Cetoacidose diabética gravíssima com pH < 7,0 e componente de acidose láctica — duplo gap elevado — Caso Residente
Apresentação Clínica
Homem 52 anos, DM1 há 30 anos, parou insulina há 4 dias. Admitido em torpor (Glasgow 10). PA 85x45 mmHg, FC 130bpm, FR 36irpm (Kussmaul profundo), SpO2 97%, T 36°C. Gasometria arterial: pH 6,95, pCO2 10 mmHg, pO2 115 mmHg, HCO3 2,3 mmol/L, BE -28, SaO2 97%. Na+ 128 mEq/L (corrigido para glicemia: 142), K+ 6,5 mEq/L, Cl- 92 mEq/L. Ânion gap: 48 (muito elevado). Glicemia 680 mg/dL. Beta-hidroxibutirato 12 mmol/L. Lactato 5,8 mmol/L. Osmolaridade efetiva 320 mOsm/kg. Cr 3,2 mg/dL. Solicita análise da gravidade da acidose, cálculos de correção de sódio, déficit de água e protocolo de CAD grave com potássio > 5,5.
Síntese do Caso
Homem de 52 anos, DM1, com interrupção de insulina há 4 dias, apresentando Cetoacidose Diabética (CAD) Grave associada a Choque Hipovolêmico e Lesão Renal Aguda (LRA). Apresenta acidemia extrema (pH 6,95), ânion gap muito elevado (48), hipercalemia (K+ 6,5) e rebaixamento do sensório (Glasgow 10). Risco iminente de colapso cardiovascular e parada cardiorrespiratória por fadiga respiratória.
Hipótese Diagnóstica Principal
Cetoacidose Diabética (CAD) Grave com Choque Hipovolêmico — Confiança: 100%
Diagnósticos Diferenciais
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Sepse (Foco Oculto) | 60% | Choque, taquicardia, lactato elevado, LRA. | História clara de má adesão (parou insulina). |
| 2 | Estado Hiperosmolar (EHH) | 20% | Osmolaridade 320 mOsm/kg, glicemia 680. | Presença maciça de cetoácidos (Beta-HBA 12, pH 6,95). |
| 3 | Intoxicação (Metanol/Etilenoglicol) | 5% | Acidose com ânion gap extremamente elevado. | História clínica compatível com CAD. |
Não Esqueça: Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) silencioso ou infecção oculta (ITU, pneumonia) são os principais gatilhos para CAD, mesmo com a história de interrupção da insulina.
Confirmação Diagnóstica e Cálculos Solicitados
1. Cálculos Fisiológicos (Beira-leito)
Exames Complementares
Imediatos (beira-leito): ECG de 12 derivações (urgente para avaliar sinais de hipercalemia: ondas T apiculadas, QRS alargado), USG-POC (VCI e contratilidade para guiar ressuscitação volêmica).
Laboratoriais: Hemoculturas (2 amostras), EAS + Urocultura, Troponina, Magnésio, Fósforo.
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Conduta Terapêutica [Ver Protocolo: ADA DKA Guidelines]
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)
A prioridade absoluta é a expansão volêmica, seguida da insulinoterapia.
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| Ringer Lactato ou SF 0,9% | 15 a 20 mL/kg (aprox. 1000-1500 mL) | IV | Puro | Correr em 1 hora | Preferir RL/Plasmalyte para evitar acidose hiperclorêmica. |
| Insulina Regular (Novolin R®) | 0,1 UI/kg | IV | Bolus direto | Após início do volume | NÃO FAZER se K+ < 3,3. Como K+ é 6,5, está LIBERADO. |
| Insulina Regular (Novolin R®) | 0,1 UI/kg/h | IV | 100 UI em 100 mL SF 0,9% (1 UI/mL) | Contínuo (BIC) | Iniciar imediatamente após o bolus. |
Estratégia Definitiva (Protocolo CAD com K+ > 5,5)
1. Manejo do Potássio (K+ = 6,5 mEq/L):
2. Manejo dos Fluidos (Após 1ª hora):
3. Manejo do Bicarbonato (pH 6,95):
4. Transição de Glicose:
Avaliação de Resposta
Disposição e Acompanhamento
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*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM - ADA 2023/2024) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Cetoacidose diabética gravíssima com pH < 7,0 e componente de acidose láctica — duplo gap elevado
- Estado hiperosmolar hiperglicêmico misto
- Acidose láctica tipo B
- Cetoacidose alcoólica sobreposta