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Esclerodermia sistêmica limitada (CREST) com úlceras digitais isquêmicas e hipertensão arterial pulmonar — Caso Especialista

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Apresentação Clínica

Mulher 47 anos, esclerodermia sistêmica limitada (CREST) há 8 anos com esclerodactilia, fenômeno de Raynaud grave, telangiectasias faciais e calcinose subcutânea. Apresenta úlceras digitais isquêmicas recorrentes em polpas digitais de 2o e 3o dedos da mão direita, atualmente com necrose seca. Dispneia aos esforços moderados há 6 meses. PA 135x85 mmHg, FC 88bpm, SpO2 92% em AA. Anticorpo anti-centrômero 1:1280. Ecocardiograma: PSAP 55 mmHg (hipertensão pulmonar suspeita). DLCO 45% do previsto. Solicita manejo das úlceras digitais (iloprost, bosentan) e investigação de hipertensão arterial pulmonar.

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
07/04/2026 Disclaimer 1 flag(s)

Síntese do Caso

Mulher de 47 anos com Esclerodermia Sistêmica Limitada (CREST) de longa data, apresentando complicação isquêmica periférica grave (úlceras digitais ativas com necrose seca) e sinais clínicos, ecocardiográficos e funcionais (SpO₂ 92%, PSAP 55 mmHg, DLCO 45%) altamente sugestivos de Hipertensão Arterial Pulmonar (HAP).

Hipótese Diagnóstica Principal

Esclerodermia Sistêmica Limitada com Úlceras Digitais Isquêmicas e provável Hipertensão Arterial Pulmonar (HAP - Grupo 1)Confiança: 95%

  • Justificativa: A presença de anticorpo anti-centrômero em altos títulos é o marcador clássico da forma limitada (CREST). A queda isolada da DLCO (< 50%) desproporcional à espirometria, associada à dispneia e PSAP elevada no ecocardiograma, é a apresentação clássica da HAP associada à esclerodermia. As úlceras digitais refletem a vasculopatia obliterante grave característica da doença.
  • Diagnósticos Diferenciais

    Ordenados do mais letal/urgente ao menos grave:

    #DiagnósticoConfiançaAchados que FavorecemAchados que Afastam
    1Doença Pulmonar Intersticial (DPI)30%Dispneia, queda da DLCO, esclerodermia.Anti-centrômero (mais comum na forma difusa com anti-Scl70); ausência de estertores (não relatados).
    2Tromboembolismo Pulmonar Crônico (HPTEC)20%Dispneia, sinais de HP no eco.Ausência de história de TVP/TEP prévio relatada.
    3Osteomielite de falange40%Úlceras crônicas, necrose.Necrose descrita como "seca" (sem exsudato purulento ou flogose evidente).
    Não Esqueça: Crise Renal Esclerodérmica. Embora mais comum na forma difusa e com anti-RNA polimerase III, a paciente apresenta PA de 135x85 mmHg. Qualquer elevação abrupta da PA associada à piora da função renal deve acender alerta máximo.

    Confirmação Diagnóstica

    Critérios Clínicos

  • Critérios ACR/EULAR 2013 para Esclerodermia: Preenche com folga (espessamento cutâneo, telangiectasias, Raynaud, anti-centrômero, úlceras digitais).
  • Exames Complementares (por ordem de prioridade)

    Imediatos (beira-leito):

  • ECG de 12 derivações: Avaliar sobrecarga de VD (desvio do eixo para direita, padrão S1Q3T3, onda P *pulmonale*, BRD).
  • Radiografia de Mãos: Pesquisa de acro-osteólise e osteomielite subjacente às úlceras.
  • Laboratoriais e Imagem Avançada:

    *Indicação: Investigação de dispneia e HP na Esclerodermia.*

  • Cateterismo Cardíaco Direito (CCD): Padrão-ouro e OBRIGATÓRIO antes de iniciar terapia específica para HAP. Critérios diagnósticos (ESC/ERS 2022): PAPm > 20 mmHg, POAP ≤ 15 mmHg e RVP > 2 UW.
  • TC de Tórax de Alta Resolução (TCAR): Para descartar Doença Pulmonar Intersticial (DPI) significativa (Grupo 3 da OMS).
  • Cintilografia V/Q Pulmonar: Para descartar HPTEC (Grupo 4 da OMS).
  • Laboratório: BNP ou NT-proBNP (marcador prognóstico na HAP), Função renal e hepática (basal para início de Bosentana).
  • Conduta Terapêutica

    Medidas Imediatas (Tempo 0)

  • Aquecimento: Manter extremidades aquecidas (luvas), evitar exposição ao frio e estresse emocional.
  • Cuidados Locais: Manter a necrose seca limpa e seca. NÃO realizar desbridamento cirúrgico agressivo em necrose seca isquêmica sem delimitação ou infecção, pelo risco de ampliação da isquemia.
  • Analgesia: A dor isquêmica é excruciante. Iniciar analgesia potente.
  • Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)

    Foco no controle da dor e vasodilatação basal.

    MedicaçãoDoseViaPreparo/DiluiçãoTempoObservação
    Tramadol (Tramal®)50-100 mgVO/IVSe IV: diluir em 100mL SF 0,9%Correr em 20 minAnalgesia para dor isquêmica.
    Nifedipina Retard (Adalat Retard®)10-20 mg 12/12hVO-Imediato1ª linha para Raynaud. Titular até 60mg/dia se tolerado (cuidado com PA).
    Sildenafila (Revatio®, Viagra®)20 mg 3x/diaVO-ImediatoInibidor da PDE-5. Age no Raynaud, úlceras e HAP.

    Estratégia Definitiva (Manejo Específico Solicitado)

    1. Tratamento das Úlceras Digitais Ativas (Cicatrização):

    A paciente possui úlceras ativas com necrose. A terapia de escolha (EULAR) para *cicatrização* de úlceras refratárias é o análogo da prostaciclina IV.

  • Iloprosta (Ventavis® - *Nota: no Brasil, o Ventavis é inalatório para HAP, mas a formulação IV (Ilomedin®) é usada para úlceras em regime off-label/importação ou centros de referência*).
  • Dose: 0,5 a 2,0 mcg/kg/min IV.
  • Esquema: Infusão contínua por 6 horas diárias, durante 3 a 5 dias consecutivos.
  • Mecanismo: Potente vasodilatador e inibidor da agregação plaquetária.
  • 2. Prevenção de Novas Úlceras Digitais:

    O antagonista do receptor de endotelina é indicado para *prevenir* novas úlceras, não para cicatrizar as ativas.

  • Bosentana (Tracleer®) - Comprimidos 62,5mg e 125mg.
  • Dose inicial: 62,5 mg VO 2x/dia por 4 semanas.
  • Dose de manutenção: 125 mg VO 2x/dia.
  • Contraindicações: Gravidez (teratogênico), insuficiência hepática moderada/grave.
  • 3. Manejo da Hipertensão Arterial Pulmonar (HAP):

    *Atenção: Requer confirmação prévia por Cateterismo Cardíaco Direito.*

  • Uma vez confirmada a HAP Grupo 1, a terapia combinada inicial é o padrão-ouro (ESC/ERS 2022).
  • A combinação de Bosentana + Sildenafila abordará simultaneamente a HAP, a prevenção de novas úlceras e o fenômeno de Raynaud.
  • Avaliação de Resposta

  • Critérios de sucesso (Úlceras): Redução da dor em 48-72h (com Iloprosta), delimitação da necrose, surgimento de tecido de granulação nas bordas.
  • Critérios de sucesso (HAP): Melhora da classe funcional (OMS), aumento da distância no Teste de Caminhada de 6 Minutos (TC6M), queda do BNP.
  • Monitoramento de Segurança (Bosentana): É OBRIGATÓRIO solicitar transaminases (AST/ALT) mensalmente. Risco de hepatotoxicidade dose-dependente.
  • Alertas Críticos

  • ⚠️ ALERTA DE INTERAÇÃO (Bosentana + Sildenafila): A Bosentana é um indutor do CYP3A4 e reduz os níveis séricos da Sildenafila em até 50%, enquanto a Sildenafila aumenta os níveis da Bosentana. Apesar da interação, a combinação é amplamente utilizada na prática clínica reumatológica/pneumológica, mas requer vigilância hepática estrita e possível ajuste de dose da Sildenafila se não houver resposta clínica adequada.
  • ⚠️ ALERTA DE PROCEDIMENTO: Evite punções arteriais (gasometria) ou venosas periféricas nos membros superiores acometidos pelo Raynaud grave/úlceras, sob risco de vasoespasmo irreversível e perda do membro.
  • Disposição e Acompanhamento

  • Destino: Internação em Enfermaria de Clínica Médica / Reumatologia para analgesia venosa, início de terapia vasodilatadora IV (Iloprosta) e investigação acelerada da dispneia.
  • Especialistas: Acionar Reumatologia (manejo imunossupressor/vasodilatador) e Pneumologia/Cardiologia (para realização do Cateterismo Cardíaco Direito).
  • Reavaliação: Monitorar PA de perto ao associar Nifedipina + Sildenafila + Iloprosta (risco de hipotensão sinérgica severa).
  • *⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*

    Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

    Esclerodermia sistêmica limitada (CREST) com úlceras digitais isquêmicas e hipertensão arterial pulmonar

    Diferenciais esperados:
    • Vasculite crioglobulinêmica
    • Tromboangeíte obliterante
    • Embolia digital de colesterol
    • Síndrome do anticorpo antifosfolípide

    Avalie a Resposta do Assistente

    Acuracia Clinica
    Completude dos Diferenciais
    Adequacao Terapeutica
    Seguranca
    Qualidade do Function Calling
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    Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: