Glomerulonefrite difusa aguda pós-estreptocócica (GNPE) — Caso Estudante
Apresentação Clínica
Menina de 8 anos, faringoamigdalite tratada com amoxicilina há 3 semanas. Agora com edema periorbital bilateral matinal, urina escura (cor de coca-cola) e redução do volume urinário há 3 dias. PA 130/85 (acima do p95 para idade). Exame: edema facial, sem edema de MMII significativo. EAS: hematúria (campo cheio de hemácias dismórficas), proteinúria +, cilindros hemáticos. Cr 0.8, C3 baixo (35, ref 90-180), ASLO 800 UI/mL. FR 22, FC 100, T 36.5°C.
Síntese do Caso
Menina de 8 anos apresentando síndrome nefrítica clássica (edema, hipertensão arterial > p95, oligúria e hematúria macroscópica) com período de latência de 3 semanas após faringoamigdalite. Exames confirmam etiologia estreptocócica (ASLO elevado) e consumo de complemento pela via alternativa (C3 baixo), com lesão de origem glomerular (cilindros hemáticos e dismorfismo eritrocitário).
Hipótese Diagnóstica Principal
Glomerulonefrite Pós-Estreptocócica (GNPE) — Confiança: 99%
Diagnósticos Diferenciais
Ordenados do mais letal/urgente ao menos grave (método Rule Out):
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Nefropatia Lúpica (LES) | 5% | C3 baixo, hematúria, proteinúria, sexo feminino. | Ausência de sintomas sistêmicos (rash, artrite), idade (mais comum > 10 anos), C4 costuma ser baixo no LES (na GNPE o C4 é normal). |
| 2 | Glomerulonefrite Membranoproliferativa (GNMP) | 10% | Síndrome nefrítica, C3 baixo. | C3 costuma permanecer baixo por > 8 semanas; apresentação frequentemente mais insidiosa ou com componente nefrótico. |
| 3 | Nefropatia por IgA (Doença de Berger) | 5% | Síndrome nefrítica após infecção de via aérea. | Latência ausente ou curta (sinfaringítica: 1-3 dias), C3 estaria normal. |
| 4 | Glomerulonefrite Pós-Infecciosa (Não-Estreptocócica) | 10% | Síndrome nefrítica, C3 baixo. | ASLO fortemente positivo aponta especificamente para o estreptococo. |
Não Esqueça: Encefalopatia Hipertensiva e Congestão Pulmonar. A hipertensão na GNPE é hipervolêmica. Cefaleia, vômitos, turvação visual ou dispneia são "red flags" que exigem intervenção imediata.
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos
Exames Complementares (por ordem de prioridade)
Imediatos (beira-leito):
Laboratoriais (Pedido Médico sugerido):
Imagem:
Conduta Terapêutica
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)
A base do tratamento da hipertensão na GNPE é a espoliação de volume, pois a fisiopatologia é a retenção hidrossalina.
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| Furosemida (Lasix®) | 1 a 2 mg/kg/dose (Máx: 40mg/dose) | IV ou VO | IV: Sem diluição (10mg/mL) | Infundir em 1-2 min | 1ª linha para controle pressórico e de edema. Repetir a cada 6-12h se necessário. |
| Penicilina G Benzatina (Benzetacil®) | 1.200.000 UI (peso > 27kg) | IM | Diluir em 4mL de água destilada + lidocaína 1% sem vaso | Dose única | Erradicação da cepa nefritogênica (mesmo com uso prévio de amoxicilina, protocolo recomenda garantir erradicação). |
Estratégia Definitiva
Avaliação de Resposta
Alertas Críticos
Disposição e Acompanhamento
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*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM - Sociedade Brasileira de Pediatria / KDIGO) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Glomerulonefrite difusa aguda pós-estreptocócica (GNPE)
- Nefropatia por IgA (Berger)
- Nefrite lúpica
- Púrpura de Henoch-Schönlein com nefrite