Fibrilação atrial paroxística em seguimento — anticoagulação adequada (CHA2DS2-VASc ≥2), considerar estratégia de controle de ritmo (pill-in-pocket ou antiarrítmico) — Caso Estudante
Apresentação Clínica
Paciente feminina, 68 anos, FA paroxística diagnosticada há 6 meses (2 episódios documentados revertidos espontaneamente), HAS controlada e hipotireoidismo em reposição. Em uso de rivaroxabana 20mg/d, bisoprolol 2.5mg/d e levotiroxina 75mcg/d. Procura cardiologista para seguimento. Assintomática. PA 130x80, FC 70 regular, FR 16, SpO2 98%, T 36.5°C, Glasgow 15. ECG atual: ritmo sinusal, FC 70, PR 160ms, QRS 90ms, eixo 30°, sem alterações de repolarização. ECO: FEVE 60%, AE 42mm (levemente dilatado). TSH 2.5 (normal). CHA2DS2-VASc: 3 (sexo feminino, >65, HAS). HAS-BLED: 1.
Síntese do Caso
Paciente feminina, 68 anos, assintomática, em seguimento ambulatorial por Fibrilação Atrial (FA) paroxística, HAS e hipotireoidismo. Atualmente em ritmo sinusal, com frequência cardíaca controlada (FC 70 bpm) e normotensa. Risco tromboembólico alto (CHA2DS2-VASc = 3) e risco de sangramento baixo (HAS-BLED = 1). Em uso de anticoagulação direta (DOAC) e betabloqueador.
Hipótese Diagnóstica Principal
Fibrilação Atrial Paroxística (Estável / Ritmo Sinusal) — Confiança: 100%
Diagnósticos Diferenciais / Riscos Evolutivos
Como a paciente está assintomática, o raciocínio de exclusão (Rule Out) foca na detecção de progressão silenciosa da doença ou complicações do tratamento:
| # | Risco/Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Progressão para FA Persistente | 30% | AE levemente dilatado (42mm) | Assintomática, ECG atual em ritmo sinusal |
| 2 | Disfunção Renal Oculta (Risco DOAC) | 20% | Idade (68 anos), HAS crônica | Ausência de edemas, HAS bem controlada |
| 3 | Taquicardiomiopatia | 5% | História de FA | FEVE preservada (60%), FC controlada (70 bpm) |
Não Esqueça: Disfunção renal assintomática. A dose de 20mg de Rivaroxabana exige *Clearance* de Creatinina (ClCr) > 50 mL/min. O declínio da função renal relacionado à idade e HAS pode expor a paciente a risco hemorrágico se a dose não for ajustada.
Confirmação Diagnóstica e Seguimento
Critérios Clínicos
Exames Complementares (Rotina Ambulatorial)
Laboratoriais:
Cardiológicos:
Conduta Terapêutica
Medidas Imediatas (Manutenção Ambulatorial)
Medicações Atuais e Otimização (Via ABC)
| Medicação | Dose Atual | Via | Observação / Instrução ao Paciente |
|---|---|---|---|
| Rivaroxabana (Xarelto®, Varelto) | 20mg 1x/dia | VO | Obrigatório tomar junto com a principal refeição (aumenta biodisponibilidade em 39%). |
| Bisoprolol (Concor®, Iccor) | 2.5mg 1x/dia | VO | Dose excelente. Mantém FC na meta (estrita < 80 bpm; leniente < 110 bpm). |
| Levotiroxina (Puran T4®, Synthroid) | 75mcg 1x/dia | VO | Manter jejum de 30-60 min antes do café da manhã. TSH na meta. |
Estratégia Definitiva e Escalonamento
Avaliação de Resposta e Alertas Críticos
Disposição e Acompanhamento
*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM - ESC 2024 / SBC) e não substitui o julgamento clínico presencial. A dose do anticoagulante deve ser validada com o Clearance de Creatinina atualizado da paciente.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Fibrilação atrial paroxística em seguimento — anticoagulação adequada (CHA2DS2-VASc ≥2), considerar estratégia de controle de ritmo (pill-in-pocket ou antiarrítmico)
- Flutter atrial paroxístico
- Taquicardia atrial paroxística
- FA como manifestação de hipotireoidismo subclínico