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Fissura anal aguda posterior — Caso Estudante

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Apresentação Clínica

Mulher de 34 anos, dor anal intensa cortante durante e após evacuações há 2 semanas, sangue vivo em pequena quantidade no papel. Constipação crônica funcional. Ao exame: fissura linear na linha média posterior do canal anal com hipertonia esfincteriana, plicoma sentinela. Sem sinais de abscesso ou fístula. PA 115/70, FC 72, T 36.5°C.

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
07/04/2026 Disclaimer

Síntese do Caso

Paciente feminina, 34 anos, apresentando quadro de proctalgia intensa associada à evacuação e hematoquezia discreta há 2 semanas. Exame físico evidencia fissura anal em linha média posterior, hipertonia esfincteriana e plicoma sentinela, sem sinais de infecção purulenta. Sinais vitais estáveis.

Hipótese Diagnóstica Principal

Fissura Anal Crônica Agudizada — Confiança: 95%

  • Justificativa: A apresentação é clássica. A tríade de dor anal cortante à evacuação, sangramento vivo no papel e hipertonia esfincteriana sela o diagnóstico. A localização na linha média posterior ocorre em 90% dos casos (devido à menor perfusão sanguínea na comissura posterior). A presença de plicoma sentinela indica que o processo já possui um componente de cronicidade (geralmente > 6-8 semanas de evolução intermitente), mesmo que a exacerbação atual tenha 2 semanas.
  • Diagnósticos Diferenciais

    #DiagnósticoConfiançaAchados que FavorecemAchados que Afastam
    1Abscesso Anorretal5%Dor anal intensa.Ausência de abaulamento, flutuação, hiperemia perianal ou febre.
    2Doença Hemorroidária10%Sangramento vivo, plicoma (pode ser confundido com mamilo).Dor intensa cortante (hemorroida interna só dói se trombosada/estrangulada, o que seria visível).
    3Doença de Crohn5%Fissura anal, constipação/alteração de hábito.Fissuras de Crohn costumam ser múltiplas, laterais, indolores e sem hipertonia.
    4Infecções (Sífilis/Herpes)2%Úlcera anal.Geralmente múltiplas, laterais, associadas a linfadenopatia inguinal.
    Não Esqueça: Fissuras localizadas fora da linha média (laterais) ou múltiplas são "red flags" e obrigam a investigação de Doença de Crohn, HIV, Sífilis, Tuberculose ou Neoplasia Anal.

    Confirmação Diagnóstica

    Critérios Clínicos

  • O diagnóstico é eminentemente clínico através da inspeção perianal cuidadosa com afastamento das nádegas.
  • ⚠️ CONTRAINDICADO no momento: Toque retal e anoscopia. São extremamente dolorosos na fase aguda com hipertonia e não agregam valor imediato, podendo causar trauma adicional.
  • Exames Complementares

  • Imediatos: Nenhum exame laboratorial ou de imagem é necessário na urgência para este quadro típico.
  • Ambulatoriais: Colonoscopia indicada apenas após a cicatrização da fissura, e somente se houver sinais de alarme (perda de peso, sangramento persistente, história familiar de câncer colorretal), o que não parece ser o caso.
  • Conduta Terapêutica

    Medidas Imediatas (Tempo 0)

  • Posicionamento: Decúbito lateral esquerdo (posição de Sims) para inspeção, garantindo privacidade e conforto.
  • Orientações: Tranquilizar a paciente de que não se trata de patologia maligna e explicar a relação da dor com o espasmo do esfíncter.
  • Medida Física: Orientar Banhos de Assento com água morna (não quente) por 10-15 minutos, 3 a 4 vezes ao dia e após cada evacuação. O calor local promove relaxamento do esfíncter anal interno e alívio imediato da dor.
  • Medicações Iniciais (Prescrição de Alta)

    O tratamento baseia-se no tripé: Esfincterotomia química (relaxamento) + Analgesia + Correção do hábito intestinal.

    MedicaçãoDoseViaPreparo/DuraçãoObservação
    1. Diltiazem 2% (Pomada manipulada)1 aplicaçãoTópicaAplicar na borda anal 2x/dia por 6 a 8 semanas.1ª Linha (Esfincterotomia química). Menos cefaleia que nitratos.
    2. Lidocaína 2% ou 5% (Geleia/Pomada)1 aplicaçãoTópicaAplicar 10 min antes de evacuar.Pode ser manipulada junto com o Diltiazem.
    3. Macrogol 3350 (PEG 4000 / Muvinlax®)14g (1 sachê)VODiluir em água, 1 a 2x/dia.Laxante osmótico. Meta: fezes pastosas (Bristol 4).
    4. Psyllium (Metamucil® / Plantago)5-7g (1 colher)VODiluir em 200mL de água, 1 a 2x/dia.Fibra solúvel. Exige ingesta hídrica > 2L/dia.
    5. Ibuprofeno (Alivium®)400mgVO8/8h por 3 a 5 dias.Analgesia de resgate para a fase aguda.
    6. Dipirona (Novalgina®)1gVO6/6h se dor.Analgesia simples adjuvante.

    *Nota Farmacológica:* Como alternativa ao Diltiazem 2%, pode-se usar Nifedipina 0,2% pomada ou Dinitrato de Isossorbida 0,2% (Isordil® pomada) ou Nitroglicerina 0,2% (Rectogesic®). Os nitratos causam cefaleia limitante em até 30% dos pacientes, por isso os bloqueadores de canal de cálcio (Diltiazem/Nifedipina) são preferíveis.

    Estratégia Definitiva

  • Tratamento Conservador: A taxa de cicatrização com o manejo acima (fibras + banho de assento + diltiazem tópico) é de aproximadamente 50-60% em fissuras crônicas e >80% em agudas.
  • Critérios de Falha: Persistência da dor e não cicatrização após 6 a 8 semanas de tratamento clínico otimizado.
  • Escalonamento (2ª Linha): Injeção local de Toxina Botulínica (Botox) no esfíncter anal interno.
  • Tratamento Cirúrgico (3ª Linha): Esfincterotomia Interna Lateral (EIL). Padrão-ouro para casos refratários (cura >95%), mas reservada devido ao risco de incontinência fecal leve (flatos/líquidos) em até 10% dos casos, especialmente em mulheres multíparas.
  • Avaliação de Resposta

  • Critérios de sucesso: Cessação do sangramento, alívio da dor e cicatrização da úlcera (epitelização).
  • Sinais de falha/piora: Dor refratária, febre, abaulamento perianal (sugere evolução para abscesso).
  • Tempo de reavaliação: Retorno ambulatorial em 4 a 6 semanas.
  • Disposição e Acompanhamento

  • Destino: Alta hospitalar.
  • Especialista: Encaminhar para acompanhamento ambulatorial com Coloproctologia ou Cirurgia Geral.
  • Orientações de Alta (Higiene): Suspender o uso de papel higiênico. Orientar higiene perianal apenas com ducha higiênica ou lenços umedecidos sem álcool/perfume, secando com toalha macia por compressão (sem esfregar).
  • Dieta: Aumentar ingesta hídrica (mínimo 2,5L a 3L/dia) e dieta rica em fibras (frutas com casca, mamão, aveia, vegetais folhosos).
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    *⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM - ASCRS Clinical Practice Guidelines for the Management of Anal Fissures) e não substitui o julgamento clínico presencial.*

    Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

    Fissura anal aguda posterior

    Diferenciais esperados:
    • Doença de Crohn perianal
    • Carcinoma espinocelular de canal anal
    • Úlcera por IST (sífilis/herpes)

    Avalie a Resposta do Assistente

    Acuracia Clinica
    Completude dos Diferenciais
    Adequacao Terapeutica
    Seguranca
    Qualidade do Function Calling
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    Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: