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Doença de Kawasaki completa com acometimento coronariano (indicação de IVIG + AAS urgente) — Caso Residente

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Apresentação Clínica

Menino de 3 anos, febre persistente ≥39°C há 8 dias sem resposta a antibióticos. Conjuntivite bilateral não purulenta, lábios ressecados e fissurados (queilite), língua em framboesa, exantema polimórfico em tronco, edema endurado de mãos e pés, linfonodomegalia cervical unilateral >1.5cm. Irritabilidade extrema. Ecocardiograma: ectasia de coronária esquerda (z-score 2.8) e aneurisma pequeno de coronária direita (3mm, z-score 3.5). Plaquetas 550.000, VHS 85, PCR 120, albumina 2.5, ALT 80. PA 90/55, FC 150, FR 28, T 39.5°C.

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
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07/04/2026 Disclaimer

Síntese do Caso

Menino de 3 anos com febre prolongada (8 dias) refratária a antimicrobianos, apresentando os 5 critérios clínicos clássicos (conjuntivite, queilite/língua em framboesa, exantema, edema de extremidades e linfonodomegalia cervical). Exames evidenciam intensa resposta inflamatória sistêmica, trombocitose e complicação cardiovascular já instalada (ectasia e aneurisma coronariano).

Hipótese Diagnóstica Principal

Doença de Kawasaki Completa (CID-10: M30.3) — Confiança: 100%

  • A apresentação clínica preenche integralmente os critérios diagnósticos da AHA (*American Heart Association*): Febre $\ge$ 5 dias + 5 dos 5 critérios clínicos principais.
  • A presença de alterações coronarianas no ecocardiograma sela o diagnóstico de forma inequívoca e indica gravidade.
  • O paciente encontra-se na transição da fase aguda para a fase subaguda (marcada pelo 8º dia e início da elevação plaquetária).
  • Diagnósticos Diferenciais

    Ordenados do mais letal/urgente ao menos grave:

    #DiagnósticoConfiançaAchados que FavorecemAchados que Afastam
    1SIM-P (MIS-C pós-COVID)40%Febre, exantema, conjuntivite, disfunção coronariana, elevação de PCR.Ausência de choque/disfunção miocárdica grave, plaquetas elevadas (SIM-P classicamente cursa com plaquetopenia).
    2Adenovirose Grave20%Febre prolongada, conjuntivite, exantema, linfonodomegalia.Conjuntivite do adenovírus costuma ser exsudativa; não causa aneurisma coronariano.
    3Escarlatina (*S. pyogenes*)10%Febre, língua em framboesa, exantema.Falha terapêutica ao antibiótico, presença de conjuntivite, exantema polimórfico (não micropapular em lixa).
    4Síndrome do Choque Tóxico5%Febre, exantema, hiperemia de mucosas.Ausência de hipotensão refratária, disfunção renal ou hepática grave.
    Não Esqueça: A Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) possui sobreposição clínica quase idêntica à Doença de Kawasaki. A pesquisa de contato prévio e sorologia para SARS-CoV-2 é mandatória no contexto atual, embora o tratamento inicial seja semelhante.

    Confirmação Diagnóstica

    Critérios Clínicos (AHA 2017)

  • Febre $\ge$ 5 dias (Presente: 8 dias)
  • $\ge$ 4 critérios principais (Presente: 5/5 - extremidades, polimorfo, conjuntivite, mucosas, linfonodo).
  • Status: Diagnóstico clínico confirmado.
  • Exames Complementares (por ordem de prioridade)

    Imediatos (beira-leito):

  • ECG de 12 derivações (avaliar isquemia silenciosa, arritmias, prolongamento PR/QT).
  • Laboratoriais:

  • Sorologia/Antígeno para SARS-CoV-2 (diferenciação com SIM-P).
  • Perfil lipídico, coagulograma, BNP/NT-proBNP e Troponina (marcadores de disfunção miocárdica).
  • Imagem:

  • Ecocardiograma já realizado confirmando ectasia à esquerda (z-score 2.8) e aneurisma pequeno à direita (z-score 3.5). *(Nota: Z-score entre $\ge$ 2.5 e < 5.0 classifica como aneurisma pequeno).*
  • Conduta Terapêutica

    *(Baseado no Guideline AHA 2017 para Doença de Kawasaki)*

    Medidas Imediatas (Tempo 0)

  • Internação em leito de monitorização contínua (Enfermaria de Alta Dependência ou UTI Pediátrica).
  • Monitorização cardíaca contínua e oximetria.
  • Obtenção de 2 acessos venosos periféricos calibrosos.
  • Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)

    *Nota: Como o peso da criança não foi fornecido, as doses estão em mg/kg. O cálculo exato deve ser realizado à beira do leito.*

    MedicaçãoDose (AHA)ViaPreparo/DiluiçãoTempoObservação
    Imunoglobulina Humana (IGIV) (Kiovig®, Tegeline®)2 g/kg (Dose única)IVConforme fabricante (geralmente não diluir)Infusão contínua em 10 a 12 horasIniciar o mais rápido possível (ideal $\le$ 10º dia). Monitorar sinais de anafilaxia.
    Ácido Acetilsalicílico (AAS) (Aspirina®, Somalgin®)80 a 100 mg/kg/diaVODividir a dose total a cada 6 horasImediatoEfeito anti-inflamatório. Manter esta dose até o paciente ficar 48h afebril.

    Estratégia Definitiva

  • Terapia Adjuvante (Corticoterapia): Como o paciente já apresenta aneurisma coronariano no momento do diagnóstico (fator de alto risco para resistência à IGIV), protocolos institucionais e a AHA sugerem considerar a adição de Metilprednisolona (30 mg/kg/dia IV, 1x/dia, por 3 dias) associada à IGIV inicial. Discutir precocemente com a Cardiologia Pediátrica.
  • Transição do AAS: Após o paciente permanecer afebril por 48 a 72 horas, reduzir o AAS para a dose antiplaquetária: 3 a 5 mg/kg/dia VO, 1x/dia.
  • Duração do AAS em dose baixa: Manter até o retorno do ecocardiograma de 6 semanas. Como há aneurisma documentado, o uso poderá ser prolongado indefinidamente dependendo da evolução do z-score.
  • Avaliação de Resposta

  • Critérios de sucesso: Resolução da febre em até 36 horas após o término da infusão de IGIV. Queda progressiva do PCR e VHS.
  • Sinais de falha/piora (Doença Refratária): Febre persistente ou recrudescente $\ge$ 36h após o término da IGIV.
  • Escalonamento: Se refratário, está indicada uma 2ª dose de IGIV (2 g/kg) associada a Infliximabe (5 mg/kg IV) ou Pulsoterapia com Metilprednisolona.
  • Alertas Críticos

  • ⚠️ ALERTA DE EFEITO ADVERSO (BLACK BOX): O uso de AAS em crianças com infecções virais ativas (especialmente Influenza e Varicela) carrega risco de Síndrome de Reye (encefalopatia aguda e insuficiência hepática). Orientar os pais rigorosamente e garantir vacinação anual contra Influenza (vírus inativado).
  • ⚠️ ALERTA IMUNOLÓGICO: A administração de altas doses de IGIV inativa vacinas de vírus vivo atenuado (Tríplice Viral, Varicela). Estas vacinas devem ser adiadas por 11 meses após a infusão.
  • Disposição e Acompanhamento

  • Destino: Internação hospitalar imediata.
  • Especialista: Acionamento mandatório da Cardiologia Pediátrica (para seguimento dos aneurismas) e Reumatologia/Infectologia Pediátrica.
  • Reavaliação: O ecocardiograma de controle deve ser repetido em 1 a 2 semanas, e novamente em 4 a 6 semanas após o início da doença, para monitorar a progressão, estabilização ou regressão dos aneurismas coronarianos.
  • *⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM - AHA 2017 Kawasaki Disease Guidelines) e não substitui o julgamento clínico presencial.*

    Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

    Doença de Kawasaki completa com acometimento coronariano (indicação de IVIG + AAS urgente)

    Diferenciais esperados:
    • Escarlatina
    • Síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica (MIS-C)
    • Síndrome de Stevens-Johnson

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    Acuracia Clinica
    Completude dos Diferenciais
    Adequacao Terapeutica
    Seguranca
    Qualidade do Function Calling
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    Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: