Colangite esclerosante primária — Caso Especialista
Apresentação Clínica
Homem de 45 anos, retocolite ulcerativa há 10 anos, colangite de repetição, prurido progressivo e icterícia flutuante. FA 850 U/L, GGT 620, bilirrubina total 5.5. p-ANCA positivo. ColangioRM mostra múltiplas estenoses curtas alternadas com dilatações segmentares das vias biliares intra e extra-hepáticas, conferindo aspecto em colar de contas (beaded appearance). Vesícula biliar normal. Sem massa dominante. Fígado com sinais de fibrose periportal. PA 120/75, FC 78.
Síntese do Caso
Homem de 45 anos, portador de Retocolite Ulcerativa (RCU), apresentando síndrome colestática clínico-laboratorial (icterícia, prurido, FA e GGT muito elevadas) e achado radiológico patognomônico de estenoses e dilatações multifocais ("colar de contas") em vias biliares intra e extra-hepáticas. Hemodinamicamente estável no momento.
Hipótese Diagnóstica Principal
Colangite Esclerosante Primária (CEP) — Confiança: 99%
Diagnósticos Diferenciais
Ordenados do mais letal/urgente ao menos grave:
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Colangiocarcinoma (CCA) | 15% | Icterícia flutuante, colangite de repetição, CEP de base (fator de risco altíssimo). | ColangioRM sem massa dominante ou estenose focal abrupta. |
| 2 | Colangiopatia por IgG4 | 10% | Padrão colestático, estenoses biliares. | Associação com RCU é típica da CEP; IgG4 costuma ter boa resposta a corticoide. |
| 3 | Colangite Biliar Primária (CBP) | 5% | Prurido, colestase, fibrose periportal. | Epidemiologia (comum em mulheres), acomete apenas vias intra-hepáticas, AMA costuma ser positivo. |
Não Esqueça: Pacientes com sobreposição de RCU e CEP possuem um risco exponencialmente maior de Câncer Colorretal (CCR) do que pacientes apenas com RCU. O rastreio endoscópico anual é obrigatório a partir do diagnóstico da CEP.
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos
O diagnóstico de CEP já está estabelecido pelos achados da ColangioRM em contexto clínico compatível, conforme diretrizes da AASLD/EASL. A biópsia hepática é desnecessária neste cenário (reservada apenas para suspeita de CEP de pequenos ductos com ColangioRM normal ou síndrome de sobreposição com hepatite autoimune).
Exames Complementares (por ordem de prioridade)
Laboratoriais:
Endoscopia/Imagem:
Conduta Terapêutica
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Primeiros Dias/Ambulatorial)
O foco inicial é o controle sintomático (prurido) e a tentativa de melhora bioquímica.
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| Ácido Ursodesoxicólico (UDCA) (Ursacol®) | 13 a 15 mg/kg/dia | VO | Dividido em 2 a 3 tomadas | Contínuo | *Off-label* para CEP. Melhora exames hepáticos, mas sem benefício comprovado em sobrevida. |
| Colestiramina (Questran®) | 4g 1 a 2x/dia | VO | Diluir em água/suco | Contínuo | 1ª linha para prurido. Dar 2h antes ou 4h após outras medicações (interfere na absorção). |
| Rifampicina (Rifaldin®) | 150 a 300mg 2x/dia | VO | Cápsula | Contínuo | 2ª linha para prurido refratário. Requer monitorização de hepatotoxicidade. |
| Naltrexona (Revia®) | 50mg 1x/dia | VO | Comprimido | Contínuo | 3ª linha para prurido. Iniciar com 12,5mg e titular. |
Estratégia Definitiva
Avaliação de Resposta
Alertas Críticos
Disposição e Acompanhamento
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*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM - AASLD/EASL Guidelines for PSC) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Colangite esclerosante primária
- Colangiocarcinoma hilar (Klatskin)
- Colangite relacionada a IgG4
- Colangiopatia isquêmica