traumaEspecialista

Fratura em burst de L1 com síndrome do cone medular + fraturas bilaterais de calcâneo (Don Juan fracture) — Caso Especialista

Avaliacao mmed.pro· trauma 0 0 0

Apresentação Clínica

Homem 30 anos, queda de parapente de aproximadamente 15 metros, aterrissou em pé. Glasgow 15, PA 130x80 mmHg, FC 95bpm. Dor intensa em calcanhares bilateralmente e em coluna lombar. Fraturas de calcâneo bilaterais em TC (Sanders tipo III bilateral). RX coluna: fratura em burst de L1 com perda de 50% da altura do corpo vertebral, recuo de muro posterior 30%, ângulo de cifose 25°. TC coluna: fragmento retropulsado comprimindo cone medular. Exame neurológico: força 4/5 em dorsiflexão bilateral dos pés, hipoestesia em sela, reflexo anal ausente. Bexigoma palpável. Solicita classificação TLICS, indicação cirúrgica e prognóstico da síndrome do cone medular.

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
07/04/2026 Disclaimer

Este é um caso clássico de trauma axial de alta energia (Síndrome de Don Juan), resultando em fraturas de calcâneo associadas a fratura toracolombar. O paciente apresenta um quadro agudo de Síndrome do Cone Medular secundário à fratura em explosão (burst) de L1.

Abaixo, respondo diretamente às suas solicitações (TLICS, indicação e prognóstico), seguidas do plano de ação sequencial para a beira do leito.

---

1. Classificação TLICS (Thoracolumbar Injury Classification and Severity Score)

O escore TLICS define a conduta baseada em três eixos. Para este paciente:

1. Morfologia da Lesão: Fratura em explosão (*Burst*) = 2 pontos

2. Status Neurológico: Lesão medular incompleta / Síndrome do Cone Medular = 3 pontos

3. Complexo Ligamentar Posterior (CLP): A cifose de 25° e a perda de 50% da altura sugerem fortemente lesão do CLP. Mesmo sem RM, radiograficamente é classificado como suspeito/indeterminado (2 pontos) ou roto (3 pontos). Vamos considerar suspeito = 2 pontos

Pontuação Total TLICS = 7 pontos

*(Nota: Qualquer pontuação $\ge$ 5 indica tratamento cirúrgico).*

2. Indicação Cirúrgica

A indicação cirúrgica é ABSOLUTA e de URGÊNCIA.

Os critérios de indicação presentes neste caso são:

* Neurológico: Déficit neurológico agudo e progressivo (Síndrome do Cone Medular com bexigoma e anestesia em sela). A descompressão precoce (< 24 horas) é o fator modificável mais importante para a recuperação.

* Mecânico: Instabilidade biomecânica grave. Critérios de instabilidade de White & Panjabi presentes: cifose > 20° (tem 25°), perda de altura do corpo vertebral > 50% e retropulsão de fragmento > 30% com comprometimento do canal.

3. Prognóstico da Síndrome do Cone Medular

O cone medular (geralmente situado entre T12-L2) contém os segmentos medulares sacrais e as raízes lombares descendentes. A lesão apresenta um quadro misto de neurônio motor superior e inferior.

* Recuperação Motora (Membros Inferiores): O prognóstico para as raízes lombares (força de dorsiflexão L4/L5) é razoável a bom se a descompressão for rápida, pois as raízes da cauda equina adjacentes têm maior resiliência à isquemia que a medula em si.

* Recuperação Esfincteriana (Bexiga/Intestino): O prognóstico é reservado a ruim. O controle esfincteriano e a função sexual (raízes S2-S4) dependem do cone medular (SNC), que tem baixíssima capacidade de regeneração. A persistência de bexiga neurogênica (arreflexa inicialmente, podendo evoluir para hiperreflexa) é uma sequela comum.

---

Conduta Terapêutica Sequencial

Medidas Imediatas (Tempo 0)

* Restrição de Movimento da Coluna (RMC): Manter decúbito dorsal em prancha rígida (apenas para transporte) ou colchão firme. Rolamento em bloco estrito.

* Descompressão Vesical: Passagem IMEDIATA de Sonda Vesical de Demora (SVD). O bexigoma agudo causa distensão excessiva do músculo detrusor, o que pode piorar o prognóstico de recuperação vesical a longo prazo.

* Preparo Pré-operatório: Jejum, tipagem sanguínea, coagulograma, reserva de concentrado de hemácias (cirurgias de coluna podem sangrar significativamente).

* Avaliação Ortopédica: Elevação dos membros inferiores e imobilização suropodálica provisória (talas) para os calcâneos, com crioterapia para controle do edema (prevenção de flictenas e síndrome compartimental do pé).

Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)

MedicaçãoDoseViaPreparo/DiluiçãoTempoObservação
Fentanil1-2 mcg/kgIVPuro (Ampola 50mcg/mL)Bolus lentoAnalgesia imediata para dor intensa.
Ondansetrona4-8 mgIVPuro (Ampola 2mg/mL)BolusPrevenção de náuseas/vômitos induzidos por opioides.
Dipirona1gIVDiluir em 10mL ADCorrer em 3 minAnalgesia adjuvante (poupador de opioide).

*⚠️ ALERTA SOBRE CORTICOIDES (Metilprednisolona): De acordo com as diretrizes atuais do ATLS (11ª ed) e da AANS/CNS (American Association of Neurological Surgeons), o uso de altas doses de metilprednisolona (Protocolo NASCIS) NÃO é mais recomendado de rotina para trauma raquimedular agudo devido ao alto risco de complicações (sepse, pneumonia, sangramento TGI) sem benefício motor comprovado a longo prazo. A decisão de uso deve ser estritamente institucional e discutida com a equipe de neurocirurgia.*

Estratégia Definitiva

1. Neurocirurgia / Ortopedia de Coluna (Prioridade 1):

* Procedimento: Laminectomia descompressiva posterior + Artrodese com fixação por parafusos pediculares (geralmente 2 níveis acima e 2 abaixo da lesão, ex: T11-L3).

* Janela Terapêutica: Idealmente < 24 horas do trauma para maximizar a chance de recuperação neurológica.

2. Ortopedia (Prioridade 2):

* Procedimento: Redução Aberta e Fixação Interna (RAFI) dos calcâneos (Sanders III).

* Timing: Geralmente postergado (7 a 14 dias) até a melhora do edema de partes moles e o aparecimento do "sinal da ruga" (wrinkle sign), para evitar deiscência de ferida e necrose de pele.

Avaliação de Resposta e Monitorização

* Alvo Hemodinâmico: Manter PAM > 85-90 mmHg nos primeiros 7 dias para garantir a perfusão medular (evitar isquemia secundária do cone). Se necessário, iniciar vasopressor (Noradrenalina).

* Prevenção de TVP/TEP: Iniciar profilaxia mecânica (compressão pneumática intermitente) imediatamente. Profilaxia química (Enoxaparina 40mg SC/dia) deve ser iniciada 24-48h após a cirurgia da coluna, desde que não haja sangramento ativo ou hematoma epidural em expansão.

*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*

Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

Fratura em burst de L1 com síndrome do cone medular + fraturas bilaterais de calcâneo (Don Juan fracture)

Diferenciais esperados:
  • Síndrome da cauda equina
  • Fratura de L1 estável sem déficit
  • Fratura patológica

Avalie a Resposta do Assistente

Acuracia Clinica
Completude dos Diferenciais
Adequacao Terapeutica
Seguranca
Qualidade do Function Calling
0

Discussao (0)

0/2000
Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: