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Choque hemorrágico classe IV por fratura instável de pelve (indicação de angioembolização ou packing pré-peritoneal) — Caso Residente

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Apresentação Clínica

Homem de 43 anos, atropelamento por veículo, politrauma. Fratura instável do anel pélvico (APC tipo III) com diástase da sínfise púbica >2.5cm e fratura sacroilíaca bilateral. Sangramento volumoso. FAST discretamente positivo. Hb 7.0 (queda de 12 para 7 em 1 hora), lactato 6.0, INR 1.5, fibrinogênio 120. Já recebeu 2 concentrados de hemácias e 1L de cristaloide. PA 75/40, FC 150, FR 30, T 35.5°C, Glasgow 14. Cinta pélvica aplicada com melhora discreta.

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
07/04/2026 Disclaimer

Síntese do Caso

Paciente masculino, 43 anos, vítima de trauma contuso de alta energia (atropelamento), apresentando choque hemorrágico Classe IV e sinais claros da Tríade Letal (hipotermia 35.5°C, coagulopatia com INR 1.5/Fibrinogênio 120, e acidose inferida pelo lactato 6.0). O foco primário do sangramento é uma fratura pélvica instável (APC tipo III), com resposta hemodinâmica refratária à ressuscitação inicial e aplicação de cinta pélvica.

Hipótese Diagnóstica Principal

Choque Hemorrágico Grau IV + Coagulopatia Induzida pelo Trauma secundários a Fratura Pélvica Instável (APC III) — Confiança: 99%

  • Justificativa: Perda volêmica estimada > 40% (FC 150, PA 75/40, confusão mental leve/Glasgow 14). A fratura APC III (lesão em "livro aberto" grave) rompe o plexo venoso pré-sacral e frequentemente ramos arteriais (ex: artéria ilíaca interna), causando hemorragia retroperitoneal maciça. A queda abrupta da Hb e o alargamento do INR confirmam o esgotamento de fatores.
  • Correlação: [Ver Protocolo: ATLS](protocol:atls-protocols) (10ª/11ª Edição) - Manejo do Choque e Trauma Pélvico.
  • Diagnósticos Diferenciais

    #DiagnósticoConfiançaAchados que FavorecemAchados que Afastam
    1Hemorragia Intra-abdominal60%FAST discretamente positivo, trauma de alta energia.O volume principal de perda parece ser retroperitoneal (pelve).
    2Choque Obstrutivo (Pneumotórax/Tamponamento)20%Taquicardia extrema, hipotensão, taquipneia.Ausência de relato de turgência jugular; FAST (se janela cardíaca normal) afasta tamponamento.
    3Choque Neurogênico5%Trauma de alta energia (risco de TRM).Taquicardia extrema (choque neurogênico cursa com bradicardia ou FC normal).
    Não Esqueça: Hemorragia Arterial Ativa vs. Venosa. Embora 80% dos sangramentos pélvicos sejam venosos/ósseos, a instabilidade hemodinâmica refratária em APC III sugere fortemente lesão arterial associada (artéria pudenda interna, glútea superior ou obturatória).

    Confirmação Diagnóstica

    Critérios Clínicos

  • Score ABC (Assessment of Blood Consumption): Positivo (FC > 120, PA sistólica < 90, FAST positivo, trauma penetrante não aplicável). Score 3/4 = Indicação absoluta de Protocolo de Transfusão Maciça (PTM).
  • Exames Complementares (por ordem de prioridade)

    Imediatos (beira-leito):

  • Gasometria Arterial com Eletrólitos: Avaliar Base Excess (BE), pH e Cálcio Iônico (iCa2+).
  • Tromboelastografia (TEG) ou ROTEM: Padrão-ouro para guiar a reposição de hemocomponentes na coagulopatia do trauma (se disponível).
  • eFAST: Repetir para avaliar progressão do líquido livre abdominal e descartar pneumotórax.
  • Imagem:

  • Radiografia de Tórax AP: Na sala de trauma.
  • ⚠️ NÃO ENVIAR À TOMOGRAFIA: Paciente instável (PA 75/40). A TC ("túnel da morte") está contraindicada até estabilização ou controle de danos.
  • Conduta Terapêutica

    Medidas Imediatas (Tempo 0)

  • Acionar Protocolo de Transfusão Maciça (PTM): Proporção 1:1:1 (Concentrado de Hemácias : Plasma Fresco Congelado : Plaquetas).
  • Suspender Cristaloides: O paciente já recebeu 1L. Mais cristaloides piorarão a coagulopatia por diluição e a hipotermia.
  • Hipotensão Permissiva: Alvo de PAS 80-90 mmHg ou PAM 65 mmHg (evita "estourar" coágulos recém-formados).
  • Revisão da Cinta Pélvica: Garantir que está posicionada sobre os trocânteres maiores dos fêmures, e NÃO sobre as cristas ilíacas.
  • Controle Térmico Agressivo: Manta térmica (Bair Hugger), infusor rápido com aquecedor de fluidos (ex: Belmont/Level 1), ambiente aquecido.
  • Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)

    MedicaçãoDoseViaPreparo/DiluiçãoTempoObservação
    Ácido Tranexâmico (Transamin®)1gIVDiluir em 100mL SF 0,9%Correr em 10 min1ª dose. Fazer em até 3h do trauma. Seguir com 1g em 8h.*
    Fibrinogênio (Concentrado ou Crioprecipitado)3 a 4g (Conc.) ou 10 U (Crio)IVConforme fabricanteInfusão rápidaAlvo: Fibrinogênio > 150-200 mg/dL.
    Gluconato de Cálcio 10%1 ampola (10mL)IVDireto ou em 50mL SF 0,9%Correr em 5 minFazer a cada 3-4 bolsas de sangue para evitar toxicidade pelo citrato.

    *\*Nota: Alguns protocolos institucionais recentes adotam 2g IV em bolus único (estudo PATCH-Trauma), mas a diretriz clássica do CRASH-2 (1g + 1g) segue como padrão no ATLS.*

    Estratégia Definitiva

    O paciente está *in extremis* e refratário. Necessita de controle mecânico de danos imediato.

    1. REBOA (Resuscitative Endovascular Balloon Occlusion of the Aorta):

  • Indicação: Ponte para cirurgia/angiografia em choque hemorrágico subdiafragmático.
  • Posição: Zona 3 (bifurcação aórtica) para trauma pélvico isolado. Se o FAST positivar fortemente (sugerindo sangramento abdominal associado), insuflar na Zona 1 (aorta torácica descendente).
  • 2. Empacotamento Pélvico Pré-peritoneal (PPP):

  • Indicação: Instabilidade hemodinâmica persistente apesar da cinta pélvica e PTM. Realizado no Centro Cirúrgico.
  • Pode ser associado à fixação externa da pelve (ortopedia).
  • 3. Angioembolização Pélvica:

  • Indicação: Sangramento arterial demonstrado ou suspeito.
  • Contraindicação relativa: Paciente excessivamente instável para a sala de hemodinâmica (o PPP é mais rápido e pode ser feito simultaneamente à laparotomia, se necessária).
  • Avaliação de Resposta

  • Critérios de Sucesso: PAM > 65 mmHg, clareamento do lactato, reversão do déficit de bases (BE tendendo a zero), diurese > 0.5 mL/kg/h, temperatura > 36°C.
  • Sinais de Falha: Necessidade contínua de transfusão sem melhora da PAM, acidose refratária (pH < 7.1).
  • Escalonamento: Se o paciente for à laparotomia/empacotamento e mantiver choque vasoplégico pós-reanimação volêmica adequada, considerar Noradrenalina em baixas doses para manter tônus vascular, mas *nunca* como substituto de volume.
  • Alertas Críticos

  • ⚠️ ALERTA DE TRÍADE LETAL: O paciente já apresenta hipotermia e coagulopatia. Se a temperatura cair < 35°C, a cascata de coagulação cessa completamente, tornando qualquer cirurgia fútil sem reaquecimento simultâneo.
  • ⚠️ ALERTA DE CÁLCIO: A hipocalcemia induzida pela transfusão maciça (citrato) deprime o inotropismo cardíaco e agrava o choque. Monitore o iCa2+ rigorosamente.
  • Disposição e Acompanhamento

  • Destino: Centro Cirúrgico Imediato (para Empacotamento Pélvico / Fixação Externa) ou Sala de Hemodinâmica (se protocolo institucional priorizar angioembolização e equipe estiver pronta na porta).
  • Especialistas: Acionar simultaneamente Cirurgia do Trauma, Ortopedia e Radiologia Intervencionista.
  • Pós-operatório: UTI Trauma para reanimação contínua, correção da coagulopatia e reaquecimento.
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    *⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM), protocolos do ATLS 11ª Ed. e diretrizes de Transfusão Maciça, e não substitui o julgamento clínico presencial.*

    Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

    Choque hemorrágico classe IV por fratura instável de pelve (indicação de angioembolização ou packing pré-peritoneal)

    Diferenciais esperados:
    • Hemorragia intra-abdominal associada
    • Lesão vascular ilíaca
    • Retroperitônio com sangramento venoso sacral

    Avalie a Resposta do Assistente

    Acuracia Clinica
    Completude dos Diferenciais
    Adequacao Terapeutica
    Seguranca
    Qualidade do Function Calling
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    Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: