação para testículo, ausência de Giordano, USG sem hidronefrose. |
| 5 | Adenite Mesentérica | 1% | Dor em FID, febre, leucocitose. | Mais comum em crianças, USG mostraria linfonodos e apêndice normal (<6mm). |
Não Esqueça: Em pacientes do sexo feminino (não é o caso), a exclusão de gravidez ectópica rota, torção ovariana e DIP seria mandatória antes de fechar o diagnóstico.
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos
Exames Complementares
Imediatos (beira-leito / pré-operatórios):
Imagem:
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Conduta Terapêutica
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)
O foco é analgesia adequada e antibioticoterapia profilática/terapêutica cobrindo gram-negativos entéricos e anaeróbios, administrada dentro de 60 minutos antes da incisão cirúrgica.
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| Dipirona | 1g (2mL) | IV | Diluir em 10mL AD ou SF 0,9% | Lento (3-5 min) | Analgesia de 1ª linha. |
| Morfina | 2 a 4mg | IV | Diluir 1 amp (10mg/1mL) em 9mL AD (fica 1mg/mL). Fazer 2-4mL. | Lento | Se dor refratária. *Não mascara o quadro em abdome agudo já diagnosticado.* |
| Ondansetrona | 4 a 8mg | IV | Sem diluição ou diluído em 10mL | Lento (2 min) | Controle de náuseas. |
| Ceftriaxona | 2g | IV | Diluir em 100mL SF 0,9% | Infusão em 30 min | 1ª linha (Cefalosporina de 3ª ger). |
| Metronidazol | 500mg | IV | Bolsa pronta (100mL) | Infusão em 30-60 min | 1ª linha (Cobertura anaeróbia). |
*Alternativa em caso de alergia a beta-lactâmicos:* Ciprofloxacino 400mg IV + Metronidazol 500mg IV.
Estratégia Definitiva
Avaliação de Resposta
Alertas Críticos
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Disposição e Acompanhamento
*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Apendicite aguda não complicada
- Diverticulite de Meckel
- Linfadenite mesentérica
- Torção testicular com dor referida