Fissura anal aguda posterior — Caso Estudante
Apresentação Clínica
Mulher de 34 anos, dor anal intensa cortante durante e após evacuações há 2 semanas, sangue vivo em pequena quantidade no papel. Constipação crônica funcional. Ao exame: fissura linear na linha média posterior do canal anal com hipertonia esfincteriana, plicoma sentinela. Sem sinais de abscesso ou fístula. PA 115/70, FC 72, T 36.5°C.
Síntese do Caso
Paciente feminina, 34 anos, apresentando quadro de proctalgia intensa associada à evacuação e hematoquezia discreta há 2 semanas. Exame físico evidencia fissura anal em linha média posterior, hipertonia esfincteriana e plicoma sentinela, sem sinais de infecção purulenta. Sinais vitais estáveis.
Hipótese Diagnóstica Principal
Fissura Anal Crônica Agudizada — Confiança: 95%
Diagnósticos Diferenciais
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Abscesso Anorretal | 5% | Dor anal intensa. | Ausência de abaulamento, flutuação, hiperemia perianal ou febre. |
| 2 | Doença Hemorroidária | 10% | Sangramento vivo, plicoma (pode ser confundido com mamilo). | Dor intensa cortante (hemorroida interna só dói se trombosada/estrangulada, o que seria visível). |
| 3 | Doença de Crohn | 5% | Fissura anal, constipação/alteração de hábito. | Fissuras de Crohn costumam ser múltiplas, laterais, indolores e sem hipertonia. |
| 4 | Infecções (Sífilis/Herpes) | 2% | Úlcera anal. | Geralmente múltiplas, laterais, associadas a linfadenopatia inguinal. |
Não Esqueça: Fissuras localizadas fora da linha média (laterais) ou múltiplas são "red flags" e obrigam a investigação de Doença de Crohn, HIV, Sífilis, Tuberculose ou Neoplasia Anal.
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos
Exames Complementares
Conduta Terapêutica
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Prescrição de Alta)
O tratamento baseia-se no tripé: Esfincterotomia química (relaxamento) + Analgesia + Correção do hábito intestinal.
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Duração | Observação |
|---|---|---|---|---|
| 1. Diltiazem 2% (Pomada manipulada) | 1 aplicação | Tópica | Aplicar na borda anal 2x/dia por 6 a 8 semanas. | 1ª Linha (Esfincterotomia química). Menos cefaleia que nitratos. |
| 2. Lidocaína 2% ou 5% (Geleia/Pomada) | 1 aplicação | Tópica | Aplicar 10 min antes de evacuar. | Pode ser manipulada junto com o Diltiazem. |
| 3. Macrogol 3350 (PEG 4000 / Muvinlax®) | 14g (1 sachê) | VO | Diluir em água, 1 a 2x/dia. | Laxante osmótico. Meta: fezes pastosas (Bristol 4). |
| 4. Psyllium (Metamucil® / Plantago) | 5-7g (1 colher) | VO | Diluir em 200mL de água, 1 a 2x/dia. | Fibra solúvel. Exige ingesta hídrica > 2L/dia. |
| 5. Ibuprofeno (Alivium®) | 400mg | VO | 8/8h por 3 a 5 dias. | Analgesia de resgate para a fase aguda. |
| 6. Dipirona (Novalgina®) | 1g | VO | 6/6h se dor. | Analgesia simples adjuvante. |
*Nota Farmacológica:* Como alternativa ao Diltiazem 2%, pode-se usar Nifedipina 0,2% pomada ou Dinitrato de Isossorbida 0,2% (Isordil® pomada) ou Nitroglicerina 0,2% (Rectogesic®). Os nitratos causam cefaleia limitante em até 30% dos pacientes, por isso os bloqueadores de canal de cálcio (Diltiazem/Nifedipina) são preferíveis.
Estratégia Definitiva
Avaliação de Resposta
Disposição e Acompanhamento
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*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM - ASCRS Clinical Practice Guidelines for the Management of Anal Fissures) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Fissura anal aguda posterior
- Doença de Crohn perianal
- Carcinoma espinocelular de canal anal
- Úlcera por IST (sífilis/herpes)