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Doença hepática alcoólica — hepatite alcoólica com sinais de hepatopatia crônica — Caso Estudante

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Apresentação Clínica

Homem 55 anos, etilista pesado (> 60g/dia há 20 anos), IMC 32. Encaminhado por alteração de exames de rotina. Assintomático. PA 138x88 mmHg, FC 78bpm. Hepatomegalia dolorosa. Labs: TGO 185 U/L, TGP 95 U/L (relação TGO/TGP > 2:1), GGT 420 U/L, FA 135 U/L, bilirrubina total 2,8 mg/dL (BD 1,5), albumina 3,2 g/dL, TP (INR) 1,4, plaquetas 115.000/mm³. VCM 102 fL. Triglicerídeos 280 mg/dL. Ferritina 580 ng/mL, saturação de transferrina 35%. USG abdome: esteatose hepática moderada, esplenomegalia leve. Solicita interpretação do padrão de lesão hepática e estágio da doença.

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
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07/04/2026 Disclaimer

Síntese do Caso

Homem de 55 anos, etilista pesado crônico e obeso, assintomático, apresentando hepatomegalia dolorosa. Exames evidenciam padrão de lesão hepatocelular com relação TGO/TGP ~2:1, colestase expressiva (GGT > 400), macrocitose e sinais claros de disfunção sintética (hipoalbuminemia, INR alargado, hiperbilirrubinemia) e hipertensão portal (trombocitopenia, esplenomegalia).

Hipótese Diagnóstica Principal

Hepatopatia Crônica Avançada (Cirrose) de Etiologia Mista (MetALD: Alcoólica + Metabólica) — Confiança: 95%

  • Justificativa: O padrão laboratorial é clássico. A relação TGO/TGP (Quociente de De Ritis) próxima a 2, associada à elevação maciça de GGT e VCM > 100 fL, é a assinatura da toxicidade alcoólica. A presença de plaquetopenia (115.000), hipoalbuminemia (3,2), alargamento do TP/INR (1,4) e esplenomegalia indicam que o paciente já ultrapassou a fase de esteatose simples e apresenta hipertensão portal e falência sintética, configurando cirrose, a despeito do laudo ultrassonográfico citar apenas "esteatose". O IMC 32 e os triglicerídeos elevados (280) adicionam o componente metabólico (MASLD), configurando a síndrome MetALD.
  • Escores Clínicos Aplicáveis:
  • FIB-4: 9,08 (Cálculo: [55 anos × 185] / [115 × √95]). *Valores > 3,25 indicam altíssima probabilidade de fibrose avançada (F3/F4 - Cirrose).*
  • Child-Pugh: 7 pontos - Classe B (Bilirrubina 2,8 [2 pts] + Albumina 3,2 [2 pts] + INR 1,4 [1 pt] + Sem ascite [1 pt] + Sem encefalopatia [1 pt]). *Indica cirrose com descompensação inicial.*
  • Diagnósticos Diferenciais

    #DiagnósticoConfiançaAchados que FavorecemAchados que Afastam
    1Hepatite Alcoólica Aguda60%Hepatomegalia dolorosa, TGO/TGP > 2, GGT elevada, hiperbilirrubinemia.Paciente assintomático (sem febre, icterícia franca ou anorexia grave típica das formas severas).
    2Hepatite Viral Crônica (B ou C)15%Fator de risco epidemiológico (idade), sinais de cirrose.Relação TGO/TGP > 2 e macrocitose apontam mais para álcool.
    3Hemocromatose Hereditária5%Ferritina elevada (580 ng/mL), hepatomegalia.Saturação de transferrina normal (35%). A ferritina aqui atua como reagente de fase aguda e marcador de sobrecarga férrica secundária ao álcool.
    Não Esqueça: Hepatocarcinoma (HCC). Em todo paciente com cirrose recém-diagnosticada, a presença de hepatomegalia dolorosa e alteração de enzimas deve levantar a suspeita de malignização, exigindo rastreio imediato.

    Confirmação Diagnóstica

    Critérios Clínicos

  • O diagnóstico de cirrose neste contexto é eminentemente clínico-laboratorial (FIB-4 > 3,25 + Plaquetopenia + Sinais de Hipertensão Portal). Não há indicação de biópsia hepática no momento.
  • Exames Complementares

    O pedido médico estruturado com códigos TUSS foi gerado no sistema para a seguinte propedêutica:

    Laboratoriais:

  • Creatinina e Sódio: Obrigatórios para cálculo do escore MELD-Na (define prioridade em fila de transplante e mortalidade em 90 dias).
  • Sorologias (HBsAg, anti-HBc, anti-HCV, HIV): Exclusão de coinfecções que aceleram a fibrose.
  • Alfa-fetoproteína (AFP): Rastreio de hepatocarcinoma.
  • Glicemia de jejum e HbA1c: Estadiamento do componente metabólico.
  • Imagem e Especializados:

  • Elastografia Hepática (FibroScan): Padrão-ouro não invasivo para quantificar a fibrose (confirmar F4) e estimar o grau de esteatose (CAP).
  • Endoscopia Digestiva Alta (EDA): Mandatória para rastreio de varizes esofagogástricas de alto risco.
  • Conduta Terapêutica

    Medidas Imediatas (Tempo 0)

  • Cessação Alcoólica Absoluta: É a única intervenção capaz de interromper a progressão da doença e reverter parcialmente a descompensação.
  • Aconselhamento Nutricional: Dieta hipercalórica e hiperproteica (1,2 a 1,5 g/kg/dia de proteína), fracionada (incluindo lanche noturno para evitar catabolismo muscular). *Não restringir proteína* a menos que haja encefalopatia refratária.
  • Medicações Iniciais (Primeiros Dias)

    Devido ao etilismo crônico e risco de depleção vitamínica, iniciar reposição imediata:

    MedicaçãoDoseViaPreparo/DiluiçãoTempoObservação
    Tiamina (Vitamina B1) (Benerva®)300 mgVOComprimido 300mg1x/dia por 1-3 mesesPrevenção de Encefalopatia de Wernicke.
    Ácido Fólico5 mgVOComprimido 5mg1x/dia por 30 diasCorreção de deficiência comum no etilista; auxilia na macrocitose.

    Estratégia Definitiva

  • Profilaxia Primária de Sangramento Varicoso: Aguardar resultado da EDA.
  • *Critério de indicação:* Se EDA evidenciar varizes de médio/grosso calibre ou varizes finas com *red spots*.
  • *Conduta:* Iniciar Betabloqueador não seletivo (ex: Carvedilol 6,25mg VO 1x/dia, titulando até 12,5mg/dia, ou Propranolol 40mg VO 2x/dia).
  • Manejo Metabólico (MetALD):
  • Perda de peso gradual (meta de 7-10% do peso corporal).
  • Controle rigoroso de dislipidemia e resistência insulínica (após estabilização da função hepática).
  • Avaliação de Resposta

  • Critérios de sucesso: Redução progressiva de TGO/TGP, GGT e bilirrubinas; estabilização do INR e plaquetas; abstinência mantida.
  • Sinais de falha/piora (Red Flags): Desenvolvimento de ascite, inversão do ciclo sono-vigília (encefalopatia hepática), hematêmese ou melena.
  • Tempo de reavaliação: Retorno ambulatorial em 15 a 30 dias com novos exames (função renal, eletrólitos, coagulograma, provas de função hepática).
  • Alertas Críticos

  • ⚠️ ALERTA FARMACOLÓGICO: Evitar AINEs (risco de hemorragia digestiva, insuficiência renal e descompensação ascítica). Analgesia deve ser feita com Paracetamol em dose máxima restrita a 2g/dia (seguro na cirrose se respeitada a dose) ou Dipirona.
  • ⚠️ ALERTA DE RISCO: A plaquetopenia isolada neste paciente NÃO é indicação de transfusão. É um fenômeno de sequestro esplênico secundário à hipertensão portal.
  • Disposição e Acompanhamento

  • Destino: Alta com acompanhamento ambulatorial rigoroso. Não há critérios para internação hospitalar no momento (ausência de sangramento, ascite infectada ou encefalopatia).
  • Especialista: Encaminhar ao Ambulatório de Hepatologia ou Gastroenterologia.
  • Multidisciplinar: Acionar Psiquiatria/Psicologia para suporte no Transtorno por Uso de Álcool (TUA) e Nutrição Clínica.
  • Rastreio Contínuo: USG de abdome + AFP a cada 6 meses (rastreio de HCC).
  • ---

    *⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*

    Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

    Doença hepática alcoólica — hepatite alcoólica com sinais de hepatopatia crônica

    Diferenciais esperados:
    • Doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA)
    • Hemocromatose hereditária
    • Hepatite viral crônica (B ou C)
    • Hepatite autoimune

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    Acuracia Clinica
    Completude dos Diferenciais
    Adequacao Terapeutica
    Seguranca
    Qualidade do Function Calling
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    Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: