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Enxaqueca com aura (migrânea clássica) — Caso Estudante

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Apresentação Clínica

Mulher de 34 anos, cefaleia pulsátil unilateral direita há 12 horas, precedida por escotomas cintilantes por 20 minutos. Fotofobia, fonofobia, náuseas e vômitos. Piora com atividade física. Já teve episódios semelhantes mensais há 15 anos. Sem febre, sem rigidez de nuca, sem déficits focais. Exame neurológico normal. PA 110/70, FC 72, T 36.5°C, Glasgow 15.

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
07/04/2026 Disclaimer

Síntese do Caso

Mulher de 34 anos apresentando cefaleia pulsátil unilateral direita há 12 horas, associada a aura visual prévia (escotomas cintilantes por 20 min), fotofobia, fonofobia e vômitos. História prévia de crises idênticas há 15 anos. Exame físico e neurológico normais, sem sinais de alarme (red flags).

Hipótese Diagnóstica Principal

Enxaqueca com Aura (Migrânea com Aura) — Confiança: 99%

  • Justificativa: O quadro clínico preenche perfeitamente os critérios da ICHD-3 (Sociedade Internacional de Cefaleias) para migrânea com aura: episódios recorrentes, duração de 4-72h, dor unilateral pulsátil, piora com esforço, presença de náusea/vômito, foto/fonofobia, e aura visual típica (sintomas visuais positivos reversíveis durando entre 5 e 60 minutos) precedendo a cefaleia.
  • Fator tranquilizador: História de 15 anos de crises idênticas e exame neurológico normal afastam causas secundárias agudas.
  • Diagnósticos Diferenciais

    Ordenados do mais letal/urgente ao menos grave (método Rule Out):

    #DiagnósticoConfiançaAchados que FavorecemAchados que Afastam
    1Hemorragia Subaracnóidea (HSA)< 1%Cefaleia intensa, náuseas/vômitos.Início gradual (não é *thunderclap*), aura típica prévia, história de 15 anos, sem rigidez de nuca.
    2Trombose Venosa Cerebral (TVC)< 1%Cefaleia, alterações visuais, vômitos.Exame neurológico normal, padrão episódico crônico, aura clássica transitória.
    3Ataque Isquêmico Transitório (AIT)1%Déficit neurológico transitório (visual).Sintomas visuais positivos (escotomas) seguidos de cefaleia típica (AIT costuma ter sintomas negativos, ex: amaurose).
    4Meningite / Encefalite< 1%Cefaleia, fotofobia, vômitos.Afebril, sem rigidez de nuca, Glasgow 15, história prévia idêntica.
    Não Esqueça: Sempre avaliar os critérios SNNOOP10 (Sinais sistêmicos, Neoplasia, Déficit Neurológico, Início Súbito, Idade > 50, Mudança de Padrão, etc.) em toda cefaleia na emergência. Neste caso, a paciente é negativa para todos os sinais de alarme.

    Confirmação Diagnóstica

    Critérios Clínicos

  • Diagnóstico eminentemente CLÍNICO baseado na anamnese e exame neurológico normal.
  • Exames Complementares

  • Imediatos (beira-leito): Glicemia capilar (apenas para descartar hipoglicemia como trigger/causa de mal-estar).
  • Imagem (TC/RM de Crânio): NÃO INDICADOS neste momento. A paciente possui história crônica de crises idênticas e exame neurológico normal. A neuroimagem na emergência é reservada para cefaleias com sinais de alarme (red flags).
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    Conduta Terapêutica

    Medidas Imediatas (Tempo 0)

  • Acomodação: Repouso em quarto escuro e silencioso (controle de foto e fonofobia).
  • Acesso: Acesso venoso periférico (devido aos vômitos, a via oral é inadequada no momento por gastroparesia e risco de êmese da medicação).
  • Hidratação: Ringer Lactato ou SF 0,9% 500mL a 1000mL IV (paciente com vômitos, provável desidratação leve).
  • Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)

    *Terapia Abortiva de 1ª Linha (Via Parenteral)*

    MedicaçãoDoseViaPreparo/DiluiçãoTempoObservação
    Metoclopramida (Plasil®)10 mg (1 amp)IVDiluir em 100mL SF 0,9%Infundir em 15 minAntiemético e pró-cinético (melhora absorção de outras drogas). Risco de acatisia se feito em bolus rápido.
    Dipirona (Novalgina®)1 g (2 mL)IVDiluir em 100mL SF 0,9%Infundir em 15 minAnalgésico de primeira linha. Pode ser feito junto com a Metoclopramida.
    Cetoprofeno (Profenid®)100 mg (1 amp)IVDiluir em 100mL SF 0,9%Infundir em 20-30 minAINE. Excelente sinergismo com Dipirona.
    Dexametasona (Decadron®)4 a 10 mgIVBolus lento ou diluído em 50mL2-3 minNão aborta a crise atual, mas reduz em 26% a taxa de recorrência nas próximas 72h.

    Estratégia Definitiva

  • Objetivo: Abortar a crise de enxaqueca e prevenir o retorno ao pronto-socorro.
  • Alternativa se falha da 1ª linha (Triptanos - se a paciente tolerar VO após antiemético):
  • Sumatriptana (Sumax®) 50-100mg VO ou Naratriptana (Naramig®) 2,5mg VO.
  • *Contraindicações aos Triptanos:* Doença arterial coronariana, AVC/AIT prévio, hipertensão não controlada, uso de ergotamínicos nas últimas 24h.
  • Avaliação de Resposta

  • Critérios de sucesso: Redução da dor para intensidade leve ou zero em 1 a 2 horas; cessação dos vômitos.
  • Tempo de reavaliação: 60 minutos após o término das infusões.
  • Escalonamento (Terapia de Resgate - 2ª Linha): Se a dor persistir intensa após 1 hora:
  • Clorpromazina (Amplictil®) 0,1 mg/kg (aprox. 5-10 mg) IV diluído em 250mL de SF 0,9%, correr em 30-60 min. *Atenção: Fazer expansão volêmica prévia (500mL) pelo risco de hipotensão.*
  • OU Ácido Valproico (Depakene®) 500-1000 mg IV diluído em 100mL de SF 0,9% em 20 min.
  • Alertas Críticos

  • ⚠️ ALERTA FARMACOLÓGICO: NÃO PRESCREVER OPIOIDES (Tramadol, Morfina, Codeína). Opioides são contraindicados no tratamento de rotina da enxaqueca na emergência, pois têm baixa eficácia, aumentam o risco de cronificação, causam cefaleia por uso excessivo de analgésicos (rebound) e dificultam a resposta a tratamentos futuros.
  • ⚠️ ALERTA DE ACATISIA: A Metoclopramida IV rápida pode causar acatisia severa (agitação motora) ou distonia. Sempre diluir e infundir lentamente. Se ocorrer, tratar com Prometazina (Fenergan®) 25mg IM ou Biperideno (Akineton®) 2mg IM/IV.
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    Disposição e Acompanhamento

  • Destino: Alta hospitalar após melhora sintomática (geralmente após 2-3 horas de observação).
  • Prescrição de Alta:
  • Analgesia simples e AINEs para uso domiciliar se nova crise (ex: Naproxeno 500mg VO ou Ibuprofeno 600mg VO).
  • Orientar uso de Triptano (ex: Sumatriptana 50mg VO) no *início* das próximas crises (fase de aura ou início da dor).
  • Especialista: Encaminhar para ambulatório de Neurologia/Cefaliatria. Como a paciente tem crises mensais, pode ter indicação de terapia profilática (ex: Amitriptilina, Propranolol, Topiramato ou Valproato), a ser iniciada e titulada ambulatorialmente.
  • Orientações: Retornar ao PS se houver mudança no padrão da dor, febre, fraqueza motora ou dor refratária.
  • *⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*

    Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

    Enxaqueca com aura (migrânea clássica)

    Diferenciais esperados:
    • Cefaleia tensional
    • Cefaleia em salvas
    • Trombose venosa cerebral

    Avalie a Resposta do Assistente

    Acuracia Clinica
    Completude dos Diferenciais
    Adequacao Terapeutica
    Seguranca
    Qualidade do Function Calling
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    Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: