Doença do nó sinusal (bradicardia sinusal sintomática) com incompetência cronotrópica e pausas sinusais — indicação de implante de marcapasso — Caso Estudante
Apresentação Clínica
Paciente feminina, 78 anos, HAS, DM2 e ICC com FEVE preservada (55%), em uso de bisoprolol 5mg, losartana 100mg e empagliflozina 10mg. Procura o cardiologista com queixa de tonturas, pré-síncope e fadiga há 2 semanas. PA 130x75, FC 42, FR 16, SpO2 97%, T 36.5°C, Glasgow 15. Bradicardia regular. ECG: ritmo sinusal com FC 42bpm, PR normal, QRS estreito, sem bloqueios. Holter 24h: FC média 40bpm, FC mínima 28bpm durante sono, pausas sinusais >3 segundos (pausa máxima 4.2s) com sintomas (tontura registrada no diário). Cronotropismo inadequado ao esforço (FC máxima 65bpm no TC6M).
Síntese do Caso
Paciente feminina, 78 anos, portadora de HAS, DM2 e ICFEp, apresentando quadro de bradicardia sinusal sintomática (tontura, pré-síncope, fadiga) há 2 semanas. Hemodinamicamente estável no momento. O Holter 24h documenta correlação exata entre sintomas e pausas sinusais significativas (> 4 segundos), além de incompetência cronotrópica, em vigência de terapia com betabloqueador (Bisoprolol).
Hipótese Diagnóstica Principal
Disfunção do Nó Sinusal (Doença do Nó Sinusal) sintomática, exacerbada por fármaco cronotrópico negativo — Confiança: 95%
Diagnósticos Diferenciais
Ordenados do mais letal/urgente ao menos grave:
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Isquemia Miocárdica (Coronária Direita) | 10% | Fatores de risco (DM2, HAS, idade); bradicardia. | ECG basal sem sinais de isquemia; quadro crônico (2 semanas) sem dor torácica. |
| 2 | Hipercalemia | 15% | Uso crônico de BRA (Losartana). | ECG sem apiculamento de onda T, sem redução de onda P ou alargamento de QRS. |
| 3 | Hipotireoidismo Severo | 20% | Idade, sexo feminino, fadiga, bradicardia. | Pausas sinusais extremas (> 4s) são raras apenas por disfunção tireoidiana. |
Não Esqueça: Síndrome Taqui-Bradi. Embora o Holter atual não tenha demonstrado taquiarritmias atriais (como FA paroxística), esta é a apresentação clássica da progressão da Doença do Nó Sinusal em idosos.
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos
Exames Complementares (por ordem de prioridade)
Imediatos (beira-leito):
Laboratoriais:
*(Foco em descartar causas secundárias reversíveis)*
Conduta Terapêutica
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)
Nenhuma intervenção farmacológica aguda de urgência é necessária no ambiente ambulatorial/emergência leve devido à estabilidade clínica. A conduta é a desprescrição.
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| Bisoprolol (Concor®, Rokital®) | SUSPENDER | - | - | Imediato | Interromper o uso imediatamente. Meia-vida de 10-12h. |
Estratégia Definitiva
1. Suspensão do Agente Cronotrópico Negativo: A conduta primária (Classe I, Nível de Evidência B-NR) é a suspensão do Bisoprolol.
2. Manejo da HAS/ICFEp: A pressão arterial está controlada (130x75). Manter Losartana (Aradois®, Cozaar®) 100mg/dia e Empagliflozina (Jardiance®) 10mg/dia, que possuem benefício comprovado na ICFEp e não afetam o nó sinusal.
3. Indicação de Marcapasso Definitivo (MPD):
Avaliação de Resposta
Alertas Críticos
Disposição e Acompanhamento
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*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Doença do nó sinusal (bradicardia sinusal sintomática) com incompetência cronotrópica e pausas sinusais — indicação de implante de marcapasso
- Bradicardia por betabloqueador (iatrogênica)
- Hipotireoidismo
- BAV 2° grau tipo I intermitente