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Encefalite herpética (HSV-1) — Caso Residente

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Apresentação Clínica

Homem de 25 anos, febre 39°C há 3 dias, cefaleia intensa progressiva, confusão mental e uma crise convulsiva focal com generalização há 6 horas. Glasgow 11 (O3V3M5), rigidez de nuca, Brudzinski positivo. LCR: 350 céls (85% linfócitos), proteína 120, glicose 55 (glicemia 100), hemácias 50. RM mostra hipersinal T2/FLAIR em lobos temporais bilateral (assimétrico, D>E) com restrição à difusão. PCR para HSV-1 no LCR pendente. PA 130/85, FC 105, FR 20.

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
07/04/2026 Disclaimer

Síntese do Caso

Paciente masculino, 25 anos, apresentando quadro agudo de síndrome infecciosa (febre), síndrome meníngea (cefaléia, rigidez de nuca, Brudzinski +) e síndrome encefalítica (confusão mental, rebaixamento do sensório para Glasgow 11 e crise convulsiva focal com generalização). O LCR evidencia pleocitose linfocítica, proteinorraquia leve, glicose normal e presença de hemácias. A RM de encéfalo mostra o padrão clássico de acometimento temporal assimétrico com restrição à difusão.

Hipótese Diagnóstica Principal

Encefalite Herpética (HSV-1) — Confiança: 95%

  • Justificativa: O quadro clínico é a apresentação clássica da encefalite por Herpes Simplex Vírus tipo 1. O tropismo do vírus pelo lobo temporal explica a crise focal, as alterações comportamentais/confusão e os achados de imagem (hipersinal T2/FLAIR temporal assimétrico). O LCR com pleocitose linfocítica, glicose normal e presença de hemácias (indicando necrose hemorrágica do parênquima) corrobora fortemente o diagnóstico.
  • Diagnósticos Diferenciais

    Ordenados do mais letal/urgente ao menos grave:

    #DiagnósticoConfiançaAchados que FavorecemAchados que Afastam
    1Meningite Bacteriana Aguda15%Febre, sinais meníngeos, rebaixamento do sensório.LCR com predomínio linfocítico e glicose normal (relação > 0,5). RM com lesão parenquimatosa focal.
    2Meningoencefalite Tuberculosa10%Pleocitose linfocítica, febre, cefaleia.Evolução aguda (geralmente é subaguda), glicose normal no LCR, ausência de realce meníngeo basal na RM.
    3Encefalite Autoimune5%Crise convulsiva, alteração do sensório, acometimento temporal.Presença de febre alta, evolução muito aguda, ausência de pródromo psiquiátrico claro.
    4Outras Encefalites Virais5%LCR viral, febre, encefalopatia.Arboviroses, VZV ou Enterovírus raramente causam necrose temporal hemorrágica tão específica.
    Não Esqueça: Neurossífilis e Infecção aguda pelo HIV devem sempre ser descartadas em quadros de meningoencefalite em adultos jovens, embora a apresentação radiológica atual seja atípica para estas condições.

    Confirmação Diagnóstica

    Critérios Clínicos e Laboratoriais

  • O diagnóstico definitivo será dado pelo PCR para HSV-1 no LCR (padrão-ouro, sensibilidade > 95% e especificidade > 99%).
  • Atenção: O PCR pode ser falso-negativo nas primeiras 72 horas de sintomas. Se a suspeita clínica for muito alta e o primeiro PCR vier negativo, deve-se manter o tratamento e repetir a punção lombar em 3 a 7 dias.
  • Exames Complementares

    Imediatos (beira-leito):

  • Glicemia capilar: Já realizada (100 mg/dL), fundamental para validar a relação da glicose no LCR.
  • Eletroencefalograma (EEG): Solicitar com urgência. Buscar descargas epileptiformes lateralizadas periódicas (PLEDs) em região temporal, altamente sugestivas de encefalite herpética, além de descartar status epilepticus não convulsivo (paciente com Glasgow 11).
  • Laboratoriais:

  • Hemograma completo, Eletrólitos (Na, K, Mg, Ca), Função renal (Ureia, Creatinina) e Hepática (TGO, TGP, Bilirrubinas).
  • Sorologias: HIV (obrigatório), VDRL, Hepatites.
  • Hemoculturas (2 amostras).
  • Conduta Terapêutica

    Medidas Imediatas (Tempo 0)

  • MOV: Monitorização cardíaca contínua, oximetria de pulso, PNI.
  • Oxigenoterapia: O₂ suplementar apenas se SpO₂ < 94%.
  • Acesso Venoso: 2 acessos periféricos calibrosos.
  • Neuroproteção Básica: Cabeceira elevada a 30°, manter normotermia (antitérmicos se febre), normoglicemia e normoxemia.
  • Proteção de Via Aérea: Glasgow 11 exige vigilância contínua. Deixar material de intubação (IOT) à beira do leito. Se queda de Glasgow ≤ 8 ou nova crise convulsiva prolongada, proceder com IOT (Sequência Rápida de Intubação).
  • Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)

    ⚠️ ALERTA DE TEMPO CRÍTICO: O atraso no início do Aciclovir está diretamente associado a maior mortalidade e sequelas neurológicas graves. NÃO aguarde o resultado do PCR para iniciar o tratamento.

    MedicaçãoDoseViaPreparo/DiluiçãoTempoObservação
    1. Aciclovir (Zovirax®)10 mg/kgIVDiluir em 100-250 mL de SF 0,9% (concentração máx 7mg/mL).Infundir em 1 hora (rigoroso)1ª Linha absoluta. Infusão lenta previne nefropatia por cristais.
    2. Soro Fisiológico 0,9%500 - 1000 mLIVPuroCorrer junto ou antes do AciclovirHidratação vigorosa é mandatória para evitar lesão renal aguda pelo Aciclovir.
    3. Levetiracetam (Keppra®)1000 mg (Ataque)IVDiluir em 100 mL de SF 0,9%Infundir em 15 minProfilaxia secundária de crises. Preferível à Fenitoína por menor interação medicamentosa.
    *Alternativa:* Fenitoína (Hidantal®)15-20 mg/kgIVDiluir em 250 mL de SF 0,9% (NÃO usar SG 5%)Infundir a máx 50 mg/minMonitorar PA e FC (risco de hipotensão e arritmia).
    4. Ceftriaxona (Rocefin®)2 gIVDiluir em 100 mL de SF 0,9%Infundir em 30 minCobertura empírica bacteriana (opcional aqui, mas recomendada por guidelines até PCR/culturas negativas).

    Estratégia Definitiva

  • Terapia Antiviral: Manter Aciclovir 10 mg/kg IV de 8/8 horas por 14 a 21 dias.
  • Ajuste Renal: A dose do Aciclovir DEVE ser ajustada conforme o Clearance de Creatinina. Solicitar creatinina diária.
  • Controle de Edema Cerebral: O uso de corticosteroides (ex: Dexametasona) na encefalite herpética é controverso. Reserva-se para casos com evidência de hipertensão intracraniana grave, desvio de linha média ou risco de herniação na RM. No momento, não iniciar de rotina.
  • Avaliação de Resposta

  • Critérios de sucesso: Melhora do nível de consciência (Glasgow), resolução da febre, controle das crises convulsivas.
  • Sinais de falha/piora (Red Flags): Rebaixamento progressivo do sensório, anisocoria, bradicardia com hipertensão (Tríade de Cushing indicando herniação uncal pelo edema temporal), refratariedade das crises (Status Epilepticus).
  • Monitoramento Renal: Risco altíssimo de Lesão Renal Aguda (LRA) obstrutiva por cristalização do Aciclovir nos túbulos renais. Garantir débito urinário > 1 mL/kg/h.
  • Alertas Críticos

  • ⚠️ INTERAÇÃO MEDICAMENTOSA: Se optar por Fenitoína, lembre-se que ela é um forte indutor do CYP450. O Levetiracetam é a escolha mais segura no paciente com encefalite devido ao perfil farmacocinético limpo.
  • ⚠️ VIA DE ADMINISTRAÇÃO: O Aciclovir para encefalite herpética DEVE ser exclusivamente intravenoso (IV). A formulação oral não atinge nível no sistema nervoso central (SNC) suficiente para tratar encefalite.
  • Disposição e Acompanhamento

  • Destino: Internação imediata em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O paciente possui Glasgow 11, risco iminente de rebaixamento de via aérea, risco de status epilepticus e necessidade de monitorização neurológica horária.
  • Especialista: Solicitar avaliação da Neurologia (para acompanhamento do EEG e manejo de crises) e da Infectologia.
  • Precauções: Precauções padrão (HSV não requer isolamento respiratório ou de contato, a menos que haja lesões ativas disseminadas ou infecção neonatal, o que não é o caso).
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    *⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM), como os guidelines da Infectious Diseases Society of America (IDSA) para Encefalites, e não substitui o julgamento clínico presencial.*

    Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

    Encefalite herpética (HSV-1)

    Diferenciais esperados:
    • Meningite tuberculosa
    • Encefalite autoimune (anti-NMDA)
    • Abscesso cerebral temporal

    Avalie a Resposta do Assistente

    Acuracia Clinica
    Completude dos Diferenciais
    Adequacao Terapeutica
    Seguranca
    Qualidade do Function Calling
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    Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: