Celulite de membro inferior esquerdo com porta de entrada fúngica — Caso Estudante
Apresentação Clínica
Homem 55 anos, DM2 em uso de metformina, IMC 34. Apresenta placa eritematosa, quente, edemaciada e dolorosa em perna esquerda há 3 dias, com progressão centrífuga. Bordas mal delimitadas. Febre 38,7°C, FC 100bpm, PA 135x85 mmHg, FR 18irpm. Porta de entrada: intertrigo micótico em 4o espaço interdigital. Leucócitos 16.800/mm³, PCR 18 mg/dL, glicemia 285 mg/dL. Sem crepitação à palpação, sem bolhas ou necrose. Sem sinais de TVP (Homans negativo, sem edema assimétrico).
Síntese do Caso
Homem de 55 anos, obeso e diabético (DM2), apresentando quadro agudo de infecção de pele e partes moles (IPPM) não purulenta em membro inferior esquerdo há 3 dias. Apresenta sinais de resposta inflamatória sistêmica (SIRS: febre, taquicardia, leucocitose) e descompensação glicêmica aguda, tendo como porta de entrada um intertrigo fúngico interdigital. Ausência de sinais de necrose ou instabilidade hemodinâmica no momento.
Hipótese Diagnóstica Principal
Celulite Bacteriana — Confiança: 95%
Diagnósticos Diferenciais
Ordenados do mais letal/urgente ao menos grave:
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Fasciíte Necrosante | 5% | DM2, obesidade, dor, febre, leucocitose. | Ausência de crepitação, bolhas hemorrágicas, necrose ou dor desproporcional. |
| 2 | Trombose Venosa Profunda (TVP) | 10% | Edema, dor, eritema em membro inferior. | Febre alta, leucocitose importante, PCR alto, Homans negativo. |
| 3 | Erisipela | 20% | Eritema, calor, febre, porta de entrada fúngica. | Bordas mal delimitadas (erisipela costuma ter bordas bem definidas e elevadas). |
| 4 | Dermatite de Estase (Agudizada) | 5% | Obesidade, eritema em perna. | Unilateralidade aguda, febre, leucocitose, PCR elevado. |
Não Esqueça: Pacientes com DM2 têm maior risco de infecções polimicrobianas e progressão rápida para Fasciíte Necrosante. A reavaliação seriada da dor (se tornar-se desproporcional aos achados físicos) é o principal sinal de alerta precoce.
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos
Exames Complementares
Imediatos (beira-leito):
Laboratoriais:
Imagem:
Conduta Terapêutica
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)
Como o paciente apresenta sinais sistêmicos (IPPM moderada), a terapia inicial deve ser intravenosa. O foco é cobrir *Streptococcus* spp. e *Staphylococcus aureus* sensível à meticilina (MSSA).
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| Cefazolina (Kefazol®) | 1g a 2g a cada 8h | IV | Diluir em 100mL SF 0,9% | Infundir em 30 min | 1ª Linha. Cobre MSSA e Estreptococos. Ajustar se ClCr < 55. |
| Dipirona | 1g a cada 6h | IV | Diluir em 10mL AD ou SF 0,9% | Infundir em 3-5 min | Analgesia e antitérmico. |
| Insulina Regular | Conforme protocolo | SC | Não diluir | Imediato | Correção da hiperglicemia (alvo 140-180 mg/dL). |
| Terbinafina 1% ou Cetoconazol 2% | 1 aplicação | Tópica | Creme/Pomada | 12/12h | Tratar a porta de entrada (intertrigo). |
*Alternativa em caso de alergia grave à Penicilina/Cefalosporinas:* Clindamicina 600mg IV 8/8h (atenção ao risco de colite pseudomembranosa).
Estratégia Definitiva
Avaliação de Resposta
Alertas Críticos
Disposição e Acompanhamento
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*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM - IDSA Guidelines for Skin and Soft Tissue Infections) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Celulite de membro inferior esquerdo com porta de entrada fúngica
- Erisipela
- Fasciite necrosante
- TVP
- Dermatite de estase infectada