pediatricsEstudante

Bronquiolite viral aguda (provável VSR) — Caso Estudante

Avaliacao mmed.pro· pediatrics 0 0 0

Apresentação Clínica

Lactente masculino de 4 meses (prematuro 34 sem), coriza hialina há 3 dias evoluindo com tosse, sibilância e desconforto respiratório. Taquipneia, tiragem subcostal e intercostal, sibilos expiratórios difusos bilaterais, crepitações finas. SpO2 90% em AA. FR 68, FC 170, T 38.2°C. Aceitação parcial da dieta. Rx de tórax: hiperinsuflação bilateral com atelectasias segmentares. Primeiro episódio de sibilância.

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
07/04/2026 Disclaimer

Síntese do Caso

Lactente de 4 meses, ex-prematuro (34 semanas), apresentando pródromo viral de 3 dias que evolui com taquipneia grave (FR 68), hipoxemia (SpO₂ 90% em AA), esforço respiratório (tiragens) e ausculta com sibilos e crepitações. Trata-se do primeiro episódio de sibilância. O quadro clínico e radiológico é altamente sugestivo de infecção respiratória baixa de etiologia viral, com sinais de gravidade e alto risco de complicação devido à prematuridade.

Hipótese Diagnóstica Principal

Bronquiolite Viral Aguda (BVA) — Confiança: 95%

  • Justificativa: Idade clássica (< 1 ano, pico aos 2-6 meses), primeiro episódio de sibilância, pródromo de vias aéreas superiores (coriza) evoluindo para acometimento de vias aéreas inferiores. O Rx de tórax com hiperinsuflação e atelectasias segmentares (rolhas de secreção) é o padrão radiológico típico.
  • Gravidade: Moderada a Grave (SpO₂ < 92%, FR > 60 irpm, tiragens, aceitação parcial da dieta).
  • Fator de Risco Crítico: Prematuridade (34 semanas) aumenta significativamente o risco de apneia, falência respiratória e necessidade de ventilação mecânica.
  • Diagnósticos Diferenciais

    #DiagnósticoConfiançaAchados que FavorecemAchados que Afastam
    1Pneumonia Viral/Bacteriana40%Febre, taquipneia, crepitações finas, hipoxemia.Pródromo viral arrastado e sibilos difusos favorecem BVA. Rx sem consolidação lobar franca.
    2Cardiopatia Congênita Descompensada15%Taquipneia, esforço respiratório, crepitações.Presença de febre, coriza prévia e ausência de sopro ou hepatomegalia relatados.
    3Aspiração de Corpo Estranho5%Sibilos, atelectasia no Rx, tosse.Início gradual com pródromo viral (coriza/febre); ausência de engasgo súbito.
    4Asma (Sibilância Recorrente)< 5%Sibilos expiratórios, hiperinsuflação.Primeiro episódio, idade < 6 meses, febre e coriza associadas.
    Não Esqueça: Em lactentes jovens, especialmente ex-prematuros, a infecção pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR) ou Bordetella pertussis (Coqueluche) pode se manifestar com apneia antes mesmo dos sinais clássicos de desconforto respiratório.

    Confirmação Diagnóstica

    Critérios Clínicos

    O diagnóstico de Bronquiolite Viral Aguda é eminentemente clínico. Não há necessidade de exames de imagem ou laboratoriais de rotina para casos típicos, mas a gravidade deste paciente exige avaliação complementar.

    Exames Complementares (por ordem de prioridade)

    Imediatos (beira-leito):

  • Oximetria de pulso contínua: Alvo SpO₂ > 90-92% (conforme protocolo institucional/SBP).
  • Glicemia capilar: Descartar hipoglicemia por baixa ingesta.
  • Laboratoriais:

  • Painel Viral Respiratório (Swab Nasal): Pesquisa de VSR, Rinovírus, Metapneumovírus, Adenovírus, Influenza e SARS-CoV-2 (importante para coorte e isolamento na internação).
  • Gasometria Venosa/Arterial: Apenas se houver piora do esforço, rebaixamento do sensório ou falha na oxigenoterapia inicial (avaliar hipercapnia).
  • *Nota:* Hemograma e PCR não são indicados de rotina, a menos que haja forte suspeita de coinfecção bacteriana (febre alta persistente, toxemia).
  • Conduta Terapêutica

    Medidas Imediatas (Tempo 0)

  • Isolamento: Precauções de contato e gotículas.
  • Monitorização (MOV): Cardioscopia, oximetria contínua e controle rigoroso de temperatura.
  • Posicionamento: Decúbito elevado (cabeceira a 30°), pescoço em posição neutra.
  • Desobstrução Nasal: Lavagem nasal com Soro Fisiológico 0,9% e aspiração delicada de vias aéreas superiores (fundamental, pois lactentes são respiradores nasais obrigatórios).
  • Oxigenoterapia: Iniciar O₂ sob cateter nasal ou máscara para manter SpO₂ > 92%.
  • Jejum (NPO): Suspender dieta via oral temporariamente devido à FR > 60 irpm (alto risco de broncoaspiração).
  • Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)

    *A base do tratamento da BVA é o suporte (Oxigênio e Hidratação). Diretrizes da AAP e SBP contraindicam o uso de rotina de broncodilatadores, corticoides e antibióticos.*

    MedicaçãoDoseViaPreparo/DiluiçãoTempoObservação
    Soro Fisiológico 0,9% ou Ringer LactatoManutenção (Regra de Holliday-Segar)IVPuroContínuoAcesso venoso periférico. Evitar hiper-hidratação (risco de SIADH e piora do edema pulmonar).
    Dipirona (Novalgina®)15 a 25 mg/kg/doseIV ou VOSe IV: diluir em AD ou SF 0,9%ACMSe temperatura > 38,5°C ou desconforto. Máx 4x/dia.
    *Alternativa:* Paracetamol (Tylenol®)10 a 15 mg/kg/doseVOGotas (200mg/mL)ACMMáx 4x/dia.

    Estratégia Definitiva

  • Suporte Respiratório Escalonado:
  • 1. Cateter Nasal de Baixo Fluxo: Até 2 L/min.

    2. CNAF (Cateter Nasal de Alto Fluxo): Se falha do baixo fluxo, persistência de tiragens ou FiO₂ > 40%. Fluxo inicial de 2 L/kg/min.

    3. VNI (CPAP): Se falha da CNAF ou sinais de exaustão respiratória.

    4. Intubação Orotraqueal (IOT): Se apneia, rebaixamento do nível de consciência, hipercapnia grave (PaCO₂ > 55-60 com pH < 7.20) ou exaustão franca.

  • Teste Terapêutico com Broncodilatador (Controverso): A AAP contraindica. A SBP permite um *único* teste terapêutico em casos moderados/graves. Se optar por fazer: Salbutamol (Aerolin®) spray 100mcg/jato - 1 jato para cada 2 a 3 kg de peso (com espaçador e máscara). Critério de parada: Se não houver melhora clínica clara (redução de FR e tiragens) em 30 minutos, NÃO repetir.
  • Contraindicações na BVA típica: Corticoides sistêmicos ou inalatórios, Fisioterapia respiratória de rotina (pode piorar o broncoespasmo), Antibióticos (salvo suspeita documentada de coinfecção).
  • Avaliação de Resposta

  • Critérios de Sucesso: Redução da FR (< 50 irpm), melhora das tiragens, SpO₂ > 92% em ar ambiente ou com baixo fluxo de O₂, capacidade de aceitar dieta (VO ou SNE).
  • Sinais de Falha/Piora (Red Flags): Letargia, gemência, episódios de apneia, cianose, FR > 70 irpm persistente, taquicardia desproporcional à febre.
  • Tempo de Reavaliação: A cada 1-2 horas nas primeiras 6 horas.
  • Disposição e Acompanhamento

  • Destino: Internação Hospitalar OBRIGATÓRIA.
  • Nível de Cuidado: Devido à idade (4 meses), prematuridade (34 sem) e gravidade atual (FR 68, SpO₂ 90%), o paciente deve ser admitido preferencialmente em Leito de Cuidados Intermediários Pediátricos ou UTI Pediátrica, ou em Enfermaria com monitorização contínua e equipe apta para via aérea avançada.
  • Nutrição: Manter hidratação venosa até FR < 60 irpm. Quando o esforço reduzir, transicionar para Sonda Nasoenteral (SNE) e, posteriormente, via oral fracionada.
  • *⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM - AAP/SBP) e não substitui o julgamento clínico presencial.*

    Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

    Bronquiolite viral aguda (provável VSR)

    Diferenciais esperados:
    • Asma do lactente (sibilante transitório)
    • Pneumonia viral
    • Cardiopatia congênita com congestão pulmonar

    Avalie a Resposta do Assistente

    Acuracia Clinica
    Completude dos Diferenciais
    Adequacao Terapeutica
    Seguranca
    Qualidade do Function Calling
    0

    Discussao (0)

    0/2000
    Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: