Doença de Fabry com neuropatia de fibras finas — Caso Residente
Apresentação Clínica
Mulher de 38 anos, parestesias e dor em queimação em ambas as mãos e pés há 4 meses, com exame mostrando eritromelalgia nas extremidades. Biopsia de pele mostra redução da densidade de fibras nervosas intraepidérmicas. ENMG de nervos grossos normal. Lipídio sérico alfa-galactosidase A reduzido. Angioqueratomas em região periumbilical. Córnea verticillata ao exame oftalmológico. Ecocardiograma: HVE concêntrica com espessura de 14mm. Cr 1.4. PA 135/80, FC 68.
Síntese do Caso
Mulher de 38 anos apresentando quadro clássico de neuropatia de pequenas fibras (parestesias, dor em queimação, eritromelalgia, biópsia de pele compatível), associado a manifestações cutâneas (angioqueratomas), oftalmológicas patognomônicas (córnea verticillata), acometimento cardíaco (HVE concêntrica) e disfunção renal (Cr 1.4). A dosagem reduzida de alfa-galactosidase A sela o diagnóstico de uma doença de depósito lisossômico.
Hipótese Diagnóstica Principal
Doença de Fabry (Anderson-Fabry) — Confiança: 99%
Diagnósticos Diferenciais
Ordenados do mais letal/urgente ao menos grave:
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Amiloidose (AL ou ATTR) | 10% | HVE concêntrica, neuropatia periférica, disfunção renal. | Presença de córnea verticillata, angioqueratomas e deficiência de alfa-galactosidase A. |
| 2 | Cardiomiopatia Hipertrófica Sarcomérica | 5% | HVE concêntrica de 14mm. | Não explica a neuropatia, lesões de pele, córnea verticillata ou disfunção renal. |
| 3 | Neuropatia de Pequenas Fibras (Diabética/Autoimune) | 5% | Dor em queimação, biópsia de pele com redução de fibras intraepidérmicas. | Ausência de acometimento sistêmico (cardíaco, renal, oftalmológico) e enzimático. |
Não Esqueça: A Doença de Danon e a Ataxia de Friedreich são outros diagnósticos diferenciais para HVE associada a síndromes sistêmicas, mas o fenótipo cutâneo-ocular desta paciente é exclusivo do Fabry.
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos e Laboratoriais
Exames Complementares (por ordem de prioridade)
Laboratoriais:
Imagem e Especializados:
Conduta Terapêutica
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Manejo de Sintomas e Proteção de Órgãos)
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| 1ª Linha (Dor): Gabapentina (Neurontin®) | 300mg 1x/dia (noite) | VO | Cápsulas 300mg, 400mg | Contínuo | Titular a cada 3-5 dias até alívio (máx 3600mg/dia). Ajustar para clearence se < 60 mL/min. |
| 2ª Linha (Dor): Pregabalina (Lyrica®) | 75mg 1x/dia (noite) | VO | Cápsulas 75mg, 150mg | Contínuo | Alternativa à gabapentina. Titular até 300-600mg/dia. Ajuste renal necessário. |
| Nefro/Cardioproteção: Losartana (Cozaar®) | 50mg 1x/dia | VO | Comprimidos 50mg | Contínuo | Iniciar se houver proteinúria > 300mg/dia ou microalbuminúria persistente. |
Estratégia Definitiva (Terapia Específica)
A paciente tem indicação formal de tratamento específico devido ao acometimento de órgãos-alvo (HVE e disfunção renal).
1ª Linha: Terapia de Reposição Enzimática (TRE)
Alternativa (se mutação suscetível): Terapia com Chaperona Farmacológica
Contraindicações e Alertas:
Avaliação de Resposta
Disposição e Acompanhamento
*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Doença de Fabry com neuropatia de fibras finas
- Neuropatia de fibras finas idiopática
- Amiloidose com neuropatia
- Neuropatia hereditária (CMT)