Encefalite anti-receptor NMDA associada a teratoma ovariano — Caso Especialista
Apresentação Clínica
Mulher de 23 anos, previamente hígida, alterações comportamentais progressivas há 3 semanas (agitação, paranoia, insônia), seguidas de crises convulsivas focais e discinesias orofaciais involuntárias. Glasgow 10, movimentos coreoatetóides em MMSS, instabilidade autonômica (FC 50-140, PA 90-180 sistólica, T 39°C). LCR: pleocitose linfocitária leve (25 céls), proteína 55. RM mostra hipersinal T2/FLAIR em hipocampos bilateral. EEG: atividade delta rítmica temporal bilateral. Anti-NMDAR positivo no LCR. TC de pelve mostra teratoma ovariano de 4cm.
Síntese do Caso
Paciente feminina, 23 anos, com quadro subagudo de alterações psiquiátricas evoluindo para rebaixamento do sensório (Glasgow 10), crises convulsivas focais, discinesias orofaciais e grave instabilidade autonômica. O quadro laboratorial e de imagem (LCR com pleocitose, anti-NMDAR positivo, RM com hipersinal temporal e TC com teratoma ovariano) fecha o diagnóstico clássico de encefalite autoimune paraneoplásica.
Hipótese Diagnóstica Principal
Encefalite Anti-Receptor NMDA (Paraneoplásica) — Confiança: 100%
Diagnósticos Diferenciais
Apesar do diagnóstico confirmado, no momento da admissão inicial, a abordagem de exclusão (Rule Out) deve considerar:
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Encefalite Herpética (HSV) | 10% | Crises focais, hipersinal temporal na RM, pleocitose no LCR. | Anti-NMDAR (+), teratoma, discinesias orofaciais marcadas. |
| 2 | Síndrome Neuroléptica Maligna | 5% | Disautonomia, febre, alteração do sensório, rigidez. | Anti-NMDAR (+), ausência de história clara de neurolépticos prévios. |
| 3 | Neurolúpus (LES) | 5% | Psicose, convulsões em mulher jovem. | Anticorpo específico (+), padrão de imagem e EEG. |
Não Esqueça: Pacientes na fase psiquiátrica inicial frequentemente recebem antipsicóticos típicos (ex: Haloperidol), o que pode exacerbar os distúrbios do movimento e mimetizar ou precipitar uma Síndrome Neuroléptica Maligna.
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos
Exames Complementares (Foco Pré-Imunossupressão e Cirurgia)
Imediatos (beira-leito):
Laboratoriais (Triagem Infecciosa Pré-Imunossupressão):
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Conduta Terapêutica
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)
O tratamento divide-se em controle sintomático (disautonomia/crises) e imunoterapia de 1ª linha.
| Medicação | Dose | Via/Preparo | Observação |
|---|---|---|---|
| Metilprednisolona (Solu-Medrol®) | 1g/dia por 5 dias | IV. Diluir em 100mL SF 0,9%, infundir em 1-2h. | 1ª linha imunossupressora. Iniciar após colher sorologias. |
| Imunoglobulina Humana (IVIG) | 0,4 g/kg/dia por 5 dias | IV. Infusão contínua lenta (conforme fabricante). | Associar ao corticoide. Alternativa: Plasmaférese (PLEX). |
| Dexmedetomidina (Precedex®) | 0,2 a 1,5 mcg/kg/h | IV. Ampola 200mcg/2mL. Diluir em 48mL SF 0,9%. | Excelente para controle de agitação e tempestades simpáticas. |
| Levetiracetam (Keppra®) | 1000 a 3000 mg/dia | IV/VO. Dividido em 2 tomadas. | Controle de crises. Evitar Fenitoína (interações/toxicidade). |
Estratégia Definitiva
1. Ressecção Tumoral (Urgência Oncológica/Ginecológica):
2. Imunoterapia de 2ª Linha (Se refratariedade):
Avaliação de Resposta
Alertas Críticos
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Disposição e Acompanhamento
*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Encefalite anti-receptor NMDA associada a teratoma ovariano
- Encefalite herpética
- Encefalite lúpica
- Psicose aguda primária