Calcifilaxia (arteriolopatia urêmica calcificante) — Caso Especialista
Apresentação Clínica
Mulher 58 anos, DRC estágio 5 em hemodiálise há 4 anos, hiperparatireoidismo secundário (PTH 1.200 pg/mL). Apresenta lesões necróticas dolorosas e reticuladas em coxas e abdome há 3 semanas, iniciando como livedo reticular que evoluiu para placas violáceas com necrose central e escaras negras. Úlceras extremamente dolorosas. PA 150x90 mmHg, FC 92bpm, T 37,5°C. Cálcio total 10,8 mg/dL (normal-alto para DRC), fósforo 8,2 mg/dL, produto Ca x P: 89, albumina 2,8 g/dL. Biópsia: calcificação de arteríolas dérmicas e subcutâneas com trombose intravascular e necrose. Solicita diagnóstico e opções — tiossulfato de sódio, paratireoidectomia.
Síntese do Caso
Paciente feminina, 58 anos, com DRC estágio 5 em hemodiálise, apresentando hiperparatireoidismo secundário grave (PTH 1.200 pg/mL) e produto cálcio-fósforo criticamente elevado (89). Evolui com lesões cutâneas isquêmicas, necróticas e extremamente dolorosas em áreas de adiposidade (coxas e abdome). A biópsia de pele confirma calcificação arteriolar com trombose intravascular, selando o diagnóstico.
Hipótese Diagnóstica Principal
Calcifilaxia (Arteriolopatia Urêmica Calcificante) — Confiança: 100%
Diagnósticos Diferenciais
Apesar da confirmação histopatológica, o raciocínio de exclusão inicial (Rule Out) para lesões necróticas reticuladas inclui:
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Necrose induzida por Varfarina | < 5% | Lesões em áreas de adiposidade, necrose. | Ausência de relato de uso; biópsia não compatível. |
| 2 | Vasculite Sistêmica (ANCA/Crioglobulinas) | < 5% | Livedo reticular, úlceras, DRC. | Biópsia mostra calcificação e não inflamação vascular primária. |
| 3 | Doença Arterial Periférica Crítica | < 5% | Úlceras isquêmicas dolorosas. | Topografia proximal (coxas/abdome) afasta etiologia macrovascular aterosclerótica padrão. |
Não Esqueça: A infecção secundária das úlceras necróticas é a principal causa de mortalidade (sepse). Deve-se ativamente descartar infecção de partes moles associada.
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos e Histopatológicos
Exames Complementares (por ordem de prioridade)
Imediatos (beira-leito): ECG (avaliar QT e arritmias por distúrbios do cálcio), Glicemia capilar.
Laboratoriais: Hemograma completo, PCR, Hemoculturas (2 amostras) e Cultura de fragmento/secreção da lesão (rastreio de sepse), Coagulograma, Fosfatase Alcalina, Gasometria venosa.
Imagem: Radiografia simples de partes moles das coxas/abdome (pode evidenciar o padrão de calcificação vascular em "trilho de trem" ou rede).
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Conduta Terapêutica
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min e Manutenção)
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| Fentanil (Fentanil®) | 25 - 50 mcg | IV | Sem diluição | ACM | Opióide de escolha na DRC (não acumula metabólitos ativos como a morfina). |
| Tiossulfato de Sódio 25% | 25 g (100 mL) | IV | Diluir em 100 mL SF 0,9% | Infundir nos últimos 30-60 min da diálise | 1ª Linha Específica. Reduzir para 12,5g se peso < 60 kg. Fazer 3x/semana. |
| Sevelamer (Renagel®) | 800 - 1600 mg | VO | Com as refeições | 3x/dia | Quelante não-cálcico. Titular para manter Fósforo < 5,5 mg/dL. |
| Cinacalcete (Mimpara®) | 30 mg | VO | 1x/dia | Contínuo | Calcimimético. Aumentar dose a cada 2-4 sem (máx 120mg/dia) para reduzir PTH. |
Estratégia Definitiva
1. Terapia Médica com Tiossulfato de Sódio (STS):
2. Paratireoidectomia (PTX):
3. Cuidados com a Ferida (Wound Care):
Avaliação de Resposta
Alertas Críticos
Disposição e Acompanhamento
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*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Calcifilaxia (arteriolopatia urêmica calcificante)
- Vasculopatia livedóide
- Pioderma gangrenoso
- Ateroembolismo de colesterol
- Warfarin skin necrosis