Corioamnionite clínica — Caso Residente
Apresentação Clínica
Primigesta 26 anos, IG 39 semanas, em trabalho de parto com bolsa rota há 20 horas. Evoluiu com febre 38,5°C, FC materna 112bpm, FR 20irpm. BCF taquicárdico 175bpm com variabilidade reduzida. Toque: dilatação 6cm, líquido amniótico fétido e turvo. Útero doloroso à palpação entre as contrações. Leucócitos 18.500/mm³ com desvio à esquerda, PCR 12 mg/dL. Paciente em uso de ocitocina para correção de dinâmica. Solicita conduta antibiótica e via de parto.
Síntese do Caso
Primigesta a termo (39 semanas) em trabalho de parto com ruptura prematura de membranas (RPMO) prolongada (>18h), apresentando febre, taquicardia materna, útero doloroso, líquido amniótico fétido e leucocitose com desvio. O feto apresenta sinais de hipóxia (taquicardia e variabilidade reduzida na cardiotocografia).
Hipótese Diagnóstica Principal
Corioamnionite Clínica (Infecção Intra-amniótica) — Confiança: 99%
Diagnósticos Diferenciais
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Descolamento Prematuro da Placenta (DPP) | 10% | Útero doloroso, sofrimento fetal agudo. | Febre, líquido fétido, ausência de sangramento vaginal escuro. |
| 2 | Pielonefrite Aguda | 5% | Febre, leucocitose, taquicardia. | Líquido amniótico fétido, dor uterina difusa (não lombar). |
| 3 | Febre associada à analgesia | 1% | Febre intraparto. | Líquido fétido, leucocitose com desvio à esquerda, útero doloroso. |
Não Esqueça: Sepse Materna. A corioamnionite pode evoluir rapidamente para choque séptico. Monitore rigorosamente os sinais de hipoperfusão (lactato, alteração de sensório, hipotensão).
Confirmação Diagnóstica
O diagnóstico de corioamnionite é eminentemente clínico e já está estabelecido. Não se deve atrasar o tratamento aguardando exames.
Exames Complementares (Imediatos)
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Conduta Terapêutica
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Antibioticoterapia)
Iniciar imediatamente após a coleta de culturas. O protocolo padrão-ouro (ACOG/MS) exige cobertura para Gram-positivos, Gram-negativos e anaeróbios.
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| Ampicilina | 2 g | IV | Diluir em 100 mL SF 0,9% | Correr em 30 min | Repetir 2g a cada 6 horas. |
| Gentamicina | 5 mg/kg | IV | Diluir em 100 mL SF 0,9% | Correr em 30-60 min | Dose única diária (preferencial) ou 1,5 mg/kg 8/8h. |
| Clindamicina | 900 mg | IV | Diluir em 100 mL SF 0,9% | Correr em 30 min | ADICIONAR APENAS SE CESARIANA (cobertura anaeróbia). Alternativa: Metronidazol 500mg IV. |
Estratégia Definitiva: Via de Parto
A corioamnionite isolada NÃO é indicação absoluta de cesariana. O parto vaginal é a via de escolha, desde que o feto esteja bem e o parto seja iminente.
No entanto, para este caso específico:
1. A paciente está com 6 cm de dilatação (longe do período expulsivo).
2. O feto apresenta taquicardia com variabilidade reduzida (Status Fetal Não Tranquilizador / Sofrimento Fetal Agudo).
3. Conduta: Avalie a resposta à reanimação intrauterina (Tempo 0) em 15-30 minutos.
Avaliação de Resposta e Disposição
*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM - ACOG 2022 / Ministério da Saúde) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Corioamnionite clínica
- Endometrite
- Infecção urinária complicada
- Sepse puerperal precoce