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Colecistite aguda litiásica (Tóquio II — moderada) — Caso Estudante

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Apresentação Clínica

Mulher de 55 anos, IMC 35, multípara, dor tipo cólica em HCD pós-prandial há 6 meses com piora intensa nas últimas 12 horas. Murphy positivo. Icterícia leve (BT 3.2, BD 2.5). USG: vesícula distendida com paredes espessadas (6mm), cálculo impactado no infundíbulo de 1.5cm, sombra acústica posterior. Colédoco de 8mm. Leucócitos 13.000. PA 140/90, FC 98, FR 18, T 38.5°C.

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
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07/04/2026 Disclaimer

Síntese do Caso

Mulher de 55 anos, obesa (IMC 35), multípara, apresentando dor em hipocôndrio direito (HCD) com piora aguda, febre (38.5°C), icterícia de padrão obstrutivo (BD > BI) e leucocitose. USG confirma colecistite aguda calculosa (parede 6mm, cálculo impactado) e sugere obstrução de via biliar principal (colédoco dilatado a 8mm). O quadro configura a Tríade de Charcot (dor em HCD, febre e icterícia).

Hipótese Diagnóstica Principal

Colecistite Aguda Calculosa associada à Coledocolitíase e Colangite Aguda — Confiança: 95%

  • Justificativa: A paciente preenche critérios definitivos para Colecistite Aguda pelos *Tokyo Guidelines 2018 (TG18)*: sinais locais (Sinal de Murphy, dor em HCD), sinais sistêmicos (febre, leucocitose) e achados de imagem (parede espessada > 3mm, cálculo impactado). A presença concomitante de icterícia (BD 2.5) e dilatação do colédoco (8mm) indica passagem de cálculo para a via biliar principal (coledocolitíase), culminando em infecção ascendente (Colangite Aguda), evidenciada pela Tríade de Charcot.
  • Score Clínico (TG18 para Colecistite): Grau II (Moderada) — devido à leucocitose > 10.000 e provável massa/inflamação local acentuada.
  • Score Clínico (TG18 para Colangite): Grau II (Moderada) — febre, icterícia e dor, sem disfunção orgânica no momento.
  • Diagnósticos Diferenciais

    Ordenados do mais letal/urgente ao menos grave:

    #DiagnósticoConfiançaAchados que FavorecemAchados que Afastam
    1Pancreatite Aguda Biliar40%Cálculo biliar, dor em andar superior, icterícia.Dor descrita como cólica em HCD (e não em faixa), ausência de vômitos incoercíveis relatados. Necessita de Lipase para descartar.
    2Síndrome de Mirizzi30%Cálculo impactado no infundíbulo (1.5cm), icterícia obstrutiva, colédoco dilatado.A dilatação do colédoco (8mm) geralmente afasta Mirizzi tipo I (onde o colédoco estaria normal abaixo da compressão), sugerindo coledocolitíase verdadeira.
    3Úlcera Péptica Perfurada10%Dor abdominal aguda, leucocitose.Ausência de abdome em tábua, USG já definiu o foco biliar, icterícia não é típica.
    Não Esqueça: A sobreposição de Colangite Aguda é a principal causa de mortalidade a curto prazo neste cenário. A descompressão da via biliar é tempo-dependente.

    Confirmação Diagnóstica

    Critérios Clínicos

  • Tokyo Guidelines 2018 (TG18): Preenche critérios A (Inflamação sistêmica), B (Colestase) e C (Imagem) para Colangite Aguda.
  • Exames Complementares (por ordem de prioridade)

    Imediatos (beira-leito):

  • Glicemia capilar, ECG (avaliação pré-operatória básica).
  • Laboratoriais (Pedido Gerado via Sistema TUSS):

  • Transaminases (AST/ALT), Fosfatase Alcalina e Gama-GT: Para confirmar e quantificar o padrão colestático e lesão hepatocelular secundária.
  • Lipase: Mandatório para descartar pancreatite aguda biliar associada.
  • Proteína C Reativa (PCR): Marcador inflamatório para estadiamento de gravidade (TG18).
  • Coagulograma (TAP/RNI, TTPA): Avaliação de risco de sangramento pré-operatório (colestase pode causar deficiência de Vitamina K).
  • Hemocultura (2 amostras): Coletar *antes* do início da antibioticoterapia devido ao pico febril (38.5°C).
  • Imagem:

  • Colangiorressonância Magnética (ColangioRM): Padrão-ouro não invasivo para confirmar a coledocolitíase antes da abordagem cirúrgica/endoscópica.
  • ---

    Conduta Terapêutica

    Medidas Imediatas (Tempo 0)

  • Dieta: Jejum absoluto (NPO) imediato visando procedimento endoscópico/cirúrgico.
  • Acesso e Hidratação: Acesso venoso periférico calibroso. Iniciar Ringer Lactato 500mL a 1000mL em 1 hora, seguido de manutenção, ajustando conforme débito urinário.
  • Monitorização: Sinais vitais contínuos (risco de choque séptico por colangite).
  • Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)

    MedicaçãoDoseViaPreparo/DiluiçãoTempoObservação
    1. Dipirona (Novalgina®)1g (2mL)IVDiluir em 10mL AD ou SF 0,9%Lento (3-5 min)Analgesia de 1ª linha e antitérmico. 6/6h.
    2. Escopolamina (Buscopan®)20mg (1mL)IVDiluir em 10mL AD ou SF 0,9%Lento (3-5 min)Antiespasmódico. Pode associar à Dipirona. 8/8h.
    3. Tramadol (Tramal®)50-100mgIVDiluir em 100mL SF 0,9%Infusão em 20 minResgate se dor refratária. Associar antiemético.
    4. Ondansetrona (Vonau®, Zofran®)4-8mgIVSem diluição (direto)Lento (2 min)Profilaxia de náuseas (especialmente se usar Tramadol).
    5. Ceftriaxona (Rocefin®)2gIVDiluir em 100mL SF 0,9%Infusão em 30 minAntibioticoterapia empírica (TG18). Dose única diária.
    6. Metronidazol (Flagyl®)500mgIVBolsa pronta (100mL)Infusão em 30-60 minCobertura para anaeróbios. 8/8h.

    *Nota sobre Antibióticos:* A associação de Ceftriaxona + Metronidazol é a 1ª linha recomendada pelos *Tokyo Guidelines 2018* para infecção biliar comunitária de gravidade moderada (Grau II). Alternativa de 2ª linha: Piperacilina-Tazobactam (Tazocin®) 4.5g IV 8/8h (se infecção hospitalar ou uso prévio de ATB).

    Estratégia Definitiva

    A paciente possui indicação de abordagem combinada (Endoscópica + Cirúrgica):

    1. CPRE (Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica):

  • Indicação: Alta probabilidade de coledocolitíase (icterícia + colédoco dilatado + colangite).
  • Objetivo: Papilotomia e extração do cálculo do colédoco, drenagem da via biliar.
  • 2. Colecistectomia Videolaparoscópica (CVL):

  • Indicação: Tratamento definitivo da colecistite aguda.
  • Janela Terapêutica: Idealmente na mesma internação, logo após a resolução da coledocolitíase pela CPRE (ou em "rendez-vous" intraoperatório, dependendo da expertise local).
  • Contraindicações à CVL imediata: Instabilidade hemodinâmica franca (choque séptico), onde a drenagem percutânea (colecistostomia) seria a ponte. (Não é o caso atual).
  • Avaliação de Resposta

  • Critérios de sucesso: Resolução da febre em 24-48h, queda progressiva da bilirrubina e leucocitose, melhora da dor.
  • Sinais de falha/piora: Hipotensão, alteração do nível de consciência (sinais de sepse grave/choque), sugerindo falha do tratamento clínico e necessidade de descompressão biliar de urgência (< 24h).
  • Tempo de reavaliação: Sinais vitais a cada 4 horas. Curva laboratorial em 24h.
  • Alertas Críticos

  • ⚠️ ALERTA DE TEMPO CRÍTICO: A Colangite Aguda associada pode evoluir rapidamente para sepse biliar grave. O início do antibiótico deve ocorrer na primeira hora após a admissão e coleta de culturas.
  • ⚠️ ALERTA FARMACOLÓGICO: Evitar o uso de AINEs (ex: Cetoprofeno, Tenoxicam) neste momento devido ao risco de disfunção renal associada à sepse e potencial necessidade de intervenção cirúrgica iminente (risco de sangramento).
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    Disposição e Acompanhamento

  • Destino: Internação em Enfermaria Cirúrgica (com monitorização rigorosa). Se evoluir com hipotensão ou rebaixamento de sensório, transferir imediatamente para UTI.
  • Especialista: Acionar Cirurgia Geral/Aparelho Digestivo e Gastroenterologia/Endoscopia (para programação da CPRE) na admissão.
  • Reavaliação: Reavaliar exames laboratoriais (Bilirrubinas, PCR, Hemograma) a cada 24 horas para guiar a resposta ao tratamento e o momento ideal da cirurgia.
  • *⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM), especificamente nos Tokyo Guidelines 2018, e não substitui o julgamento clínico presencial.*

    Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

    Colecistite aguda litiásica (Tóquio II — moderada)

    Diferenciais esperados:
    • Coledocolitíase com colangite
    • Pancreatite aguda biliar
    • Úlcera gástrica perfurada

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    Acuracia Clinica
    Completude dos Diferenciais
    Adequacao Terapeutica
    Seguranca
    Qualidade do Function Calling
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    Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: