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Doença de Behçet com envolvimento mucocutâneo, articular e ocular (uveíte posterior — risco de cegueira) — Caso Residente

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Apresentação Clínica

Paciente masculino, 28 anos, de origem turca, internado para investigação de úlceras orais dolorosas recorrentes (>3 episódios/ano), úlceras genitais (escrotais) dolorosas, eritema nodoso em MMII, artrite de joelhos e episódio recente de uveíte anterior com hipópio. PA 120x75, FC 80, FR 16, SpO2 98%, T 37.2°C, Glasgow 15. Úlceras aftosas orais ativas, cicatriz de úlcera escrotal, eritema nodoso em MMII, artrite de joelho D. Teste de patergia positivo (pápula >2mm em 48h). Labs: VHS 55, PCR 35, HLA-B51 positivo. Fundoscopia: uveíte posterior com vasculite retiniana.

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
07/04/2026 Disclaimer

Síntese do Caso

Paciente masculino, 28 anos, descendência turca, apresentando quadro clássico de úlceras bipolares (orais e genitais) recorrentes, manifestações cutâneo-articulares (eritema nodoso, artrite) e acometimento ocular grave (uveíte anterior com hipópio e vasculite retiniana). Apresenta teste de patergia positivo, elevação de provas de atividade inflamatória e positividade para HLA-B51, sem instabilidade hemodinâmica no momento.

Hipótese Diagnóstica Principal

Doença de Behçet (Acometimento Ocular Grave)Confiança: 99%

  • Justificativa: O paciente preenche os Critérios Internacionais para a Doença de Behçet (ICBD). Pontuação: Úlceras orais (2) + Úlceras genitais (2) + Lesões oculares (2) + Lesões cutâneas (1) + Teste de patergia (1) = 8 pontos (Um score ≥ 4 confirma o diagnóstico).
  • Epidemiologia: Altamente prevalente em populações ao longo da antiga "Rota da Seda" (Turquia, Oriente Médio, Japão), com forte associação ao alelo HLA-B51, que confere maior gravidade (especialmente ocular e vascular) em homens jovens.
  • Gravidade: A presença de vasculite retiniana e hipópio classifica o caso como grave/ameaçador à visão (organ-threatening), exigindo imunossupressão agressiva imediata.
  • Diagnósticos Diferenciais

    Ordenados do mais urgente/grave ao menos grave (método Rule Out):

    #DiagnósticoConfiançaAchados que FavorecemAchados que Afastam
    1Sífilis Secundária/Terciária10%Úlceras genitais/orais, uveíte.Úlceras da sífilis primária são indolores; padrão de patergia e eritema nodoso são atípicos.
    2Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES)15%Úlceras orais, artrite, vasculite retiniana.Sexo masculino, ausência de FAN/anti-DNA (presumido), úlceras genitais escrotais profundas.
    3Doença de Crohn20%Úlceras orais, eritema nodoso, artrite, uveíte.Ausência de diarreia crônica, dor abdominal ou fístulas perianais; patergia positiva.
    4Artrite Reativa25%Artrite, uveíte, lesões mucocutâneas.Ausência de infecção prévia (TGI/GU), úlceras genitais da Behçet são diferentes da balanite circinada.
    5Infecção por HSV (Herpes)5%Úlceras orais e genitais recorrentes.Não explica vasculite retiniana, eritema nodoso ou patergia positiva.
    Não Esqueça: Angio-Behçet e Neuro-Behçet. A Doença de Behçet é uma vasculite de vasos de calibres variados. A principal causa de mortalidade são os aneurismas de artéria pulmonar (risco de hemoptise maciça) e tromboses venosas profundas/cerebrais.

    Confirmação Diagnóstica

    Critérios Clínicos

  • Diagnóstico eminentemente clínico (Critérios ICBD ≥ 4 pontos). O paciente já possui o diagnóstico confirmado.
  • Exames Complementares (por ordem de prioridade)

    Imediatos (beira-leito / intra-hospitalares):

  • Avaliação Oftalmológica de Urgência: Lâmpada de fenda, tonometria e mapeamento de retina (documentar extensão da vasculite retiniana e isquemia macular).
  • Laboratoriais (Triagem pré-imunossupressão e diagnósticos diferenciais):

  • Hemograma completo, Função renal e hepática.
  • Sorologias: HIV, VDRL/FTA-ABS, Hepatites B e C.
  • Rastreio de Tuberculose: IGRA (QuantiFERON-TB) ou PPD, e RX de Tórax (obrigatório antes de iniciar terapia biológica).
  • Imagem (Rastreio de complicações sistêmicas silenciosas):

  • Angio-TC de Tórax e Abdome: Rastreio de aneurismas de artéria pulmonar e tromboses venosas (veia cava, veias hepáticas/Budd-Chiari).
  • RM de Encéfalo com contraste: Se houver qualquer sintoma neurológico (cefaleia refratária, alterações de pares cranianos).
  • Conduta Terapêutica

    *(Baseado nas recomendações da EULAR para o manejo da Doença de Behçet)*

    Medidas Imediatas (Tempo 0)

  • Internação hospitalar: Necessária para pulsoterapia e avaliação oftalmológica diária.
  • Isolamento de contato/precaução padrão.
  • Monitorização: Sinais vitais 6/6h, glicemia capilar (devido ao uso de corticoide em altas doses).
  • Acionamento de Especialistas: Oftalmologia e Reumatologia.
  • Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)

    O foco inicial é salvar a visão do paciente (vasculite retiniana é emergência oftalmológica).

    MedicaçãoDoseViaPreparo/DiluiçãoTempoObservação
    Metilprednisolona (Solu-Medrol®)1g/dia por 3 diasIVDiluir 1g em 250mL de SF 0,9%Infundir em 2 horas1ª Linha para indução de remissão ocular grave.
    Prednisona (Meticorten®)1 mg/kg/diaVOComprimidos de 5mg, 20mgApós a pulsoterapiaManutenção inicial, com desmame gradual posterior.
    Colchicina (Colchis®)0,5 mg 2x a 3x/diaVOComprimidos de 0,5mgImediatoExcelente para úlceras mucocutâneas e eritema nodoso.
    Dexametasona colírio (Maxidex®)1 gota 4/4hTópicaFrasco gotejadorImediatoControle da uveíte anterior (sob orientação oftalmológica).
    Ciclopentolato colírio1 gota 8/8hTópicaFrasco gotejadorImediatoCicloplégico para evitar sinéquias posteriores e aliviar dor.

    Estratégia Definitiva (Terapia de Manutenção e Poupadores de Corticoide)

    A vasculite retiniana exige terapia imunossupressora agressiva e precoce, frequentemente com agentes biológicos.

  • 1ª Linha (Acometimento Ocular Grave):
  • Infliximabe (Remicade® - Anti-TNFα): 5 mg/kg IV nas semanas 0, 2 e 6, e depois a cada 8 semanas. *Ação rápida, droga de escolha para vasculite retiniana refratária ou grave na apresentação.*
  • OU Adalimumabe (Humira®): 80 mg SC dose inicial, seguida de 40 mg SC a cada 2 semanas.
  • Azatioprina (Imuran®): 2 a 2,5 mg/kg/dia VO. Frequentemente associada ao biológico ou usada como monoterapia em casos moderados.
  • Critérios de Contraindicação (Biológicos):
  • Infecção ativa grave, Tuberculose latente não tratada (fazer profilaxia com Isoniazida se IGRA/PPD positivo antes de iniciar anti-TNF), Insuficiência Cardíaca NYHA III/IV, desmielinização prévia.
  • Tratamento Tópico das Úlceras:
  • Triancinolona acetonida (Omcilon-A Orabase®) tópica para úlceras orais 3x/dia.
  • Anestésicos tópicos (Lidocaína viscosa 2%) antes das refeições se dor limitante.
  • Avaliação de Resposta

  • Critérios de Sucesso: Resolução do hipópio em dias; estabilização da acuidade visual; cicatrização das úlceras mucocutâneas em 1-2 semanas; normalização de VHS/PCR.
  • Sinais de Falha/Piora: Baixa acuidade visual progressiva, surgimento de escotomas, cefaleia nova (sinal de trombose venosa cerebral ou neuro-Behçet), hemoptise.
  • Desmame de Corticoide: Iniciar redução da Prednisona após 2-4 semanas, objetivando dose ≤ 7,5 mg/dia em 3-6 meses, sustentado pelo agente biológico/imunossupressor.
  • Alertas Críticos

  • ⚠️ ALERTA DE CEGUEIRA: A vasculite retiniana na Doença de Behçet tem alto potencial trombótico e oclusivo. O atraso na pulsoterapia e introdução de biológicos pode resultar em perda visual irreversível.
  • ⚠️ ALERTA DE TROMBOSE: Pacientes com Behçet têm alto risco de TVP. NÃO UTILIZAR ANTICOAGULAÇÃO sistêmica para trombose venosa na Doença de Behçet sem antes realizar Angio-TC de tórax para descartar aneurismas de artéria pulmonar. A anticoagulação na presença de aneurismas pulmonares pode causar hemoptise fatal. O tratamento da trombose no Behçet é primariamente imunossupressão, não anticoagulação.
  • Disposição e Acompanhamento

  • Destino: Internação em Enfermaria Clínica ou Reumatológica.
  • Especialista: Acompanhamento conjunto diário com Oftalmologia (retinólogo/uveíte) e Reumatologia.
  • Reavaliação: Fundo de olho seriado para avaliar resposta da vasculite retiniana à pulsoterapia. Monitorar toxicidade hepática/medular (hemograma e TGO/TGP) se iniciar Azatioprina.
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    *⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM), incluindo recomendações da EULAR para o manejo da Doença de Behçet, e não substitui o julgamento clínico presencial.*

    Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

    Doença de Behçet com envolvimento mucocutâneo, articular e ocular (uveíte posterior — risco de cegueira)

    Diferenciais esperados:
    • LES
    • Artrite reativa (síndrome de Reiter)
    • Herpes simplex recorrente
    • Doença de Crohn com manifestações extraintestinais

    Avalie a Resposta do Assistente

    Acuracia Clinica
    Completude dos Diferenciais
    Adequacao Terapeutica
    Seguranca
    Qualidade do Function Calling
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    Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: