Choque hemorrágico classe III por lesão arterial de membro inferior — Caso Estudante
Apresentação Clínica
Paciente masculino, 45 anos, hígido, chega ao PS após acidente de trabalho com ferimento corto-contuso em coxa esquerda por serra elétrica. Sangramento ativo pulsátil controlado parcialmente com curativo compressivo. Palidez, sudorese fria. PA 80x50, FC 140, FR 26, SpO2 96%, T 35.8°C, Glasgow 14. Hb estimada 8 g/dL. Pulso pedioso esquerdo fraco.
Síntese do Caso
Paciente masculino, 45 anos, vítima de trauma penetrante em coxa esquerda por serra elétrica, apresentando sangramento arterial ativo (pulsátil) e sinais francos de choque hipovolêmico grave (PA 80x50, FC 140, alteração do sensório com Glasgow 14, palidez, sudorese) e comprometimento de perfusão distal (pulso pedioso fraco).
Hipótese Diagnóstica Principal
Choque Hemorrágico (Classe III/IV do ATLS) por Lesão Arterial Periférica (Artéria Femoral) — Confiança: 99%
Diagnósticos Diferenciais
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Fratura de Fêmur Exposta | 60% | Mecanismo de trauma (serra elétrica tem alta energia para lesão óssea). | O sangramento pulsátil aponta primariamente para lesão vascular isolada ou associada. |
| 2 | Lesão Venosa Profunda | 40% | Sangramento volumoso em trauma de coxa. | Sangramento descrito como "pulsátil", o que é característico de leito arterial. |
| 3 | Síndrome Compartimental | 10% | Trauma em extremidade. | Fase aguda de exsanguinação; a síndrome compartimental costuma ser uma complicação tardia ou pós-reperfusão. |
Não Esqueça: A presença de lesão vascular não exclui lesão óssea (fratura) ou nervosa grave associada. A avaliação ortopédica e neurológica periférica será mandatória após o controle do dano à vida.
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos
Exames Complementares (por ordem de prioridade)
Imediatos (beira-leito):
Laboratoriais:
Imagem:
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Conduta Terapêutica
[Ver Protocolo: ATLS - Atendimento Inicial ao Trauma](protocol:atls-protocols)
Medidas Imediatas (Tempo 0) - Abordagem <C>ABCDE
Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| Ácido Tranexâmico (Transamin®) | 1g | IV | Diluir em 100mL SF 0,9% | Infundir em 10 min | Fazer nas primeiras 3h do trauma. Seguir com 1g em infusão contínua por 8h. |
| Hemoderivados (PTM) | 1:1:1 | IV | Aquecedor de fluidos | Imediato | 1 CH : 1 PFC : 1 Plaquetas. Se tipagem não disponível, usar Sangue O Negativo. |
| Cloreto de Cálcio 10% | 1g (1 ampola) | IV | Lento (em acesso calibroso) | 5-10 min | Fazer a cada 4 bolsas de sangue transfundidas para evitar hipocalcemia induzida pelo citrato. |
| Cetamina (Ketamin®) | 0,5 a 1 mg/kg | IV | Direto | Bolus lento | Analgesia de escolha por preservar drive simpático (evitar Fentanil/Morfina pela hipotensão). |
| Cefazolina + Gentamicina | 2g + 5mg/kg | IV | Diluir em 100mL SF 0,9% | 30 min | Profilaxia para fratura/ferida exposta contaminada (serra elétrica). |
| Vacina Antitetânica | 0,5 mL | IM | Direto (Deltóide) | Dose única | Atualizar profilaxia (ferimento sujo/contaminado). |
Estratégia Definitiva
Avaliação de Resposta
Alertas Críticos
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Disposição e Acompanhamento
*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM - ATLS 11ª Ed. / ACS COT) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Choque hemorrágico classe III por lesão arterial de membro inferior
- Lesão de artéria femoral
- Lesão venosa isolada
- Choque neurogênico associado