emergencyResidente

Fasciíte necrosante de MIE (tipo 1 polimicrobiana) a partir de úlcera diabética com sepse grave — Caso Residente

Avaliacao mmed.pro· emergency 0 0 0

Apresentação Clínica

Paciente masculino, 58 anos, DM2 há 20 anos com neuropatia periférica e DAOP, chega ao PS com febre 39.5°C, taquicardia e dor intensa em MIE. Apresenta lesão em pé esquerdo (úlcera diabética que evoluiu com edema, crepitação à palpação, necrose de tecido subcutâneo e drenagem fétida purulenta/acastanhada em coxa distal). PA 85x50, FC 130, FR 26, SpO2 93%, T 39.5°C, Glasgow 14. Leucócitos 28.000, lactato 5.0, PCR 320, creatinina 2.5, glicemia 380, pH 7.28. Raio-X com gás em partes moles.

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
07/04/2026 Disclaimer 1 flag(s)

Síntese do Caso

Homem de 58 anos, diabético de longa data com DAOP, apresentando quadro de Choque Séptico (hipotensão, hiperlactatemia, rebaixamento de sensório, LRA) secundário a uma provável Infecção Necrosante de Partes Moles (INPM) em membro inferior esquerdo. A presença de crepitação, exsudato fétido e gás ao Raio-X configura uma emergência cirúrgica imediata com risco iminente de morte.

Hipótese Diagnóstica Principal

Fasciíte Necrosante / Gangrena Gasosa (Polimicrobiana) + Choque Séptico — Confiança: 99%

  • Justificativa: A tríade de dor intensa (frequentemente desproporcional no início, evoluindo para anestesia local por destruição nervosa), crepitação subcutânea e gás no Raio-X é patognomônica. O exsudato fétido e acastanhado ("dishwater pus") sugere infecção polimicrobiana envolvendo anaeróbios (ex: *Bacteroides*, *Clostridium*) e aeróbios, típica de úlceras de pé diabético complicadas.
  • **Score Clínico (LRINEC - *Laboratory Risk Indicator for Necrotizing Fasciitis*): Embora não tenhamos Hb e Na+, apenas com PCR > 150 (4 pts), Leucócitos > 25.000 (2 pts), Creatinina > 1.6 (2 pts) e Glicose > 180 (1 pt), o paciente já soma 9 pontos**.
  • *Interpretação:* Score ≥ 8 indica alto risco (> 75% de probabilidade) de INPM.
  • Diagnósticos Diferenciais

    #DiagnósticoConfiançaAchados que FavorecemAchados que Afastam
    1Síndrome do Choque Tóxico60%Choque profundo, febre alta, foco infeccioso cutâneo.A necrose tecidual e o gás são os problemas primários aqui, embora a toxemia coexista.
    2Isquemia Aguda de Membro (com infecção)40%Paciente com DAOP, dor intensa.Presença de febre alta, leucocitose extrema, gás e crepitação apontam para etiologia primariamente infecciosa/necrosante.
    3Celulite / Erisipela Grave5%Eritema, edema, febre.Gás no RX, crepitação e necrose excluem celulite simples.
    Não Esqueça: A infecção por *Clostridium perfringens* (Mionecrose por Clostridium) tem evolução fulminante em horas. A presença de DAOP e DM2 cria o ambiente de hipóxia tecidual perfeito para a proliferação de anaeróbios.

    ---

    Confirmação Diagnóstica

    ⚠️ O diagnóstico definitivo é CIRÚRGICO (visualização direta da fáscia necrótica). Não atrase a ida ao centro cirúrgico para realizar exames de imagem adicionais (como Tomografia ou Ressonância).

    Exames Complementares (Coleta Imediata)

    Imediatos (beira-leito):

  • Gasometria arterial com lactato (já realizada, manter seriada a cada 2-4h).
  • ECG de 12 derivações (avaliar isquemia secundária ao choque e distúrbios de K+ pela LRA).
  • Laboratoriais (Coletar junto com o 1º acesso):

  • Hemoculturas (2 amostras de sítios diferentes) ANTES do antibiótico.
  • Tipagem sanguínea e Prova Cruzada (reserva de concentrado de hemácias para a cirurgia).
  • Coagulograma completo (TAP/TTPA/Fibrinogênio) - risco de CIVD.
  • CPK (Creatinofosfoquinase) - avaliar extensão da mionecrose.
  • Imagem:

  • O Raio-X já confirmou gás. Nenhuma outra imagem é necessária no momento.
  • ---

    Conduta Terapêutica

    [Ver Protocolo: Surviving Sepsis Campaign 2021](protocol:ssc-2021)

    1. Medidas Imediatas (Tempo 0)

  • Sala de Emergência (Sala Vermelha).
  • MOV: Monitorização cardíaca contínua, Oximetria, PNI a cada 5 min.
  • Oxigenoterapia: Cateter nasal ou máscara não reinalante para manter SpO2 > 94%.
  • Acesso Venoso: 2 acessos periféricos calibrosos (14G ou 16G). Se impossível, acesso intraósseo imediato.
  • Ressuscitação Volêmica (Pacote de 1 hora): Iniciar Ringer Lactato 30 mL/kg em infusão rápida (correr em 1 a 3 horas). *Atenção: reavaliar congestão pulmonar frequentemente devido à idade e possível cardiopatia diabética.*
  • Acionamento Imediato: Equipe de Cirurgia Geral / Ortopedia / Cirurgia Vascular (conforme protocolo institucional para amputação/desbridamento de emergência).
  • 2. Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)

    A terapia empírica deve cobrir MRSA, Gram-negativos (incluindo *Pseudomonas*) e Anaeróbios, além de inibir a produção de toxinas.

    MedicaçãoDoseViaPreparo/DiluiçãoTempoObservação
    Meropenem (Meronem®)1gIVDiluir em 100mL SF 0,9%Correr em 30 minCobertura de Gram-negativos e anaeróbios. 1ª dose é cheia, ajustar depois pela LRA.
    Vancomicina (Vancocina®)25 a 30 mg/kg (Dose de Ataque)IVDiluir em 250-500mL SF 0,9%Correr em 1 a 2 horasCobertura para MRSA. Máx 10mg/min para evitar Síndrome do Homem Vermelho.
    Clindamicina (Dalacin®)600 a 900 mgIVDiluir em 100mL SF 0,9%Correr em 30 minCrucial: Efeito antitoxina (inibe síntese proteica de toxinas do *Strepto* e *Staphylo*).
    Noradrenalina (Hemitartarato)0,05 a 0,1 mcg/kg/minIV4 ampolas (16mg/16mL) + 234mL SG 5%Bomba de InfusãoIniciar se PAM < 65 mmHg durante ou após a ressuscitação volêmica inicial.
    Insulina RegularConforme protocoloIVBomba de infusão contínuaContínuoAlvo glicêmico: 140 - 180 mg/dL. Evitar hipoglicemia.

    3. Estratégia Definitiva

  • DESBRIDAMENTO CIRÚRGICO DE EMERGÊNCIA: É o único tratamento curativo. A sobrevida cai drasticamente a cada hora de atraso.
  • Critérios de indicação: Absoluta e imediata. O cirurgião deve ressecar todo o tecido necrótico até encontrar tecido sangrante e viável. Dada a extensão (coxa distal) e comorbidades (DAOP), a amputação do membro é altamente provável para controle do foco.
  • Cultura Intraoperatória: Solicitar ao cirurgião coleta de fragmentos de tecido profundo/fáscia (não usar swab de superfície) para cultura de aeróbios, anaeróbios e fungos.
  • 4. Avaliação de Resposta

  • Critérios de sucesso hemodinâmico: PAM ≥ 65 mmHg, clareamento do lactato (queda > 20% em 2-4h), débito urinário ≥ 0,5 mL/kg/h, melhora do nível de consciência.
  • Sinais de falha/piora: Necessidade crescente de vasopressores (indica não controle do foco), refratariedade do choque.
  • Escalonamento: Se choque refratário à Noradrenalina, associar Vasopressina 0,03 U/min. Considerar Hidrocortisona 200mg/dia (50mg IV 6/6h) se suspeita de insuficiência adrenal relativa.
  • 5. Alertas Críticos

  • ⚠️ ALERTA DE TEMPO CRÍTICO: A mortalidade da fasciíte necrosante com choque séptico aproxima-se de 100% sem intervenção cirúrgica. O antibiótico não penetra no tecido necrótico/isquêmico.
  • ⚠️ ALERTA FARMACOLÓGICO: A Clindamicina não é usada aqui primariamente como bactericida, mas pelo seu efeito de desligar os ribossomos bacterianos, cessando a produção de toxinas que causam o choque e a necrose tecidual.
  • ---

    Disposição e Acompanhamento

  • Destino: Centro Cirúrgico IMEDIATO $\rightarrow$ UTI no pós-operatório.
  • Especialista: Acionamento imediato da Cirurgia.
  • Reavaliação: O paciente frequentemente necessita de "Second Look" cirúrgico em 24-48 horas para reavaliar a progressão da necrose e ampliar o desbridamento, se necessário.
  • *⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*

    Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

    Fasciíte necrosante de MIE (tipo 1 polimicrobiana) a partir de úlcera diabética com sepse grave

    Diferenciais esperados:
    • Celulite complicada
    • Gangrena gasosa (Clostridium)
    • Mionecrose
    • Osteomielite

    Avalie a Resposta do Assistente

    Acuracia Clinica
    Completude dos Diferenciais
    Adequacao Terapeutica
    Seguranca
    Qualidade do Function Calling
    0

    Discussao (0)

    0/2000
    Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: