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Colestase intra-hepática da gestação grave (ácidos biliares > 40 mcmol/L) — Caso Especialista

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Apresentação Clínica

Gestante 33 anos, G2P1A0, IG 29 semanas, história de colestase intra-hepática na gestação anterior com resolução pós-parto. Apresenta prurido palmoplantar intenso há 2 semanas, predominantemente noturno, sem lesões cutâneas primárias. Labs: ácidos biliares totais 98 mcmol/L (VR < 10), TGO 65 U/L, TGP 78 U/L, bilirrubinas normais, GGT normal. TP e plaquetas normais. BCF 142bpm. CTG categoria I. Solicita ácido ursodesoxicólico dose, monitorização fetal intensiva e timing de resolução considerando ácidos biliares > 40 mcmol/L como risco de morte fetal súbita.

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
07/04/2026 Disclaimer

Síntese do Caso

Gestante de 33 anos, IG 29 semanas, com quadro clínico e laboratorial clássico de Colestase Intra-hepática da Gestação (CIG) Grave (Ácidos biliares totais = 98 mcmol/L, prurido palmoplantar noturno, transaminases levemente tocadas). Feto atualmente hígido (CTG Cat I). O nível de ácidos biliares encontra-se no limite superior de gravidade (próximo ao limiar crítico de 100 mcmol/L), o que eleva substancialmente o risco de óbito fetal súbito, exigindo intervenção farmacológica imediata e planejamento rigoroso do parto.

Abaixo, a conduta terapêutica e obstétrica baseada nas diretrizes da SMFM (Society for Maternal-Fetal Medicine - Consult Series #53) e ACOG (Practice Bulletin #212).

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Medidas Imediatas (Tempo 0)

  • Aconselhamento Materno: Explicar que o objetivo do tratamento farmacológico é alívio sintomático e melhora laboratorial, mas a "cura" e a prevenção definitiva do óbito fetal só ocorrem com o parto.
  • Avaliação de Base: Coagulograma normal (já checado). Se houvesse alteração de TP/RNI por má absorção de vitamina K (esteatorreia), estaria indicada reposição.
  • Monitorização Fetal Inicial: CTG Categoria I já garante bem-estar no momento (Tempo 0).
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    Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)

    A terapia farmacológica deve ser iniciada imediatamente. O Ácido Ursodesoxicólico (UDCA) é a 1ª linha para melhora do prurido e redução dos níveis séricos de ácidos biliares e transaminases.

    MedicaçãoDose e PosologiaViaApresentaçãoObservação
    1ª Linha: Ácido Ursodesoxicólico (Ursacol®)300 mg 8/8h ou 500 mg 12/12h (Dose alvo: 10-15 mg/kg/dia)VOComp 50mg, 150mg, 300mgTitular até máx de 21 mg/kg/dia (aprox. 2.000 mg/dia) se refratário.
    Sintomático: Dexclorfeniramina (Polaramine®)2 a 6 mg 8/8h ou 12/12hVOComp 2mg, 6mg (Repetabs)Uso noturno preferencial para sedação leve e alívio do prurido.
    Sintomático (Alt): Hidroxizina (Hixizine®)25 a 50 mg ao deitarVOComp 25mg2ª linha para prurido noturno refratário.

    *Nota Farmacológica (UDCA):*

  • Mecanismo: Aumenta a excreção biliar, reduz a absorção intestinal de ácidos biliares tóxicos e protege a membrana do hepatócito.
  • Contraindicações: Obstrução biliar completa, hepatite aguda severa não colestática.
  • Efeitos Adversos: Diarreia leve (mais comum), náuseas.
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    Estratégia Definitiva: Monitorização e Timing do Parto

    A CIG grave carrega risco de óbito fetal súbito (arritmia fetal induzida por ácidos biliares ou vasoespasmo placentário), que *não* é previsível de forma confiável pela monitorização fetal padrão. O tratamento definitivo é a interrupção da gestação.

    1. Monitorização Fetal Intensiva (Da 29ª semana até o parto):

  • Frequência: 1 a 2 vezes por semana.
  • Modalidade: Cardiotocografia (CTG) basal + Avaliação do Volume de Líquido Amniótico (ILA/MBS) OU Perfil Biofísico Fetal (PBF) completo.
  • *Ressalva EBM:* A SMFM alerta que a monitorização antenatal não previne o óbito fetal na CIG, pois o evento costuma ser agudo. Contudo, é o padrão de cuidado (Standard of Care) para identificar hipóxia crônica associada.
  • 2. Timing de Resolução (Parto):

    Considerando os ácidos biliares de 98 mcmol/L (limiar de altíssimo risco é $\ge$ 100 mcmol/L):

  • Alvo Primário: 36 semanas e 0 dias (36 0/7).
  • Justificativa (SMFM/ACOG): Para ácidos biliares $\ge$ 100 mcmol/L, o parto é recomendado em 36 0/7 semanas. Como a paciente está em 98 mcmol/L no início do terceiro trimestre (29 semanas), ela deve ser tratada como o estrato de maior risco.
  • Via de Parto: Indução do parto vaginal é apropriada. Cesariana apenas por indicações obstétricas habituais.
  • 3. Corticoterapia Antenatal:

  • Betametasona (Celestone Soluspan®) 12mg IM 24/24h (2 doses):
  • Quando indicar: Administrar um curso de resgate se houver decisão de interrupção antes de 36 5/7 semanas (ex: se for necessário interromper com 34-35 semanas por piora clínica) ou se houver sinais de trabalho de parto prematuro agora. *Não* fazer profilaticamente às 29 semanas se a paciente estiver estável e sem programação de parto para os próximos 7 dias.
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    Avaliação de Resposta e Critérios de Escalonamento

  • Reavaliação Laboratorial: Repetir Ácidos Biliares Totais, TGO, TGP e Bilirrubinas a cada 1 a 2 semanas.
  • Critérios de Sucesso: Redução do prurido em 1-2 semanas de uso do UDCA; estabilização ou queda dos ácidos biliares.
  • Critérios para Antecipação do Parto (Antes de 36 semanas):
  • 1. Prurido materno excruciante e refratário à terapia máxima (impacto severo na qualidade de vida/sono).

    2. Piora progressiva da função hepática (elevação de bilirrubinas, alteração de coagulograma).

    3. Ácidos biliares ultrapassando consistentemente 100 mcmol/L a despeito do tratamento (pode-se considerar parto entre 34 0/7 e 35 6/7 semanas neste cenário extremo, após corticoterapia).

    4. Alteração na vitalidade fetal (CTG Categoria II persistente ou III, PBF alterado).

    Alertas Críticos

  • ⚠️ ALERTA DE RISCO FETAL: O risco de óbito fetal aumenta exponencialmente após 37 semanas e com ácidos biliares > 100 mcmol/L. Não ultrapassar 36 0/7 semanas se os níveis se mantiverem nesta faixa (98 mcmol/L).
  • ⚠️ ALERTA DE TEMPO DE AÇÃO (UDCA): O Ácido Ursodesoxicólico pode demorar de 1 a 2 semanas para demonstrar melhora laboratorial máxima. Não suspenda precocemente por "falha" nos primeiros dias.
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    *⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM - SMFM Consult Series #53 / ACOG PB #212) e não substitui o julgamento clínico presencial.*

    Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

    Colestase intra-hepática da gestação grave (ácidos biliares > 40 mcmol/L)

    Diferenciais esperados:
    • Hepatite viral
    • Colelitíase
    • Dermatose gestacional pruriginosa
    • Reação medicamentosa

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    Acuracia Clinica
    Completude dos Diferenciais
    Adequacao Terapeutica
    Seguranca
    Qualidade do Function Calling
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    Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: