Emergência dialítica — EAP hipertensivo + hipercalemia grave com cardiotoxicidade em DRC anúrica — Caso Residente
Apresentação Clínica
Paciente masculino, 64 anos, DRC estágio 5 em hemodiálise 3x/semana (faltou última sessão), HAS e DM2, chega ao PS com dispneia intensa, ortopneia e edema agudo de pulmão. PA 200x120, FC 110, FR 32, SpO2 80%, T 36.5°C, Glasgow 14. Estertores crepitantes bilaterais, turgência jugular, edema MMII 4+/4+. Labs: K+ 7.2 mEq/L, Na+ 132, ureia 320, creatinina 12.5, Hb 8.5, pH 7.18, HCO3 10, pCO2 25, lactato 3.5. ECG com ondas T apiculadas, QRS 140ms. BNP 5.200.
Síntese do Caso
Paciente masculino, 64 anos, com DRC dialítica (sessão prévia omitida), apresentando quadro de Emergência Hipertensiva manifesta como Edema Agudo de Pulmão (EAP) associado a hipoxemia severa. Apresenta sinais laboratoriais e eletrocardiográficos de Hipercalemia Grave com cardiotoxicidade (K+ 7.2 com QRS alargado para 140ms) e acidose metabólica grave (pH 7.18, HCO3 10). Risco iminente de parada cardiorrespiratória (PCR).
Hipótese Diagnóstica Principal
Emergência Hipertensiva (EAP) + Hipercalemia Grave com Cardiotoxicidade + Síndrome Urêmica — Confiança: 99%
Diagnósticos Diferenciais
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | IAM com ou sem Supra de ST | 40% | Fatores de risco (HAS, DM2, DRC), EAP, dispneia. | ECG atual mostra padrão de hipercalemia (T apiculada, QRS largo) que pode mascarar isquemia. Necessita dosagem de troponina. |
| 2 | Tromboembolismo Pulmonar (TEP) | 15% | Dispneia súbita, hipoxemia grave, taquicardia. | Congestão sistêmica e pulmonar franca, BNP muito elevado, clínica clássica de omissão de diálise. |
Não Esqueça: A hipercalemia grave pode simular padrões de isquemia miocárdica (pseudo-infarto) ou bloqueios de ramo no ECG. A prioridade é estabilizar a membrana miocárdica antes de assumir isquemia primária, mas a dosagem de troponina seriada é mandatória.
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos
Exames Complementares
Imediatos (beira-leito):
Laboratoriais e Imagem:
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Conduta Terapêutica
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)
*A prioridade absoluta é a estabilização da membrana miocárdica devido ao QRS de 140ms, seguida do controle pressórico e redistribuição do potássio.*
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| 1. Gluconato de Cálcio 10% | 1 ampola (10mL) | IV | Puro ou diluído em 50mL SG 5%. | Infundir em 2 a 3 min. | Ação Imediata. Repetir em 5 min se o QRS não estreitar. |
| 2. Insulina Regular + Glicose (Solução Polarizante) | 10 UI Insulina Regular + 50g Glicose | IV | 10 UI Insulina + 100mL de Glicose 50%. | Infundir em 15 a 30 min. | Início de ação em 15 min. Monitorar dextro a cada 1h. |
| 3. Bicarbonato de Sódio 8,4% | 1 mEq/kg (aprox. 70-80mL) | IV | Puro (em acesso calibroso) ou diluído em SG 5%. | Infundir em 5 min. | Indicado por pH < 7.20 + hipercalemia. Ajuda no *shift* celular de K+. |
| 4. Fenoterol ou Salbutamol | 10 a 20 gotas (2,5 a 5mg) | Inal. | Diluir em 3 a 5mL de SF 0,9%. | Nebulização contínua. | Sinergismo com a insulina para *shift* de K+. |
| 5. Nitroglicerina (Tridil®) | 5 a 10 mcg/min (inicial) | IV | 1 ampola (50mg/10mL) em 240mL SG 5%. | Bomba de Infusão Contínua (BIC). | Titular a cada 5 min até melhora do EAP ou queda de 20-25% da PAM. |
*Nota sobre Diuréticos:* Furosemida IV (100-200mg) pode ser tentada pelo efeito venodilatador inicial, mas em pacientes com DRC estágio 5 anúricos, a eficácia diurética é nula. O foco deve ser o vasodilatador IV e a diálise.
Estratégia Definitiva
Avaliação de Resposta
Alertas Críticos
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Disposição e Acompanhamento
*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM - ACLS/AHA) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Emergência dialítica — EAP hipertensivo + hipercalemia grave com cardiotoxicidade em DRC anúrica
- IAM
- Pericardite urêmica com tamponamento
- Sepse de cateter