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CADASIL (arteriopatia cerebral autossômica dominante com infartos subcorticais e leucoencefalopatia) — Caso Especialista

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Apresentação Clínica

Homem de 45 anos, enxaqueca com aura desde os 20 anos, AVC isquêmico lacunar aos 38 anos, mãe com demência vascular precoce e AVC aos 42 anos. Exame: labilidade emocional, marcha apráxica, síndrome pseudobulbar. MOCA 22/30. RM mostra múltiplos infartos lacunares em substância branca periventricular, cápsulas externas e gânglios da base, leucoencefalopatia confluente extensa desproporcional para a idade. Sem fatores de risco vasculares tradicionais. PA 120/70, FC 72. Teste genético: mutação no gene NOTCH3.

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
07/04/2026 Disclaimer

Síntese do Caso

Paciente masculino, 45 anos, com quadro de declínio cognitivo precoce (MoCA 22/30), síndrome pseudobulbar, marcha apráxica, histórico de enxaqueca com aura e AVC lacunar jovem. Apresenta forte história familiar para demência vascular precoce. A ressonância magnética evidencia leucoencefalopatia confluente severa e infartos lacunares sem fatores de risco cardiovasculares clássicos. O teste genético positivo para mutação no gene *NOTCH3* sela o diagnóstico.

Hipótese Diagnóstica Principal

CADASIL (Arteriopatia Cerebral Autossômica Dominante com Infartos Subcorticais e Leucoencefalopatia) — Confiança: 100%

  • Justificativa: A presença da mutação no gene *NOTCH3* (cromossomo 19) é o padrão-ouro e confirmatório para a doença. A tríade clínica clássica (enxaqueca com aura, AVCs isquêmicos recorrentes em jovens e demência vascular subcortical), associada ao padrão de RM (acometimento de cápsula externa e polos temporais) e herança autossômica dominante, fecha o quadro fenotípico e genotípico.
  • Diagnósticos Diferenciais

    Embora o diagnóstico genético já esteja estabelecido, em fases iniciais ou na ausência do painel genético, o método *Rule Out* deve considerar:

    #DiagnósticoConfiançaAchados que FavorecemAchados que Afastam
    1CARASILBaixaLeucoencefalopatia, AVC jovem.Herança recessiva, mutação HTRA1, alopecia, espondilose severa.
    2Vasculite Primária do SNCBaixaMúltiplos infartos, cefaleia, alteração cognitiva.Ausência de história familiar, padrão de RM diferente, líquor inflamatório.
    3Doença de FabryBaixaAVC jovem, leucoencefalopatia.Ausência de angioqueratomas, função renal normal, herança ligada ao X.
    4MELASBaixaEnxaqueca, AVCs em jovens, declínio cognitivo.Ausência de acidose lática, lesões não respeitam territórios vasculares clássicos.
    Não Esqueça: A Doença de Pequenos Vasos secundária à Hipertensão Arterial Severa é o principal diferencial populacional, mas é descartada neste caso pela ausência de HAS e idade precoce.

    Confirmação Diagnóstica

    Critérios Clínicos e Genéticos

  • Teste Genético: Mutação *NOTCH3* (Confirmado).
  • Biópsia de Pele (Alternativa histórica): Depósitos granulares osmiofílicos (GOM) na lâmina basal das arteríolas na microscopia eletrônica (desnecessário dado o teste genético positivo).
  • Exames Complementares (Estadiamento e Rastreio)

    Laboratoriais: Perfil lipídico, glicemia de jejum, HbA1c, função renal (para garantir controle estrito de qualquer fator de risco vascular sobreposto).

    Imagem:

  • RM de Encéfalo com susceptibilidade magnética (SWI/GRE): Fundamental para quantificar micro-hemorragias cerebrais (microbleeds), que são comuns no CADASIL e alteram o risco do uso de antitrombóticos.
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    Conduta Terapêutica

    Não existe tratamento modificador de doença (cura) para o CADASIL. O manejo é estritamente focado em profilaxia secundária, controle sintomático e prevenção de complicações.

    Medidas Imediatas (Tempo 0)

  • O paciente encontra-se estável hemodinamicamente. O foco imediato é o acolhimento do diagnóstico e o planejamento ambulatorial multidisciplinar.
  • Monitorização: Controle rigoroso da Pressão Arterial. A PA deve ser mantida em níveis normais (evitar tanto a hipertensão quanto a hipotensão, pois a autorregulação cerebral está prejudicada nestes pacientes).
  • Medicações Iniciais (Manejo Crônico)

    MedicaçãoDoseViaPreparo/ApresentaçãoTempoObservação
    Ácido Acetilsalicílico (AAS)100 mgVOComp 100mg1x/diaProfilaxia secundária de AVC. *Controverso se houver muitos microbleeds.*
    Escitalopram (Lexapro®)10 mgVOComp 10mg, 20mg1x/diaTratamento da labilidade emocional / Síndrome Pseudobulbar.
    Dipirona (Novalgina®)1gVOComp 1gAté 6/6hAbortivo de resgate para crises de enxaqueca.

    Estratégia Definitiva e Manejo de Longo Prazo

    1. Prevenção Secundária de AVC:

  • Antiagregação plaquetária simples (AAS ou Clopidogrel) é o padrão, embora a evidência de eficácia no CADASIL seja extrapolada de outras doenças de pequenos vasos.
  • Controle de Fatores de Risco: Manter LDL < 70 mg/dL (se houver dislipidemia associada), controle de peso e cessação de tabagismo (absolutamente mandatório).
  • 2. Manejo da Enxaqueca:

  • Profilaxia: Ácido Valproico, Amitriptilina ou Propranolol.
  • Abortivo: Analgésicos simples, AINEs, antieméticos.
  • CONTRAINDICAÇÃO ABSOLUTA: Triptanos (Sumatriptano, Naratriptano) e Ergotamínicos. O uso de vasoconstritores pode precipitar AVC isquêmico severo devido à disfunção endotelial e espessamento da parede vascular característicos da doença.
  • 3. Manejo Cognitivo e Psiquiátrico:

  • Inibidores da Acetilcolinesterase (ex: Donepezila 5-10mg/dia) podem ser tentados para o déficit cognitivo, embora os *trials* no CADASIL mostrem benefício marginal apenas em funções executivas.
  • A síndrome pseudobulbar e a depressão respondem bem a ISRS (Sertralina, Escitalopram).
  • Avaliação de Resposta

  • Critérios de sucesso: Redução da frequência de enxaquecas, estabilização do humor, ausência de novos déficits focais agudos.
  • Sinais de piora: Novo déficit motor, disfagia progressiva (risco de broncoaspiração devido à síndrome pseudobulbar), declínio rápido no MoCA.
  • Reavaliação: Retorno ambulatorial a cada 3-6 meses. RM de encéfalo anual ou se nova sintomatologia.
  • Alertas Críticos

  • ⚠️ ALERTA FARMACOLÓGICO 1 (TRIPTANOS): Triptanos e derivados do ergot são estritamente contraindicados para o tratamento da enxaqueca neste paciente. Risco iminente de infarto cerebral.
  • ⚠️ ALERTA FARMACOLÓGICO 2 (ANTICOAGULANTES): Evitar anticoagulação oral (Varfarina, DOACs) a menos que haja indicação absoluta (ex: Fibrilação Atrial com CHA2DS2-VASc alto), devido ao alto risco de hemorragia intracerebral secundária à microangiopatia.
  • ⚠️ ALERTA FARMACOLÓGICO 3 (TROMBÓLISE): Em caso de novo AVC isquêmico agudo, a trombólise venosa (Alteplase/Tenecteplase) é controversa e geralmente evitada ou usada com extrema cautela devido à alta carga de micro-hemorragias e leucoencefalopatia.
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    Disposição e Acompanhamento

  • Destino: Acompanhamento ambulatorial especializado (Neurologia Cognitiva / Neurovascular).
  • Apoio Multidisciplinar:
  • Fonoaudiologia: Avaliação de deglutição urgente (risco de disfagia pela síndrome pseudobulbar).
  • Fisioterapia: Reabilitação motora para a marcha apráxica e prevenção de quedas.
  • Aconselhamento Genético: Mandatório. Como a herança é autossômica dominante, os filhos do paciente têm 50% de chance de herdar a mutação. O rastreio em familiares assintomáticos deve envolver suporte psicológico pré e pós-teste.
  • *⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*

    Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

    CADASIL (arteriopatia cerebral autossômica dominante com infartos subcorticais e leucoencefalopatia)

    Diferenciais esperados:
    • Doença de pequenos vasos por hipertensão
    • Esclerose múltipla
    • Vasculite primária do SNC

    Avalie a Resposta do Assistente

    Acuracia Clinica
    Completude dos Diferenciais
    Adequacao Terapeutica
    Seguranca
    Qualidade do Function Calling
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    Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: