Flutter atrial típico (istmo-dependente) com condução 2:1 — frequência ventricular 150bpm (clássica), necessita anticoagulação (mesmos critérios de FA) e controle de frequência/ritmo — Caso Estudante
Apresentação Clínica
Paciente masculino, 75 anos, HAS e ICC (FEVE 42%), refere palpitações regulares e dispneia progressiva há 1 mês. PA 130x80, FC 150 regular, FR 22, SpO2 93%, T 36.5°C, Glasgow 15. ECG: taquicardia regular com FC 150bpm, ondas de flutter (dentes de serra) em DII-DIII-aVF e V1 com condução AV 2:1 (FC atrial 300bpm), QRS estreito. Resposta ventricular fixa 150bpm. CHA2DS2-VASc: 3. ECO prévio: FEVE 42%, AE 46mm.
Síntese do Caso
Paciente masculino, 75 anos, portador de HAS e ICC (FEVE 42%), apresentando palpitações e dispneia progressiva há 1 mês. Hemodinamicamente estável (Glasgow 15, PA 130x80). ECG evidencia taquicardia de QRS estreito com ondas "em dente de serra" nas derivações inferiores e resposta ventricular fixa a 150 bpm, padrão patognomônico de Flutter Atrial com condução AV 2:1.
Hipótese Diagnóstica Principal
Flutter Atrial Típico com Condução AV 2:1 (Estável) — Confiança: 100%
Diagnósticos Diferenciais
Ordenados do mais letal/urgente ao menos grave:
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Fibrilação Atrial (FA) de alta resposta | 0% | Fatores de risco idênticos (HAS, ICC, idade). | FA é caracteristicamente irregular. O ECG atual tem resposta ventricular fixa (150 bpm) e ondas F organizadas. |
| 2 | Taquicardia por Reentrada Nodal (TRN) | 5% | QRS estreito, FC em torno de 150 bpm. | Ausência de ondas F; TRN não costuma ter bloqueio AV 2:1 fixo. |
| 3 | Taquicardia Atrial Focal | 10% | Pode cursar com bloqueio AV 2:1. | Ondas P têm morfologia diferente, sem o padrão contínuo "em serra" do Flutter. |
Não Esqueça: Em todo paciente com Flutter Atrial 2:1 e FC fixa em 150 bpm, a administração inadvertida de antiarrítmicos puros (ex: Propafenona, Amiodarona) sem bloqueio prévio do nó AV pode lentificar a frequência atrial para ~200 bpm. Isso permite uma condução AV 1:1 paradoxal, resultando em instabilidade hemodinâmica grave (FC ventricular saltando para 200 bpm).
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos
Exames Complementares (por ordem de prioridade)
*Pedido gerado via integração TUSS:*
Conduta Terapêutica
[Ver Protocolo: ACLS - Taquicardia Estável](protocol:acls-protocols)
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)
Objetivo: Controle de Frequência Cardíaca (FC) e Anticoagulação Plena.
*Nota: Como a FEVE é 42% (IC com fração de ejeção levemente reduzida), os Betabloqueadores são a 1ª linha. Bloqueadores de Canal de Cálcio não-diidropiridínicos (Diltiazem/Verapamil) devem ser evitados pelo efeito inotrópico negativo.*
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| 1. Metoprolol (Tartarato) (Seloken®) | 5 mg | IV | Ampola (5mg/5mL). Sem diluição. | Em 1-2 min | Pode repetir a cada 5 min até máx 15 mg. Monitorar PA a cada dose. |
| 2. Apixabana (Eliquis®) | 5 mg | VO | Comprimido 5mg. | 12/12h | Iniciar IMEDIATAMENTE. Dose plena (não preenche critérios para redução para 2,5mg). |
| *Resgate:* Digoxina (Lanoxin®) | 0,25 a 0,5 mg | IV | Ampola (0,5mg/2mL). Diluir em 10mL SF 0,9%. | Lento (10 min) | 2ª linha se hipotensão com betabloqueador ou refratariedade. |
Estratégia Definitiva
Avaliação de Resposta
Alertas Críticos
Disposição e Acompanhamento
*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Flutter atrial típico (istmo-dependente) com condução 2:1 — frequência ventricular 150bpm (clássica), necessita anticoagulação (mesmos critérios de FA) e controle de frequência/ritmo
- FA com resposta ventricular regular
- Taquicardia atrial com condução 2:1
- TSV com condução 2:1