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Doença de Wilson (degeneração hepatolenticular) — Caso Especialista

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Apresentação Clínica

Adolescente de 16 anos, distonia progressiva em MMSS e face há 1 ano, disartria, disfagia, tremor de intenção e alterações comportamentais (irritabilidade, depressão). Anel de Kayser-Fleischer na lâmpada de fenda bilateral. Ceruloplasmina 8 mg/dL (ref 20-40). Cobre urinário 24h 280 mcg (ref <40). Cobre sérico total baixo. RM de crânio mostra hipersinal T2 em putâmen bilateral com sinal da face do panda gigante no mesencéfalo. AST 85, ALT 110, bilirrubina 2.5, INR 1.4. PA 110/65, FC 78.

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
07/04/2026 Disclaimer

Síntese do Caso

Adolescente de 16 anos apresentando quadro neuropsiquiátrico progressivo (distonia, disartria, disfagia, tremor, alterações comportamentais) associado a disfunção hepática leve/moderada. O exame físico revela anéis de Kayser-Fleischer e a investigação laboratorial/imagem confirma distúrbio do metabolismo do cobre com o clássico sinal da "face do panda gigante" no mesencéfalo.

Hipótese Diagnóstica Principal

Doença de Wilson (Degeneração Hepatolenticular) — Confiança: 100%

  • Justificativa: O quadro é patognomônico. A Doença de Wilson é um distúrbio autossômico recessivo (mutação no gene *ATP7B*) que leva ao acúmulo tóxico de cobre no fígado, cérebro (gânglios da base) e córtex.
  • Critérios de Leipzig (Score de Ferenci): O paciente soma muito mais que os 4 pontos necessários para o diagnóstico definitivo: Anel de Kayser-Fleischer (+2), Sintomas neurológicos graves (+2), Ceruloplasmina baixa (+1), Cobre urinário > 100 mcg/24h (+2). Total = 7 pontos (Diagnóstico Estabelecido).
  • Diagnósticos Diferenciais

    Ordenados do mais letal/urgente ao menos grave (método Rule Out):

    #DiagnósticoConfiançaAchados que FavorecemAchados que Afastam
    1Insuficiência Hepática Aguda (Hepatite Fulminante)10%AST/ALT e bilirrubinas tocadas, INR 1.4.Ausência de encefalopatia hepática franca no momento; evolução crônica (1 ano).
    2Hepatite Autoimune c/ manifestação extra-hepática5%Idade, disfunção hepática.Anel de K-F, cobre urinário alto, RM típica de Wilson.
    3Doença de Huntington (Variante Juvenil de Westphal)1%Distonia, alterações comportamentais, disartria.Anel de K-F, disfunção hepática, alterações do cobre.
    4Intoxicação por Metais Pesados (Manganês)1%Sintomas extrapiramidais, alteração em gânglios da base.Perfil laboratorial específico do cobre, sinal do panda gigante.
    Não Esqueça: Piora Neurológica Paradoxal. Pacientes com Doença de Wilson com apresentação neurológica predominante têm alto risco de deterioração irreversível ao iniciar o tratamento quelante de forma muito agressiva.

    Confirmação Diagnóstica

    Critérios Clínicos

  • Escore de Leipzig: 7 pontos (Diagnóstico definitivo de Doença de Wilson).
  • Exames Complementares (por ordem de prioridade)

    Imediatos (beira-leito):

  • Avaliação de deglutição (risco de broncoaspiração devido à disfagia).
  • Laboratoriais:

  • Cobre Livre Sérico (Cálculo): Cobre Total - (Ceruloplasmina x 3). Valores > 25 mcg/dL indicam toxicidade sistêmica.
  • Pesquisa de Mutação do Gene ATP7B (Código TUSS: 40503828): Indicação: Confirmação molecular e rastreio familiar obrigatório.
  • Hemograma, Reticulócitos, DHL, Coombs: Rastreio de anemia hemolítica Coombs negativa (comum na D. de Wilson).
  • Imagem / Endoscopia:

  • USG de Abdome Total com Doppler: Avaliar sinais de cirrose, hipertensão portal ou esplenomegalia.
  • Endoscopia Digestiva Alta (EDA): Rastreio de varizes esofágicas (paciente já apresenta INR 1.4 e plaquetas a esclarecer).
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    Conduta Terapêutica

    Medidas Imediatas (Tempo 0)

  • MOV e Segurança: Precauções contra quedas (distonia/tremor).
  • Dieta: Suspender via oral temporariamente até avaliação fonoaudiológica formal (risco de aspiração por disfagia e disartria). Se via oral segura, instituir dieta restrita em cobre (< 1 mg/dia): proibir fígado, frutos do mar, nozes, chocolate, cogumelos.
  • Monitorização: Função hepática seriada e estado neurológico (escala de Glasgow e avaliação de distonia).
  • Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)

    *Nota: O tratamento farmacológico da Doença de Wilson não é uma emergência de "minutos", mas a introdução deve ser planejada na admissão.*

    MedicaçãoDoseViaPreparo/DiluiçãoTempoObservação
    1ª Linha (Neurológico): Trientina (Syprine®)250 mg a 500 mg 2 a 3x/diaVOCápsulas 250mg. Tomar 1h antes ou 2h após refeições.Início gradualQuelante de escolha na doença neurológica (menor risco de piora paradoxal que a Penicilamina).
    Alternativa: D-Penicilamina (Cuprimine®)250 mg 1x/dia inicialVOComprimidos 250mg. Tomar com estômago vazio.Titular a cada 1-2 sem*Alto risco de piora neurológica paradoxal*. Aumentar 250mg a cada semana até 1000-1500 mg/dia.
    Adjuvante Obrigatório: Piridoxina (Vitamina B6)25 a 50 mg 1x/diaVOComprimidosContínuoObrigatório se usar D-Penicilamina (previne neuropatia periférica).
    Manutenção/Adjuvante: Zinco (Acetato/Sulfato)50 mg (cobre elementar) 3x/diaVOLonge das refeições e dos quelantes (intervalo >2h).ContínuoBloqueia absorção intestinal de cobre. Usado na manutenção ou associado aos quelantes.

    Estratégia Definitiva

  • Fase de Desobrega (Quelação): O objetivo inicial é remover o cobre livre tóxico. A Trientina é preferível à D-Penicilamina em pacientes com sintomas neurológicos graves, pois a Penicilamina causa piora neurológica irreversível em até 50% dos casos no início do tratamento.
  • Fase de Manutenção: Após estabilização clínica e laboratorial (geralmente 2 a 6 meses), pode-se transicionar para monoterapia com Zinco ou manter quelante em dose baixa.
  • Transplante Hepático: Indicado APENAS se o paciente evoluir para Insuficiência Hepática Aguda fulminante (com encefalopatia e coagulopatia grave) ou cirrose descompensada refratária. *Não reverte os sintomas neurológicos já estabelecidos de forma garantida.*
  • Avaliação de Resposta

  • Critérios de Sucesso: Melhora gradual dos sintomas extrapiramidais (pode levar meses). Excreção urinária de cobre em 24h deve subir inicialmente (fase de quelação, > 500-1000 mcg/dia) e depois estabilizar em 200-500 mcg/dia na manutenção. Cobre livre sérico deve cair para < 10 mcg/dL.
  • Sinais de Falha/Piora: Piora da distonia, rebaixamento do nível de consciência, sangramento digestivo, icterícia progressiva.
  • Tempo de Reavaliação: Avaliação clínica diária na internação. Laboratorial (cobre urinário e sérico, hemograma, função renal e hepática) a cada 1-2 semanas no início.
  • Alertas Críticos

  • ⚠️ ALERTA DE PIORA NEUROLÓGICA: A mobilização rápida do cobre dos tecidos para o sangue pelos quelantes (especialmente D-Penicilamina) pode depositar mais cobre no cérebro agudamente. Inicie com doses baixas e titule lentamente.
  • ⚠️ ALERTA DE INTERAÇÃO: Nunca administrar Zinco no mesmo horário que Trientina ou Penicilamina (eles quelam o zinco no estômago, anulando o efeito de ambos). Dar com pelo menos 2 horas de intervalo.
  • ⚠️ RASTREIO FAMILIAR: Irmãos do paciente têm 25% de chance de ter a doença. O rastreio com exame físico, ceruloplasmina e teste genético é obrigatório e salva vidas (permite tratamento na fase assintomática).
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    Disposição e Acompanhamento

  • Destino: Internação em Enfermaria (ou Unidade de Cuidados Intermediários se disfagia grave/risco de via aérea). Necessário para introdução segura da terapia quelante, monitoramento de piora neurológica e avaliação de deglutição.
  • Especialista: Acionar imediatamente Hepatologia, Neurologia e Genética Médica. Fonoaudiologia e Nutrição são cruciais no D0.
  • Reavaliação: Monitorar INR, bilirrubinas e transaminases a cada 48h durante a fase aguda para descartar progressão para falência hepática fulminante.
  • *⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM), como os guidelines da AASLD e EASL para Doença de Wilson, e não substitui o julgamento clínico presencial.*

    Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

    Doença de Wilson (degeneração hepatolenticular)

    Diferenciais esperados:
    • Distonia generalizada primária (DYT1)
    • Pantothenate kinase neurodegeneration (PKAN)
    • Intoxicação por manganês

    Avalie a Resposta do Assistente

    Acuracia Clinica
    Completude dos Diferenciais
    Adequacao Terapeutica
    Seguranca
    Qualidade do Function Calling
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    Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: