Dissecção aguda de aorta tipo A (DeBakey I ou II) com insuficiência aórtica aguda — Caso Residente
Apresentação Clínica
Paciente masculino, 38 anos, tabagista 20 maços-ano, sem comorbidades, dá entrada no PS com dor torácica retroesternal intensa, de início súbito há 3 horas, tipo rasgante, irradiando para dorso. PA em MSD 180x110, PA em MSE 130x80 (diferença >30 mmHg). FC 100, FR 22, SpO2 96%, Glasgow 15. Sopro diastólico em foco aórtico (novo). D-dímero 8.500. Troponina negativa. Rx tórax com alargamento mediastinal. Solicitando angioTC.
Síntese do Caso
Paciente masculino, 38 anos, tabagista, apresentando quadro clássico de dor torácica "rasgante" com irradiação para dorso, associada a assimetria pressórica grave (>30 mmHg), sopro diastólico aórtico novo, D-dímero elevadíssimo e alargamento mediastinal. O quadro é altamente sugestivo de emergência aórtica catastrófica.
Hipótese Diagnóstica Principal
Dissecção Aguda de Aorta (Provável Stanford Tipo A) — Confiança: 99%
Diagnósticos Diferenciais
Ordenados do mais letal/urgente ao menos grave (método Rule Out):
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | IAM com Supra de ST | 10% | Dor torácica intensa, sudorese, taquicardia. | Troponina negativa, dor rasgante, assimetria de PA, sopro novo. *(Nota: Pode coexistir se a dissecção ocluir o óstio coronariano direito).* |
| 2 | Tromboembolismo Pulmonar (TEP) | 5% | Dor torácica, taquicardia, D-dímero > 8.000. | Assimetria pressórica, sopro aórtico, alargamento mediastinal. |
| 3 | Síndrome de Boerhaave (Ruptura Esofágica) | 2% | Dor torácica súbita, alargamento mediastinal. | Ausência de vômitos prévios, presença de assimetria de PA e sopro aórtico. |
Não Esqueça: Tamponamento Cardíaco secundário à dissecção. A ruptura da aorta para o saco pericárdico é a principal causa de morte imediata nestes pacientes. Deve ser ativamente descartado com USG beira-leito.
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos
Exames Complementares (por ordem de prioridade)
Imediatos (beira-leito):
Imagem:
Conduta Terapêutica
[Ver Protocolo: Diretrizes AHA/ACC para Doença Aórtica](protocol:acls-protocols)
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)
OBJETIVO HEMODINÂMICO ESTRITO: Reduzir o estresse de cisalhamento (dP/dt) na parede da aorta.
Metas: FC < 60 bpm e PAS entre 100-120 mmHg.
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| 1. Metoprolol (Seloken®) | 5 mg | IV | Ampola 5mg/5mL. Fazer puro. | Bolus lento (1-2 min) | Repetir a cada 5 min até FC < 60 bpm (Dose máx: 15mg). Fazer ANTES do vasodilatador. |
| 2. Nitroprussiato de Sódio (Nipride®) | 0,25 a 0,5 mcg/kg/min | IV | 1 amp (50mg/2mL) + 250mL SG 5% (Conc: 200 mcg/mL) | Bomba de Infusão Contínua | Iniciar APÓS betabloqueio. Titular a cada 3-5 min até PAS 100-120 mmHg. Proteger da luz. |
| 3. Morfina (Dimorf®) | 2 a 4 mg | IV | Amp 10mg/1mL. Diluir 1mL em 9mL AD (Conc: 1mg/mL) | Bolus lento | Controle rigoroso da dor é essencial para reduzir o tônus simpático. |
Estratégia Definitiva
Avaliação de Resposta
Alertas Críticos
Disposição e Acompanhamento
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*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Dissecção aguda de aorta tipo A (DeBakey I ou II) com insuficiência aórtica aguda
- IAMCSST de parede inferior
- TEP maciço
- Ruptura esofágica (Boerhaave)