Choque hemorrágico classe IV por fratura instável de pelve (indicação de angioembolização ou packing pré-peritoneal) — Caso Residente
Apresentação Clínica
Homem de 43 anos, atropelamento por veículo, politrauma. Fratura instável do anel pélvico (APC tipo III) com diástase da sínfise púbica >2.5cm e fratura sacroilíaca bilateral. Sangramento volumoso. FAST discretamente positivo. Hb 7.0 (queda de 12 para 7 em 1 hora), lactato 6.0, INR 1.5, fibrinogênio 120. Já recebeu 2 concentrados de hemácias e 1L de cristaloide. PA 75/40, FC 150, FR 30, T 35.5°C, Glasgow 14. Cinta pélvica aplicada com melhora discreta.
Síntese do Caso
Paciente masculino, 43 anos, vítima de trauma contuso de alta energia (atropelamento), apresentando choque hemorrágico Classe IV e sinais claros da Tríade Letal (hipotermia 35.5°C, coagulopatia com INR 1.5/Fibrinogênio 120, e acidose inferida pelo lactato 6.0). O foco primário do sangramento é uma fratura pélvica instável (APC tipo III), com resposta hemodinâmica refratária à ressuscitação inicial e aplicação de cinta pélvica.
Hipótese Diagnóstica Principal
Choque Hemorrágico Grau IV + Coagulopatia Induzida pelo Trauma secundários a Fratura Pélvica Instável (APC III) — Confiança: 99%
Diagnósticos Diferenciais
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Hemorragia Intra-abdominal | 60% | FAST discretamente positivo, trauma de alta energia. | O volume principal de perda parece ser retroperitoneal (pelve). |
| 2 | Choque Obstrutivo (Pneumotórax/Tamponamento) | 20% | Taquicardia extrema, hipotensão, taquipneia. | Ausência de relato de turgência jugular; FAST (se janela cardíaca normal) afasta tamponamento. |
| 3 | Choque Neurogênico | 5% | Trauma de alta energia (risco de TRM). | Taquicardia extrema (choque neurogênico cursa com bradicardia ou FC normal). |
Não Esqueça: Hemorragia Arterial Ativa vs. Venosa. Embora 80% dos sangramentos pélvicos sejam venosos/ósseos, a instabilidade hemodinâmica refratária em APC III sugere fortemente lesão arterial associada (artéria pudenda interna, glútea superior ou obturatória).
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos
Exames Complementares (por ordem de prioridade)
Imediatos (beira-leito):
Imagem:
Conduta Terapêutica
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| Ácido Tranexâmico (Transamin®) | 1g | IV | Diluir em 100mL SF 0,9% | Correr em 10 min | 1ª dose. Fazer em até 3h do trauma. Seguir com 1g em 8h.* |
| Fibrinogênio (Concentrado ou Crioprecipitado) | 3 a 4g (Conc.) ou 10 U (Crio) | IV | Conforme fabricante | Infusão rápida | Alvo: Fibrinogênio > 150-200 mg/dL. |
| Gluconato de Cálcio 10% | 1 ampola (10mL) | IV | Direto ou em 50mL SF 0,9% | Correr em 5 min | Fazer a cada 3-4 bolsas de sangue para evitar toxicidade pelo citrato. |
*\*Nota: Alguns protocolos institucionais recentes adotam 2g IV em bolus único (estudo PATCH-Trauma), mas a diretriz clássica do CRASH-2 (1g + 1g) segue como padrão no ATLS.*
Estratégia Definitiva
O paciente está *in extremis* e refratário. Necessita de controle mecânico de danos imediato.
1. REBOA (Resuscitative Endovascular Balloon Occlusion of the Aorta):
2. Empacotamento Pélvico Pré-peritoneal (PPP):
3. Angioembolização Pélvica:
Avaliação de Resposta
Alertas Críticos
Disposição e Acompanhamento
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*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM), protocolos do ATLS 11ª Ed. e diretrizes de Transfusão Maciça, e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Choque hemorrágico classe IV por fratura instável de pelve (indicação de angioembolização ou packing pré-peritoneal)
- Hemorragia intra-abdominal associada
- Lesão vascular ilíaca
- Retroperitônio com sangramento venoso sacral