Doença de Wilson (degeneração hepatolenticular) — Caso Especialista
Apresentação Clínica
Adolescente de 16 anos, distonia progressiva em MMSS e face há 1 ano, disartria, disfagia, tremor de intenção e alterações comportamentais (irritabilidade, depressão). Anel de Kayser-Fleischer na lâmpada de fenda bilateral. Ceruloplasmina 8 mg/dL (ref 20-40). Cobre urinário 24h 280 mcg (ref <40). Cobre sérico total baixo. RM de crânio mostra hipersinal T2 em putâmen bilateral com sinal da face do panda gigante no mesencéfalo. AST 85, ALT 110, bilirrubina 2.5, INR 1.4. PA 110/65, FC 78.
Síntese do Caso
Adolescente de 16 anos apresentando quadro neuropsiquiátrico progressivo (distonia, disartria, disfagia, tremor, alterações comportamentais) associado a disfunção hepática leve/moderada. O exame físico revela anéis de Kayser-Fleischer e a investigação laboratorial/imagem confirma distúrbio do metabolismo do cobre com o clássico sinal da "face do panda gigante" no mesencéfalo.
Hipótese Diagnóstica Principal
Doença de Wilson (Degeneração Hepatolenticular) — Confiança: 100%
Diagnósticos Diferenciais
Ordenados do mais letal/urgente ao menos grave (método Rule Out):
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Insuficiência Hepática Aguda (Hepatite Fulminante) | 10% | AST/ALT e bilirrubinas tocadas, INR 1.4. | Ausência de encefalopatia hepática franca no momento; evolução crônica (1 ano). |
| 2 | Hepatite Autoimune c/ manifestação extra-hepática | 5% | Idade, disfunção hepática. | Anel de K-F, cobre urinário alto, RM típica de Wilson. |
| 3 | Doença de Huntington (Variante Juvenil de Westphal) | 1% | Distonia, alterações comportamentais, disartria. | Anel de K-F, disfunção hepática, alterações do cobre. |
| 4 | Intoxicação por Metais Pesados (Manganês) | 1% | Sintomas extrapiramidais, alteração em gânglios da base. | Perfil laboratorial específico do cobre, sinal do panda gigante. |
Não Esqueça: Piora Neurológica Paradoxal. Pacientes com Doença de Wilson com apresentação neurológica predominante têm alto risco de deterioração irreversível ao iniciar o tratamento quelante de forma muito agressiva.
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos
Exames Complementares (por ordem de prioridade)
Imediatos (beira-leito):
Laboratoriais:
Imagem / Endoscopia:
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Conduta Terapêutica
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)
*Nota: O tratamento farmacológico da Doença de Wilson não é uma emergência de "minutos", mas a introdução deve ser planejada na admissão.*
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| 1ª Linha (Neurológico): Trientina (Syprine®) | 250 mg a 500 mg 2 a 3x/dia | VO | Cápsulas 250mg. Tomar 1h antes ou 2h após refeições. | Início gradual | Quelante de escolha na doença neurológica (menor risco de piora paradoxal que a Penicilamina). |
| Alternativa: D-Penicilamina (Cuprimine®) | 250 mg 1x/dia inicial | VO | Comprimidos 250mg. Tomar com estômago vazio. | Titular a cada 1-2 sem | *Alto risco de piora neurológica paradoxal*. Aumentar 250mg a cada semana até 1000-1500 mg/dia. |
| Adjuvante Obrigatório: Piridoxina (Vitamina B6) | 25 a 50 mg 1x/dia | VO | Comprimidos | Contínuo | Obrigatório se usar D-Penicilamina (previne neuropatia periférica). |
| Manutenção/Adjuvante: Zinco (Acetato/Sulfato) | 50 mg (cobre elementar) 3x/dia | VO | Longe das refeições e dos quelantes (intervalo >2h). | Contínuo | Bloqueia absorção intestinal de cobre. Usado na manutenção ou associado aos quelantes. |
Estratégia Definitiva
Avaliação de Resposta
Alertas Críticos
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Disposição e Acompanhamento
*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM), como os guidelines da AASLD e EASL para Doença de Wilson, e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Doença de Wilson (degeneração hepatolenticular)
- Distonia generalizada primária (DYT1)
- Pantothenate kinase neurodegeneration (PKAN)
- Intoxicação por manganês