Esclerose múltipla recorrente-remitente (surto medular — critérios de McDonald 2017) — Caso Residente
Apresentação Clínica
Mulher de 32 anos, neurite óptica retrobulbar esquerda há 2 anos (tratada com pulsoterapia), agora apresenta fraqueza em MIE e urgência urinária há 10 dias. Exame: paraparesia (MIE 3/5, MID 4/5), Babinski bilateral, hiperreflexia, nível sensitivo em D10. RM de crânio mostra >9 lesões periventriculares T2/FLAIR hiperintensas, lesões justacorticais e infratentoriais. RM de medula mostra lesão medular em D8-D10 com realce ao gadolínio (lesão ativa). LCR: bandas oligoclonais positivas. PA 110/65, FC 70, Glasgow 15.
Síntese do Caso
Mulher de 32 anos com antecedente de neurite óptica há 2 anos, apresentando quadro agudo (10 dias) de síndrome medular (paraparesia assimétrica, nível sensitivo em D10, disfunção esfincteriana e piramidalismo). A ressonância magnética (RM) evidencia lesões desmielinizantes típicas no encéfalo e uma lesão medular ativa (captação de gadolínio). O LCR corrobora o processo imunológico no SNC com bandas oligoclonais (BOC) positivas. Paciente hemodinamicamente estável.
Hipótese Diagnóstica Principal
Esclerose Múltipla Remitente-Recorrente (EMRR) em Surto Agudo (Mielite Transversa) — Confiança: 99%
Diagnósticos Diferenciais
Ordenados do mais grave/urgente ao menos provável neste contexto:
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Espectro da Neuromielite Óptica (NMOSD) | 15% | Neurite óptica prévia, mielite aguda. | Lesões encefálicas típicas de EM; mielite da NMOSD costuma ser longitudinalmente extensa (>3 segmentos). |
| 2 | Doença Associada ao Anti-MOG (MOGAD) | 10% | Neurite óptica, mielite, acometimento esfincteriano. | RM de crânio com lesões periventriculares/justacorticais é atípica para MOGAD. |
| 3 | Mielite Infecciosa (Sífilis, HIV, HTLV) | 5% | Síndrome medular aguda/subaguda. | História prévia de neurite, padrão de lesões na RM, BOC exclusivas no LCR. |
| 4 | Doenças Reumatológicas (LES, Sjögren) | 5% | Mulher jovem, lesões no SNC. | Ausência de manifestações sistêmicas relatadas (artrite, rash, citopenias). |
Não Esqueça: NMOSD (Anti-AQP4 positivo). É o principal "red flag" a ser descartado, pois o uso de algumas terapias modificadoras de doença (DMTs) para Esclerose Múltipla (ex: Natalizumabe, Fingolimode, Alemtuzumabe) pode exacerbar gravemente a NMOSD.
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos
Exames Complementares
Laboratoriais (Sangue):
Imagem:
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Conduta Terapêutica
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Tratamento do Surto Agudo)
O objetivo imediato é reduzir a inflamação aguda e acelerar a recuperação neurológica. Afastar infecção ativa (ex: ITU) antes de iniciar.
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| Metilprednisolona (Solu-Medrol®) | 1 g/dia por 3 a 5 dias | IV | Diluir 1 ampola (1g) em 100-250 mL de SF 0,9% ou SG 5% | Infundir em 1 a 2 horas | 1ª Linha para surto. Monitorar PA e glicemia capilar 6/6h. |
| Ivermectina (Revectina®) | 200 mcg/kg/dia por 2 dias | VO | Comprimidos de 6mg | Dose única diária | Profilaxia para estrongiloidíase disseminada antes da pulsoterapia. |
| Omeprazol (Losec®) | 40 mg/dia | IV/VO | Ampola 40mg (reconstituir com diluente próprio) | Em bolus lento | Profilaxia de lesão gástrica associada a altas doses de corticoide. |
Estratégia Definitiva
A estratégia divide-se em duas fases: resolução do surto refratário e terapia modificadora de doença (DMT).
1. Se falha na Pulsoterapia (Resgate do Surto):
2. Terapia Modificadora de Doença (DMT) - Pós-alta:
3. Tratamento Sintomático (Urgência Urinária):
Avaliação de Resposta
Alertas Críticos
Disposição e Acompanhamento
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*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Esclerose múltipla recorrente-remitente (surto medular — critérios de McDonald 2017)
- Neuromielite óptica (NMOSD)
- Neurossarcoidose
- Encefalomielite disseminada aguda (ADEM)