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Crise adrenal (crise addisoniana) precipitada por doença intercorrente e suspensão de corticoide — Caso Residente

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Apresentação Clínica

Paciente feminina, 45 anos, portadora de doença de Addison em uso de hidrocortisona 20mg/dia e fludrocortisona 0.1mg/dia, apresentou gastroenterite viral há 3 dias com vômitos frequentes (não conseguiu tomar medicação). Chega ao PS em mal estado geral, confusa, desidratada. PA 60x30, FC 130, FR 24, SpO2 95%, T 35.5°C, Glasgow 12. Hiperpigmentação cutânea difusa. Labs: Na+ 118, K+ 6.8, glicose 42, cortisol basal 0.8 mcg/dL, ACTH >300 pg/mL, pH 7.22, HCO3 14, lactato 5.5, eosinófilos 12%.

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
07/04/2026 Disclaimer

Síntese do Caso

Paciente feminina, 45 anos, com Doença de Addison prévia, apresentando quadro de choque distributivo/hipovolêmico grave (PA 60x30, lactato 5.5), rebaixamento do sensório (Glasgow 12), hipoglicemia severa (42 mg/dL), hiponatremia (118 mEq/L) e hipercalemia (6.8 mEq/L). O quadro foi desencadeado por intolerância oral aos glicocorticoides de manutenção devido a uma gastroenterite viral há 3 dias.

Hipótese Diagnóstica Principal

Crise Adrenal (Insuficiência Adrenal Aguda) — Confiança: 100%

  • Justificativa: O quadro clínico é patognomônico. A paciente possui insuficiência adrenal primária conhecida, sofreu um estresse fisiológico (infecção) associado à interrupção abrupta da terapia de reposição (vômitos). Apresenta a tríade clássica laboratorial: hiponatremia, hipercalemia e hipoglicemia, além de choque refratário a volume, hiperpigmentação (excesso de POMC/ACTH) e eosinofilia. O cortisol de 0.8 mcg/dL no estresse agudo confirma o diagnóstico.
  • Diagnósticos Diferenciais

    Ordenados do mais letal/urgente ao menos grave (método Rule Out):

    #DiagnósticoConfiançaAchados que FavorecemAchados que Afastam
    1Choque Séptico (foco TGI)60%Hipotensão grave, lactato 5.5, infecção prévia.Ausência de febre (hipotermia pode ocorrer, mas o quadro endócrino é mais gritante).
    2Choque Hipovolêmico80%Vômitos há 3 dias, desidratação grave, taquicardia.A hipercalemia e hipoglicemia apontam para etiologia endócrina primária.
    3Cetoacidose / EHH5%Rebaixamento do sensório, desidratação, acidose metabólica.Hipoglicemia severa (42 mg/dL) afasta completamente.
    Não Esqueça: A infecção viral inicial pode ter evoluído para translocação bacteriana e Sepse sobreposta. A febre pode estar mascarada pela hipotermia do choque e pela própria insuficiência adrenal.

    Confirmação Diagnóstica

    Critérios Clínicos

  • O diagnóstico de Crise Adrenal é eminentemente clínico e o tratamento empírico NÃO deve ser atrasado para aguardar exames em pacientes instáveis. Neste caso, os exames já confirmam o quadro.
  • Exames Complementares (por ordem de prioridade)

    Imediatos (beira-leito):

  • ECG de 12 derivações IMEDIATO: Mandatório para avaliar sinais de toxicidade pelo Potássio (K+ 6.8) - buscar ondas T apiculadas, achatamento de P, alargamento de QRS.
  • Glicemia capilar: Monitorização seriada (15/15 min após correção inicial).
  • Laboratoriais:

  • Hemograma completo, PCR, Procalcitonina, Hemoculturas (2 amostras), Urocultura (para descartar sepse bacteriana associada).
  • Função renal (Ureia, Creatinina) e Gasometria arterial seriada.
  • Conduta Terapêutica

    Medidas Imediatas (Tempo 0)

  • MOV: Monitorização cardíaca contínua (risco de arritmia fatal pela hipercalemia), oximetria de pulso, PNI a cada 3 minutos.
  • Acesso: 2 acessos venosos periféricos calibrosos (14G ou 16G).
  • Posicionamento: Decúbito dorsal a 0° (Trendelenburg modificado se necessário para retorno venoso).
  • Atenção: O tratamento da hipoglicemia e a reposição de corticoide devem ocorrer simultaneamente à ressuscitação volêmica.
  • Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)

    MedicaçãoDoseViaPreparo/DiluiçãoTempoObservação
    1. Glicose 50%20 a 40 mL (10 a 20g)IVBolus direto (2 a 4 ampolas de 10mL)ImediatoReverter hipoglicemia severa. Lavar o acesso com SF 0,9% após.
    2. Hidrocortisona (Solu-Cortef®)100 mgIVDiluir o pó liofilizado no diluente próprio (2mL)Bolus em 1-2 minSalva-vidas. Não aguardar nenhum outro parâmetro.
    3. Soro Fisiológico 0,9%1000 mLIVPuro (ou associado a Glicose 5% se hipoglicemia refratária)Correr em 1 horaExpansão volêmica inicial.
    4. Gluconato de Cálcio 10%10 mL (1 ampola)IVDiluir em 50-100mL de SG 5%Infundir em 5-10 minAPENAS SE houver alterações eletrocardiográficas pelo K+ 6.8.
    5. Solução Polarizante10 UI Insulina Regular + 50g GlicoseIV10 UI IR + 100mL Glicose 50%Infundir em 20-30 minMedida de translocação para o K+ 6.8.

    Estratégia Definitiva

  • Manutenção do Glicocorticoide: Após o bolus inicial, iniciar Hidrocortisona 50 mg IV a cada 6 horas (ou infusão contínua de 200 mg/24h).
  • *Nota Farmacológica*: Doses de Hidrocortisona ≥ 50 mg/dia exercem efeito mineralocorticoide adequado nos receptores renais. NÃO é necessário administrar Fludrocortisona na fase aguda.
  • Manutenção Volêmica: Continuar hidratação venosa com SF 0,9% (frequentemente necessitam de 2 a 3 litros nas primeiras 12-24h). Transicionar para Soro Glicosado 5% em SF 0,9% se a glicemia estabilizar em níveis limítrofes, para manter aporte de glicose.
  • Tratamento do Fator Desencadeante: Se houver suspeita de infecção bacteriana (sepse), iniciar antibioticoterapia empírica de amplo espectro (ex: Ceftriaxona 2g IV) após coleta de culturas.
  • Avaliação de Resposta

  • Critérios de sucesso: PAM > 65 mmHg, reversão da hipoglicemia (Glicemia > 90 mg/dL), melhora do nível de consciência (Glasgow 15), queda do lactato, normalização do ECG.
  • Sinais de falha/piora: Choque refratário a volume e corticoide.
  • Escalonamento: Se PAM permanecer < 65 mmHg após 2-3 litros de cristaloide + 100mg de Hidrocortisona, iniciar vasopressor (Noradrenalina). *Lembrete: Os receptores alfa-1 adrenérgicos são dependentes de cortisol para funcionarem adequadamente; a resposta à Noradrenalina melhorará drasticamente após a Hidrocortisona.*
  • Alertas Críticos

  • ⚠️ ALERTA DE SÓDIO (Mielinólise Pontina): A paciente apresenta Na+ de 118 mEq/L. A reposição volêmica com SF 0,9% e a Hidrocortisona farão o sódio subir rapidamente. Meta de correção: não exceder 8 mEq/L em 24 horas. Monitore o Na+ a cada 4 horas. Se subir muito rápido, pode ser necessário trocar o fluido para Soro Fisiológico 0,45% ou adicionar Água Livre (via SNG), mas a prioridade inicial absoluta é tirar a paciente do choque.
  • ⚠️ ALERTA DE POTÁSSIO: A hipercalemia na crise adrenal responde rapidamente à expansão volêmica e à reposição de mineralocorticoide (Hidrocortisona em altas doses). Evite resinas de troca (Poliestirenossulfonato de cálcio) nesta fase aguda devido ao risco de necrose intestinal em pacientes chocados.
  • Disposição e Acompanhamento

  • Destino: Internação em UTI OBRIGATÓRIA.
  • Critérios de internação em UTI: Choque distributivo/hipovolêmico, distúrbios hidroeletrolíticos graves (K+ 6.8, Na+ 118), necessidade de monitorização contínua e infusões frequentes.
  • Especialista: Acionar a Endocrinologia para acompanhamento conjunto, mas a conduta inicial é exclusiva do Emergencista/Intensivista.
  • Reavaliação: Eletrólitos (Na+, K+, Ca++, Mg++), gasometria e glicemia a cada 4 horas nas primeiras 24 horas.
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    *⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM), protocolos da Endocrine Society para Insuficiência Adrenal Aguda, e não substitui o julgamento clínico presencial.*

    Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

    Crise adrenal (crise addisoniana) precipitada por doença intercorrente e suspensão de corticoide

    Diferenciais esperados:
    • Choque séptico
    • Choque hipovolêmico por desidratação
    • Hipercalemia por outra causa

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    Acuracia Clinica
    Completude dos Diferenciais
    Adequacao Terapeutica
    Seguranca
    Qualidade do Function Calling
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    Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: