Dermatite de contato irritativa ocupacional — Caso Estudante
Apresentação Clínica
Mulher 35 anos, profissional de limpeza, apresenta eritema, vesículas e descamação pruriginosa em dorso das mãos e espaços interdigitais bilateral há 3 semanas. Piora durante a semana de trabalho e melhora nos finais de semana. Sem uso de luvas de proteção. Lesões com bordas bem delimitadas na área de contato com detergentes e água sanitária. PA 120x75 mmHg, FC 76bpm, T 36,5°C. Sem lesões em outros locais. Patch test solicitado. Solicita manejo e orientação ocupacional.
Síntese do Caso
Mulher, 35 anos, profissional de limpeza, apresentando quadro de eczema agudo/subagudo (eritema, vesículas, descamação e prurido) restrito ao dorso das mãos e espaços interdigitais há 3 semanas. Apresenta padrão cronológico clássico de agravo ocupacional (piora nos dias de trabalho, melhora aos finais de semana) e história de exposição direta a irritantes químicos (detergentes e hipoclorito de sódio) sem EPI adequado. Sinais vitais estáveis e ausência de lesões à distância.
Hipótese Diagnóstica Principal
Dermatite de Contato Ocupacional (Irritativa vs. Alérgica) — Confiança: 95%
Diagnósticos Diferenciais
Ordenados do mais urgente/relevante ao menos provável neste contexto:
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Eczema Disidrótico | 40% | Vesículas pruriginosas nas mãos. | Geralmente acomete palmas e faces laterais dos dedos (lesões em "sagu"). |
| 2 | Tinea Manuum | 20% | Eritema, descamação, prurido. | Geralmente unilateral (síndrome "dois pés e uma mão"), bordas mais ativas. |
| 3 | Dermatite Atópica | 15% | Eczema em mãos. | Ausência de história de atopia, início tardio (35 anos), restrito às mãos. |
| 4 | Psoríase Palmo-plantar | 10% | Placas eritemato-descamativas. | Ausência de lesões em placas espessas, fissuras graves ou *pitting* ungueal. |
Não Esqueça: Infecção secundária (impetiginização por *S. aureus* ou *Streptococcus*). Vesículas rompidas em ambiente de limpeza são portas de entrada. Avaliar presença de crostas melicéricas, calor local ou exsudato purulento.
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos
Exames Complementares
Imediatos (beira-leito):
Específicos:
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Conduta Terapêutica
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)
O tratamento baseia-se na supressão da inflamação aguda e controle do prurido.
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Apresentação | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| 1ª Linha: Corticoide Tópico (Dipropionato de Betametasona 0,05%) | 1 aplicação fina | Tópica | Creme ou Pomada (Diprosone®, Berlison®) | 12/12h por 10-14 dias | Aplicar apenas nas lesões ativas. Pomada é preferível se houver muita descamação/ressecamento. |
| 1ª Linha: Emoliente Reparador (Ceramidas / Glicerina) | *Ad libitum* | Tópica | Creme espesso (Cerave®, Fisiogel®, Cetaphil®) | Múltiplas vezes ao dia | Aplicar sempre após lavar as mãos e após a absorção do corticoide. |
| Sintomático: Anti-histamínico (Desloratadina) | 5 mg | VO | Comprimido 5mg (Desalex®, Esalerg®) | 1x/dia | Para controle do prurido diurno sem sedação. |
| Resgate: Anti-histamínico Sedativo (Hidroxizina) | 25 mg | VO | Comprimido 25mg (Hixizine®) | 1x/noite | Se o prurido estiver causando insônia. |
Estratégia Definitiva e Orientação Ocupacional
1. Luva interna: Luva de algodão (para absorver o suor e evitar maceração/oclusão).
2. Luva externa: Luva de borracha nitrílica ou vinil de cano longo (evitar látex até resultado do *Patch test*, pois é causa comum de DCA).
Avaliação de Resposta
Alertas Críticos
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Disposição e Acompanhamento
*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Dermatite de contato irritativa ocupacional
- Dermatite de contato alérgica
- Dermatite atópica de mãos
- Psoríase palmar
- Tinea manuum