Blefarite mista (anterior estafilocócica + posterior meibomiana) associada a rosácea ocular — Caso Estudante
Apresentação Clínica
Mulher 38 anos, portadora de rosácea facial. Queixa de crostas na base dos cílios, sensação de ardor e prurido palpebral bilateral há 2 meses. Piora matutina. AV 20/20 bilateral. Biomicroscopia: blefarite anterior com collaretes na base ciliar (escamas cilíndricas), telangiectasias na margem palpebral, disfunção de glândulas de Meibomius com secreção espessa à expressão, plug de queratina em orifícios glandulares. Tempo de ruptura do filme lacrimal (BUT): 4 segundos (VR > 10). Teste de Schirmer 12mm (normal). Sem úlcera corneana.
Síntese do Caso
Mulher de 38 anos, com antecedente de rosácea facial, apresentando quadro crônico (2 meses) de irritação ocular bilateral com piora matutina. O exame oftalmológico revela blefarite mista com achados patognomônicos de infestação por *Demodex spp.* (colaretes/escamas cilíndricas), associada a sinais clássicos de Rosácea Ocular (telangiectasias e Disfunção de Glândulas de Meibomius - DGM). Apresenta olho seco evaporativo confirmado por BUT reduzido (4s) e Teste de Schirmer normal, sem acometimento corneano agudo.
Hipótese Diagnóstica Principal
**Blefarite Mista (Anterior e Posterior/DGM) por Rosácea Ocular com Infestação por *Demodex folliculorum* — Confiança: 95%**
Diagnósticos Diferenciais
Ordenados do mais letal/urgente ao menos grave (método Rule Out):
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Úlcera/Ceratite Infecciosa | < 1% | Ardor, hiperemia. | AV 20/20, ausência de úlcera corneana na biomicroscopia. |
| 2 | Blefarite Estafilocócica | 15% | Crostas na base dos cílios, cronicidade. | Crostas costumam ser duras/ulcerativas (colarinho), não cilíndricas; sem DGM franca. |
| 3 | Ceratoconjuntivite Seca (Def. Aquosa) | 5% | Ardor, sensação de corpo estranho. | Teste de Schirmer normal (12mm) exclui deficiência aquosa (ex: Sjögren). |
| 4 | Conjuntivite Alérgica | 10% | Prurido bilateral. | Piora matutina (alérgica costuma ser ambiental), ausência de papilas descritas, presença de colaretes. |
Não Esqueça: O acometimento corneano na rosácea ocular (ceratite puntata, neovascularização corneana, afinamento e perfuração) é a complicação mais temida. Embora ausente no momento, requer vigilância contínua.
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos
Exames Complementares
Imediatos (beira-leito / consultório):
Conduta Terapêutica
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Prescrição Ambulatorial)
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| Óleo de Melaleuca (Tea Tree Oil) (ex: Naviblef®, Blephagel®) | 1 aplicação | Tópica (Pálpebras) | Espuma ou lenços umedecidos (concentração 5% a 50%) | 2x/dia por 6 semanas | 1ª Linha para Demodex. Friccionar na base dos cílios. O TTO é acaricida direto. |
| Doxiciclina (ex: Doxiciclina, Vibramicina®) | 100 mg | VO | Comprimido | 1x/dia por 30 a 60 dias | 1ª Linha para Rosácea/DGM. Efeito anti-inflamatório e inibidor de metaloproteinases (não usado como ATB aqui). |
| Lubrificante Ocular Sem Conservante (ex: Hyabak®, Systane® Hidratância) | 1 gota | Tópica (Ocular) | Colírio (preferir com componente lipídico/ácido hialurônico) | 4 a 6x/dia | Reposição do filme lacrimal evaporativo. |
| Ivermectina (ex: Revectina®) | 200 mcg/kg | VO | Comprimido (6mg) | Dose única, repetir em 7 dias | Resgate/Casos Refratários de infestação maciça por *Demodex*. |
Estratégia Definitiva
Avaliação de Resposta
Alertas Críticos
Disposição e Acompanhamento
*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM), como o TFOS DEWS II e protocolos da AAO, e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Blefarite mista (anterior estafilocócica + posterior meibomiana) associada a rosácea ocular
- Blefarite por Demodex
- Olho seco evaporativo
- Conjuntivite alérgica crônica
- Meibomite isolada