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Fratura pélvica instável (APC III / open book) com choque hemorrágico refratário — Caso Residente

Avaliacao mmed.pro· trauma 0 0 0

Apresentação Clínica

Homem 48 anos, atropelado por veículo a 60km/h com impacto direto sobre pelve e membros inferiores. Glasgow 15, PA 75x40 mmHg, FC 140bpm, FR 24irpm, SpO2 95%, T 35,5°C. Instabilidade pélvica à compressão AP e lateral. Hematoma perineal extenso. Sangue no meato uretral. Toque retal: próstata elevada. FAST: líquido em pelve. RX pelve AP: fratura do anel pélvico tipo C (APC III) com diástase de sínfise púbica > 5cm e fratura sacroilíaca posterior. Lençol pélvico aplicado. Após 2L cristaloide + 2CH: PA 80x50 mmHg. Lactato 6,2 mmol/L. Solicita protocolo de hemorragia pélvica.

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
07/04/2026 Disclaimer

Síntese do Caso

Homem, 48 anos, vítima de trauma contuso de alta energia (atropelamento), apresentando choque hemorrágico Classe IV refratário à ressuscitação volêmica inicial (2L cristaloide + 2 CH). Apresenta fratura pélvica instável grave (APC III), sinais clínicos de lesão de uretra posterior e indícios de instalação da tríade letal (hipotermia 35,5°C e hiperlactatemia 6,2 mmol/L).

Hipótese Diagnóstica Principal

Choque Hemorrágico por Fratura Pélvica Instável (APC III) — Confiança: 99%

  • Justificativa: Mecanismo de alta energia com diástase de sínfise > 5cm e fratura sacroilíaca posterior indica rompimento grave do anel pélvico, com laceração do plexo venoso pré-sacral (80% dos sangramentos) e/ou ramos do sistema arterial ilíaco interno (20%). A ausência de resposta aos fluidos e lactato elevado confirmam choque descompensado.
  • Protocolo de Referência: [Ver Protocolo: ATLS](protocol:atls-protocols) (11ª Edição) e Diretrizes de Cirurgia de Controle de Danos.
  • Diagnósticos Diferenciais e Lesões Associadas

    #DiagnósticoConfiançaAchados que FavorecemAchados que Afastam
    1Lesão de Uretra Posterior95%Sangue no meato, hematoma perineal, próstata elevada ao toque, fratura APC III.Nenhum.
    2Hemorragia Intra-abdominal60%FAST pélvico positivo (pode ser sangue intraperitoneal ou hematoma retroperitoneal roto).FAST abdominal superior (não relatado) negativo reduziria a chance.
    3Coagulopatia do Trauma90%Choque prolongado, lactato 6,2, hipotermia (35,5°C).Exames laboratoriais pendentes (TEG/ROTEM).
    Não Esqueça: A administração prévia de 2L de cristaloides (acima do recomendado atualmente de 1L) agrava a hemodiluição, a hipotermia e a coagulopatia, acelerando a Tríade Letal.

    Confirmação Diagnóstica

    Critérios Clínicos

  • Paciente *Non-Responder* (PA 80x50 após sangue e cristaloides).
  • Exames Complementares (Prioridade)

    Imediatos (beira-leito): Gasometria arterial (avaliar pH, BE, Cálcio iônico), Tromboelastografia (TEG/ROTEM) se disponível, Tipagem Sanguínea e Prova Cruzada.

    Imagem: ⚠️ NÃO encaminhar para Tomografia Computadorizada. Paciente instável hemodinamicamente com fonte de sangramento identificada deve ir direto para intervenção.

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    Conduta Terapêutica: Protocolo de Hemorragia Pélvica

    Medidas Imediatas (Tempo 0)

  • Acionar Protocolo de Transfusão Maciça (PTM): Proporção 1:1:1 (Concentrado de Hemácias : Plasma Fresco Congelado : Plaquetas).
  • Revisar Contenção Pélvica: O lençol pélvico já foi aplicado, mas verifique o posicionamento: deve estar centrado sobre os trocânteres maiores do fêmur (NÃO sobre as cristas ilíacas) e com rotação interna dos membros inferiores (amarrar os pés juntos).
  • Controle de Danos Ressuscitativo:
  • Hipotensão Permissiva: Alvo de PAS 80-90 mmHg ou PAM 65 mmHg (evitar o "estouro" do coágulo recém-formado).
  • Prevenção de Hipotermia: Manta térmica de ar aquecido (Bair Hugger®), aquecimento de fluidos e sangue (nível 1).
  • Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)

    MedicaçãoDoseViaPreparo/DiluiçãoTempoObservação
    Ácido Tranexâmico (TXA) (Transamin®)1gIVDiluir em 100mL SF 0,9%Correr em 10 minFazer se < 3h do trauma. Seguir com 1g IV em infusão contínua por 8h.
    Cloreto de Cálcio 10%1g (1 ampola = 10mL)IVPuro ou diluído em 50mL SF 0,9%Correr em 5 minFazer a cada 4 bolsas de sangue transfundidas (previne hipocalcemia pelo citrato).
    Fibrinogênio (Haemocomplettan®)2 a 3gIVConforme fabricanteCorrer em 10-15 minSe TEG/ROTEM mostrar deficiência ou fibrinogênio < 150 mg/dL.

    Estratégia Definitiva (Intervenção Imediata)

    Como o paciente é um *não respondedor* com fratura pélvica grave, a intervenção mecânica é mandatória. Acionar Cirurgia Geral/Trauma, Ortopedia e Urologia.

    1. Empacotamento Pélvico Pré-peritoneal (PPP) + Fixação Externa:

  • Indicação: Padrão-ouro imediato para instabilidade hemodinâmica por fratura pélvica. Controla o sangramento venoso e ósseo (80% dos casos).
  • Local: Centro Cirúrgico.
  • 2. Angioembolização Pélvica:

  • Indicação: Se o paciente mantiver choque após o PPP (sugere sangramento arterial) ou se houver sala híbrida disponível imediatamente.
  • 3. REBOA (Resuscitative Endovascular Balloon Occlusion of the Aorta):

  • Indicação: Se disponível e equipe treinada, insuflar balão na Zona 3 (bifurcação aórtica) como ponte para o Centro Cirúrgico/Angiografia.
  • 4. Manejo Urológico:

  • Cistostomia Suprapúbica no Centro Cirúrgico.
  • Avaliação de Resposta

  • Critérios de sucesso: PAM > 65 mmHg com redução da necessidade de vasopressores/transfusão, clareamento do lactato (queda > 20% em 2h), melhora do Base Excess (BE).
  • Sinais de falha: Sangramento persistente pelos drenos, coagulopatia refratária (sangramento em lençol).
  • Alertas Críticos

  • ⚠️ CONTRAINDICAÇÃO ABSOLUTA: NÃO PASSAR SONDA VESICAL DE DEMORA (SVD). A tríade de sangue no meato, hematoma perineal e próstata elevada confirma lesão de uretra. A sondagem pode converter uma laceração parcial em transsecção total.
  • ⚠️ ALERTA DE TEMPO CRÍTICO: O paciente está em choque Classe IV. O tempo porta-centro cirúrgico deve ser inferior a 15-30 minutos. Não atrase a cirurgia para realizar radiografias adicionais ou tomografia.
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    Disposição e Acompanhamento

  • Destino: Transferência IMEDIATA para o Centro Cirúrgico (ou Sala Híbrida, se disponível).
  • Especialistas: Acionamento simultâneo do Cirurgião de Trauma, Ortopedista e Urologista.
  • Pós-operatório: Vaga zero em UTI Trauma para reaquecimento, correção de coagulopatia e monitoramento de Síndrome Compartimental Abdominal.
  • *⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*

    Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

    Fratura pélvica instável (APC III / open book) com choque hemorrágico refratário

    Diferenciais esperados:
    • Lesão de vasos ilíacos
    • Lesão de bexiga extraperitoneal
    • Lesão uretral posterior

    Avalie a Resposta do Assistente

    Acuracia Clinica
    Completude dos Diferenciais
    Adequacao Terapeutica
    Seguranca
    Qualidade do Function Calling
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    Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: