Doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD/MAFLD) com fibrose avançada (F3) — Caso Estudante
Apresentação Clínica
Paciente feminina, 48 anos, obesa (IMC 35), DM2 em uso de metformina 2g/d, dislipidemia em uso de atorvastatina 20mg. Internada para investigação de alteração persistente de transaminases (TGO e TGP 2-3x LSN há 1 ano). PA 135x85, FC 75, FR 16, SpO2 98%, T 36.5°C, Glasgow 15. Hepatomegalia de 4cm, sem sinais de hipertensão portal. Labs: TGO 85, TGP 120, GGT 90, FA 95, albumina 4.0, BT 0.8, INR 1.0, plaquetas 210.000, HbA1c 8.2%, triglicerídeos 280, ferritina 350. Sorologias virais negativas. Autoanticorpos (FAN, anti-LKM, anti-músculo liso) negativos. USG: esteatose hepática grau III. FibroScan: F3 (fibrose avançada).
Síntese do Caso
Paciente feminina, 48 anos, com síndrome metabólica (obesidade grau II, DM2 descompensado, dislipidemia), apresentando quadro de hepatopatia crônica caracterizada por transaminases elevadas há 1 ano, esteatose grau III e fibrose avançada (F3) ao FibroScan. Encontra-se hemodinamicamente estável, com função hepática sintética preservada (Child-Pugh A) e sem estigmas clínicos ou laboratoriais de hipertensão portal (plaquetas normais).
Hipótese Diagnóstica Principal
MASH (Esteato-hepatite Associada à Disfunção Metabólica) com Fibrose Avançada (F3) — Confiança: 95%
Diagnósticos Diferenciais
Ordenados do risco mais imediato para o menos grave (Método *Rule Out*):
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Hemocromatose Hereditária | 15% | Ferritina elevada (350). | Aumento de ferritina é comum como reagente de fase aguda na MASH; falta saturação de transferrina. |
| 2 | DILI (Lesão Induzida por Drogas) | 5% | Uso crônico de Atorvastatina e Metformina. | Padrão crônico com fibrose F3 não é típico; estatinas são seguras e indicadas na MASH. |
| 3 | Hepatite Autoimune (Soronegativa) | 2% | Sexo feminino, transaminases tocadas. | FAN, anti-LKM e anti-músculo liso negativos; padrão clássico metabólico presente. |
| 4 | Doença de Wilson | <1% | Hepatopatia crônica. | Idade de apresentação atípica (>40 anos); ausência de sintomas neurológicos. |
Não Esqueça: A principal causa de mortalidade nesta paciente não é a falência hepática, mas sim o risco cardiovascular (IAM/AVC). A estratificação de risco CV é mandatória.
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos
Exames Complementares
O pedido médico estruturado foi gerado no sistema para complementar a investigação e estratificar o risco sistêmico:
Laboratoriais:
Imagem:
Conduta Terapêutica
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Ambulatoriais)
A otimização do DM2 deve focar em drogas com benefício pleiotrópico (hepático e cardiovascular).
| Medicação | Dose | Via | Frequência | Observação |
|---|---|---|---|---|
| Semaglutida (Ozempic®) | 0,25mg (inicial) | SC | 1x/semana | 1ª Linha (ADA/AASLD). Escalonar a cada 4 semanas (0,5mg → 1,0mg). Promove perda de peso, controle do DM2 e resolução da MASH. |
| Metformina (Glifage®) | 2g/dia | VO | Fracionada | MANTER. Não trata a MASH diretamente, mas é segura e mantém controle insulínico. |
| Atorvastatina (Lipitor®) | 20-40mg | VO | 1x/dia | MANTER/OTIMIZAR. Hepatopatia crônica *não* é contraindicação. Meta de LDL < 70 mg/dL (ou < 50 mg/dL se alto risco CV). |
Estratégia Definitiva
Avaliação de Resposta
Alertas Críticos
Disposição e Acompanhamento
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*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM - AASLD/EASL 2023, ADA 2024) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD/MAFLD) com fibrose avançada (F3)
- Hepatite autoimune
- Hemocromatose hereditária
- Hepatite medicamentosa (estatina)
- NASH com cirrose precoce