Hemocromatose Hereditária tipo 1 (HFE C282Y homozigoto) com envolvimento hepático, endócrino (DM bronze e hipogonadismo) e articular — Caso Residente
Apresentação Clínica
Paciente masculino, 48 anos, encaminhado para investigação de hepatopatia crônica com hiperferritinemia. Queixa de fadiga progressiva, artralgia em 2° e 3° MCF bilateral, disfunção erétil e escurecimento difuso da pele. DM2 de diagnóstico recente. PA 130x80, FC 70, FR 16, SpO2 98%, T 36.5°C, Glasgow 15. Pele bronzeada difusa, hepatomegalia firme 5cm. Labs: ferritina 3.500, saturação de transferrina 85%, ferro sérico 280, TGO 85, TGP 110, glicemia jejum 250, HbA1c 10.5%, testosterona total 80 (baixa), FSH/LH baixos. Genotipagem HFE: C282Y homozigoto. RNM fígado com T2*: sobrecarga férrica grave (>300 umol/g). Biópsia: fibrose F3 com depósitos de hemossiderina grau IV.
Síntese do Caso
Paciente masculino, 48 anos, apresentando a tétrade clássica de hemocromatose avançada: "diabetes bronzeado" (hiperpigmentação + DM2), hepatopatia crônica (fibrose F3), hipogonadismo hipogonadotrófico e artropatia típica (2ª e 3ª MCF). O diagnóstico já se encontra confirmado laboratorialmente (ferritina 3.500, IST 85%), geneticamente (mutação HFE C282Y homozigota) e por imagem/histopatologia (sobrecarga férrica grave com fibrose ponte).
Hipótese Diagnóstica Principal
Hemocromatose Hereditária (Mutação HFE C282Y Homozigota) com Acometimento Multissistêmico — Confiança: 100%
Diagnósticos Diferenciais
Como o diagnóstico etiológico primário já está geneticamente confirmado, o raciocínio de exclusão foca em co-morbidades que podem exacerbar a lesão hepática:
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Esteatose Hepática Metabólica (MASLD) | 40% | Presença de DM2 descompensado. | RNM focou em ferro; biópsia não descreve esteatose macrovesicular. |
| 2 | Hepatite Viral (B ou C) | 10% | Elevação de transaminases, hepatomegalia. | Ausência de sorologias no relato (devem ser solicitadas). |
| 3 | Hepatopatia Alcoólica | 10% | Pode cursar com aumento de ferritina e TGO > TGP. | TGP > TGO no caso atual; IST > 85% é muito específico para HH. |
Não Esqueça: A infecção por Vibrio vulnificus e Yersinia enterocolitica. Pacientes com sobrecarga de ferro têm risco altíssimo de sepse fulminante por estas bactérias siderofílicas ao consumir frutos do mar crus ou mal cozidos.
Confirmação Diagnóstica e Estadiamento Adicional
O diagnóstico de Hemocromatose está fechado. O foco agora é rastrear complicações não avaliadas.
Exames Complementares (por ordem de prioridade)
Imediatos (Ambulatoriais/Hospital-Dia):
Conduta Terapêutica
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Estratégia Definitiva: Depleção de Ferro
A terapia padrão-ouro e mandatória é a Flebotomia (Sangria Terapêutica). Não há indicação de quelantes de ferro (ex: Deferoxamina) na Hemocromatose Hereditária, a menos que haja contraindicação absoluta à flebotomia (ex: anemia grave refratária, insuficiência cardíaca severa).
| Terapia | Volume/Dose | Frequência | Alvo Terapêutico | Observação |
|---|---|---|---|---|
| Flebotomia (Fase de Indução) | 400 - 500 mL (remove ~200-250mg de ferro) | 1 a 2 vezes por semana | Ferritina < 50 ng/mL e IST < 50% | Checar Hb/Ht antes de cada sessão. Suspender se Hb < 11 g/dL. |
| Flebotomia (Fase de Manutenção) | 400 - 500 mL | A cada 2 a 4 meses | Manter Ferritina entre 50 - 100 ng/mL | Iniciar após atingir o alvo da indução. |
Manejo das Complicações (Concomitante)
Avaliação de Resposta
Alertas Críticos
Disposição e Acompanhamento
*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Hemocromatose Hereditária tipo 1 (HFE C282Y homozigoto) com envolvimento hepático, endócrino (DM bronze e hipogonadismo) e articular
- Hemocromatose secundária (transfusional)
- Hepatopatia alcoólica com hiperferritinemia
- Doença de Wilson
- Esteatohepatite com hiperferritinemia