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Gangrena de Fournier (fasciíte necrosante perineal) com sepse grave — Caso Residente

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Apresentação Clínica

Homem de 45 anos, DM2 com HbA1c 12%, dor perineal intensa há 3 dias com edema escrotal e eritema progressivo. Crepitação subcutânea palpável em períneo e escroto. Necrose cutânea com drenagem fétida. Leucócitos 28.000, PCR 400, lactato 6.5, Cr 2.8, plaquetas 85.000. TC mostra gás subcutâneo extenso em períneo, escroto e parede abdominal inferior. PA 75/40, FC 145, FR 32, T 39.5°C, Glasgow 13.

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
07/04/2026 Disclaimer 1 flag(s)

Síntese do Caso

Homem de 45 anos, com DM2 severamente descompensado (HbA1c 12%), apresentando quadro agudo de dor perineal desproporcional, crepitação, necrose fétida e evidência tomográfica de gás subcutâneo extenso. Evolui com sinais francos de Choque Séptico e Disfunção de Múltiplos Órgãos (hipotensão severa, hiperlactatemia, lesão renal aguda, plaquetopenia e rebaixamento do nível de consciência).

Hipótese Diagnóstica Principal

Gangrena de Fournier (Fasciíte Necrosante Perineal) evoluindo com Choque Séptico — Confiança: 100%

  • Justificativa: A tríade de dor desproporcional, crepitação subcutânea e necrose em paciente diabético descompensado é patognomônica. A presença de gás na TC confirma a infecção por bactérias produtoras de gás (frequentemente polimicrobiana sinérgica: aeróbios + anaeróbios). O paciente preenche critérios para Sepse/Choque Séptico (SSC 2021) devido à necessidade presumida de vasopressor e lactato > 2 mmol/L.
  • **Score Clínico (LRINEC - *Laboratory Risk Indicator for Necrotizing Fasciitis*):** Altamente positivo. Valores de PCR > 150, Leucócitos > 25.000 e Creatinina > 1.6 conferem altíssimo risco e probabilidade de fasciíte necrosante.
  • Diagnósticos Diferenciais

    Ordenados do mais letal/urgente ao menos grave:

    #DiagnósticoConfiançaAchados que FavorecemAchados que Afastam
    1Infecção por *Clostridium perfringens* (Mionecrose)80%Gás subcutâneo, choque rápido, necroseFournier é o topônimo para a região, a etiologia pode incluir *Clostridium*
    2Abscesso Isquiorretal/Escrotal Complicado5%Dor perineal, febre, eritemaPresença de gás extenso, crepitação e choque refratário
    3Celulite/Erisipela Perineal Severa0%Eritema, edema, leucocitoseCrepitação, necrose, gás na TC, instabilidade hemodinâmica
    Não Esqueça: A Gangrena de Fournier é frequentemente polimicrobiana (E. coli, Klebsiella, Enterococos, Bacteroides, Clostridium, Streptococcus do Grupo A). A presença de *Streptococcus pyogenes* (Grupo A) pode causar Síndrome do Choque Tóxico Estreptocócico, justificando a rápida deterioração.

    Confirmação Diagnóstica

    Critérios Clínicos

  • O diagnóstico já está confirmado pela clínica e tomografia. Não atrase a ida ao centro cirúrgico para realizar novos exames de imagem.
  • Exames Complementares (por ordem de prioridade)

    Imediatos (beira-leito):

  • Gasometria arterial (avaliar acidose metabólica e base excess).
  • Glicemia capilar (urgente, controle rigoroso necessário).
  • ECG de 12 derivações (avaliar sinais de hipercalemia devido à LRA e isquemia miocárdica por hipoperfusão).
  • USG-POCUS (avaliar VEx, contratilidade miocárdica e status volêmico).
  • Laboratoriais:

  • Hemoculturas (2 amostras de sítios diferentes antes do antibiótico, se não atrasar > 45 min).
  • Cultura de fragmento de tecido profundo (padrão-ouro, a ser colhida no intraoperatório pelo cirurgião).
  • Tipagem sanguínea e Prova Cruzada (reserva de concentrado de hemácias e plasma para a cirurgia).
  • Coagulograma completo, Fibrinogênio (risco de CIVD).
  • ---

    Conduta Terapêutica

    Medidas Imediatas (Tempo 0)

  • ACIONAMENTO CIRÚRGICO IMEDIATO: Acionar Cirurgia Geral e/ou Urologia. Esta é uma emergência cirúrgica absoluta.
  • Sala de Emergência (Sala Vermelha): Monitorização multiparamétrica contínua, oximetria, capnografia se intubado.
  • Acesso Venoso: 2 acessos periféricos calibrosos (14G ou 16G). Preparar para acesso venoso central (CVC) e linha arterial (PAI) assim que possível, sem atrasar a ressuscitação.
  • Oxigenoterapia: O₂ suplementar para manter SpO₂ 94-98%. Considerar IOT precoce devido ao Glasgow 13, choque refratário e necessidade de proteção de via aérea para cirurgia iminente.
  • Ressuscitação Volêmica (SSC 2021): Cristaloides balanceados (Ringer Lactato ou Plasma-Lyte) 30 mL/kg em bolus (infundir em até 3h). Avaliar responsividade a fluidos com POCUS.
  • Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)

    *A terapia antimicrobiana deve ser instituída na PRIMEIRA HORA (Hora Ouro). NUNCA ajuste a dose de ataque de antibióticos para a função renal na sepse.*

    MedicaçãoDose (Ataque)ViaPreparo/DiluiçãoTempoObservação
    1ª Linha (Amplo Espectro): Meropenem (Meronem®)1g a 2g (Dose cheia independente da Cr)IVDiluir em 100mL SF 0,9%Infundir em 30 minCobre Gram-negativos multirresistentes e anaeróbios.
    + Vancomicina (Vancocina®)25 a 30 mg/kg (Dose de ataque baseada no peso real)IVDiluir em 250-500mL SF 0,9% (máx 5mg/mL)Infundir em 1h a 2hCobre MRSA e Enterococos.
    + Clindamicina (Dalacin®)600 a 900 mgIVDiluir em 100mL SF 0,9%Infundir em 30 minEfeito antitoxina (inibe síntese proteica de toxinas do Strepto/Staphylo).
    Vasopressor: Noradrenalina (Hemitartarato)0,01 a 3 mcg/kg/minIV4 ampolas (16mg/16mL) + 234mL SG 5% (Conc: 64 mcg/mL)Bomba de InfusãoIniciar se PAM < 65 mmHg durante ou após volume.
    Controle Glicêmico: Insulina RegularConforme protocolo institucionalIV100 UI em 100mL SF 0,9% (1 UI/mL)Bomba de InfusãoAlvo glicêmico: 144 - 180 mg/dL.

    *Alternativa ao Meropenem:* Piperacilina/Tazobactam (Tazocin®) 4,5g IV (Dose de ataque).

    Estratégia Definitiva

  • Desbridamento Cirúrgico Radical (Controle do Foco): É o pilar do tratamento. Consiste na excisão de todo o tecido necrótico até encontrar tecido viável e sangrante.
  • *Critérios de indicação:* Absoluta e imediata.
  • *Procedimentos associados:* Frequentemente requer orquiectomia (se acometimento testicular profundo, embora os testículos geralmente sejam poupados pelo suprimento sanguíneo distinto), cistostomia (desvio urinário) e colostomia (desvio fecal para evitar contaminação da ferida).
  • Terapia Adjuvante (Pós-operatória): Oxigenoterapia Hiperbárica (OHB) pode ser considerada *após* o desbridamento inicial, se disponível, mas nunca deve atrasar a cirurgia.
  • Avaliação de Resposta

  • Critérios de sucesso: PAM ≥ 65 mmHg, clareamento do lactato (> 20% a cada 2h), débito urinário ≥ 0,5 mL/kg/h, estabilização da progressão da necrose cutânea.
  • Sinais de falha/piora: Necessidade crescente de vasopressores, rebaixamento progressivo do sensório, CIVD franca (sangramento por punções).
  • Escalonamento Hemodinâmico:
  • Se dose de Noradrenalina atingir > 0,25 - 0,5 mcg/kg/min: Associar Vasopressina (0,03 U/min).
  • Se choque refratário contínuo: Associar Hidrocortisona 200 mg/dia (50 mg IV a cada 6h ou infusão contínua).
  • Reavaliação Cirúrgica: *Second-look* cirúrgico programado em 24-48 horas é mandatório para avaliar progressão da necrose.
  • Alertas Críticos

  • ⚠️ ALERTA DE TEMPO CRÍTICO: A mortalidade da Gangrena de Fournier aumenta significativamente a cada hora de atraso para o desbridamento cirúrgico. Antibióticos de amplo espectro não penetram em tecido necrótico e não substituem a cirurgia.
  • ⚠️ ALERTA FARMACOLÓGICO: O paciente apresenta Lesão Renal Aguda (Cr 2.8). A dose de ataque dos antibióticos deve ser integral para garantir nível sérico adequado rapidamente. O ajuste para a função renal (Clearance) só deve ser feito a partir das doses de manutenção (após 24h).
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    Disposição e Acompanhamento

  • Destino: Centro Cirúrgico (IMEDIATO) → Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no pós-operatório.
  • Critérios de internação em UTI: Choque séptico, necessidade de ventilação mecânica, uso de drogas vasoativas, disfunção de múltiplos órgãos.
  • Especialista: Cirurgia Geral, Urologia, Cirurgia Plástica (tardiamente, para reconstrução com enxertos/retalhos após controle da infecção).
  • Reavaliação: Monitorização hemodinâmica contínua, gasometria e lactato a cada 2-4 horas na fase aguda de ressuscitação.
  • *⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM - Surviving Sepsis Campaign 2021) e não substitui o julgamento clínico presencial.*

    Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

    Gangrena de Fournier (fasciíte necrosante perineal) com sepse grave

    Diferenciais esperados:
    • Abscesso perianal simples
    • Celulite perineal
    • Gangrena gasosa clostridial

    Avalie a Resposta do Assistente

    Acuracia Clinica
    Completude dos Diferenciais
    Adequacao Terapeutica
    Seguranca
    Qualidade do Function Calling
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    Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: