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Fratura transtrocantérica do fêmur direito — Caso Estudante

Avaliacao mmed.pro· trauma 0 0 0

Apresentação Clínica

Mulher 67 anos, portadora de osteoporose em uso de alendronato, queda da própria altura sobre quadril direito há 2 horas. Dor em quadril direito, membro inferior direito encurtado e em rotação externa. Incapaz de elevar membro. PA 135x80 mmHg, FC 90bpm, FR 18irpm, SpO2 97%. Sem outros pontos dolorosos. RX pelve AP + lateral do quadril: fratura transtrocantérica do fêmur direito (classificação AO 31-A2). Hb 11,5 g/dL, Cr 0,9 mg/dL, INR 1,0. ECG: ritmo sinusal. Solicita manejo inicial e planejamento cirúrgico.

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
07/04/2026 Disclaimer

Síntese do Caso

Mulher de 67 anos, portadora de osteoporose, vítima de trauma de baixa energia (queda da própria altura) com quadro clínico clássico (encurtamento e rotação externa) e radiográfico de fratura transtrocantérica do fêmur direito. Classificação AO 31-A2 (padrão instável). Paciente encontra-se hemodinamicamente estável, sem disfunção renal, coagulopatia ou anemia grave no momento.

Hipótese Diagnóstica Principal

Fratura Transtrocantérica do Fêmur Direito (AO 31-A2)Confiança: 100%

  • Justificativa: Confirmação radiográfica direta. A classificação 31-A2 indica uma fratura intertrocantérica com cominuição da parede posteromedial (pequeno trocânter e córtex medial), o que a define biomecanicamente como uma fratura instável.
  • Diagnósticos Diferenciais (Causa da Queda)

    Embora a fratura esteja confirmada, em idosos é mandatório investigar a *causa* da queda (Rule Out de eventos agudos):

    #DiagnósticoConfiançaAchados que FavorecemAchados que Afastam
    1Síncope Cardiogênica / Arritmia15%Idade, risco cardiovascular implícito.ECG em ritmo sinusal, PA normal.
    2Acidente Vascular Encefálico (AVE)10%Idade.Ausência de relato de déficit motor prévio à queda.
    3Hipotensão Ortostática / Mecânica70%História clássica de tropeço ou tontura postural em idosos.Ausência de pródromos relatados.
    Não Esqueça: Fratura Patológica por lesão lítica secundária (metástase, mieloma múltiplo). Apesar da osteoporose prévia, deve-se avaliar ativamente o RX em busca de falhas ósseas atípicas no fêmur proximal.

    Confirmação Diagnóstica e Preparo

    Exames Complementares (Pré-operatório Imediato)

    A paciente já possui exames basais excelentes (Hb 11.5, Cr 0.9, INR 1.0, ECG normal). Faltam apenas exames para segurança cirúrgica:

  • Laboratoriais: Tipagem Sanguínea (ABO/Rh) + PAI (Pesquisa de Anticorpos Irregulares) + Reserva de 2 concentrados de hemácias (CH). Glicemia capilar.
  • Imagem: RX de Tórax AP (avaliação pré-anestésica).
  • Avaliação: Risco Cirúrgico Cardiológico (deve ser expedito, não deve atrasar a cirurgia além de 48h).
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    Conduta Terapêutica

    Medidas Imediatas (Tempo 0)

  • Dieta: Jejum absoluto (NPO) imediato visando procedimento cirúrgico o mais breve possível.
  • Acesso e Fluidos: Acesso venoso periférico calibroso (Jelco 18G ou 20G). Hidratação basal com Ringer Lactato ou SF 0,9% a 50-70 mL/h para manter via pérvia e hidratação durante o jejum.
  • Imobilização: Repouso no leito. *Nota:* Tração cutânea ou esquelética não é recomendada de rotina pelas diretrizes atuais (AAOS), pois não alivia a dor, não melhora a redução e aumenta o risco de lesões de pele. Utilizar coxins para conforto e alinhamento.
  • Prevenção de Lesão por Pressão: Colchão piramidal, proteção de calcâneos e mudança de decúbito (tronco e membros superiores) a cada 2 horas.
  • Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)

    O foco é analgesia multimodal poupadora de opioides para evitar *delirium* no idoso. O padrão-ouro para controle da dor nesta fase é o Bloqueio Regional.

    MedicaçãoDoseViaPreparo/DiluiçãoTempoObservação
    Dipirona (Novalgina®)1g (2mL) 6/6hIVDiluir em 10mL AD3-5 minAnalgesia de base.
    Morfina (Dimorf®)2 a 4mgIVDiluir 1 amp (10mg/1mL) em 9mL AD (1mg/mL)LentoResgate para dor intensa (EVA > 7). Titular a cada 10 min se necessário.
    Ondansetrona (Vonau®)4mg 8/8hIVSem diluiçãoLentoProfilaxia de náuseas induzidas por opioides.
    Enoxaparina (Clexane®)40mg 1x/diaSCSeringa preenchida-Profilaxia de TEV. Iniciar 12h após admissão. Suspender 12h antes da cirurgia.
    Procedimento de Escolha (Beira-leito): Bloqueio do Compartimento da Fáscia Ilíaca (FIB) ou Bloqueio do Nervo Femoral guiado por USG. Utilizar Ropivacaína 0,2% ou Bupivacaína 0,25% (20-30 mL). Reduz drasticamente a necessidade de opioides sistêmicos.

    Estratégia Definitiva (Planejamento Cirúrgico)

  • Procedimento: Osteossíntese do Fêmur Proximal.
  • Implante de Escolha: Haste Cefalomedular (ex: PFN - Proximal Femoral Nail).
  • *Justificativa Biomecânica:* Por se tratar de uma fratura AO 31-A2 (instável) com perda do suporte posteromedial, a haste intramedular possui vantagem mecânica por ter um menor braço de alavanca e transferir a carga mais próxima ao eixo anatômico do fêmur. O uso de placa-parafuso deslizante (DHS) nesta classificação apresenta taxas inaceitáveis de falha (colapso em varo e *cut-out*).
  • Janela Terapêutica: A cirurgia deve ser realizada idealmente nas primeiras 24 a 48 horas após a admissão.
  • Avaliação de Resposta

  • Critérios de Sucesso: Dor controlada (EVA < 4 em repouso), ausência de *delirium*, manutenção da estabilidade hemodinâmica.
  • Sinais de Falha/Piora: Queda de hemoglobina > 2 g/dL (sangramento oculto no coxim muscular da coxa), rebaixamento do sensório, hipóxia (suspeitar de TEP ou embolia gordurosa).
  • Tempo de Reavaliação: Sinais vitais e status neurovascular distal (pulsos pedioso/tibial posterior, perfusão capilar) a cada 4 horas.
  • Alertas Críticos

  • ⚠️ ALERTA DE TEMPO CRÍTICO: Atraso cirúrgico superior a 48 horas está diretamente associado ao aumento exponencial da mortalidade em 1 ano, além de maiores taxas de pneumonia, infecção urinária, TEV e úlceras de pressão.
  • Falha Terapêutica Prévia: A paciente fraturou o fêmur *em uso* de Alendronato. Isso configura falha do tratamento da osteoporose. No pós-operatório (após consolidação inicial), será mandatório escalonar a terapia (ex: transição para agentes anabólicos como Teriparatida ou antirreabsortivos potentes como Denosumabe/Ácido Zoledrônico) e investigar causas secundárias de perda óssea (ex: hiperparatireoidismo, deficiência de Vitamina D).
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    Disposição e Acompanhamento

  • Destino: Internação em Enfermaria de Ortopedia.
  • Especialista: Acionar imediatamente a equipe de Ortopedia e Traumatologia para agendamento do centro cirúrgico e a equipe de Clínica Médica/Cardiologia para avaliação de risco cirúrgico expedita.
  • Reavaliação: Monitorar débito urinário, nível de consciência (escala CAM para *delirium*) e controle álgico contínuo.
  • *⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM), incluindo protocolos da AAOS (American Academy of Orthopaedic Surgeons) para fraturas do quadril em idosos, e não substitui o julgamento clínico presencial.*

    Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

    Fratura transtrocantérica do fêmur direito

    Diferenciais esperados:
    • Fratura do colo do fêmur
    • Fratura subtrocantérica
    • Fratura patológica por metástase

    Avalie a Resposta do Assistente

    Acuracia Clinica
    Completude dos Diferenciais
    Adequacao Terapeutica
    Seguranca
    Qualidade do Function Calling
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    Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: