Hemorragia digestiva alta por provável úlcera péptica — Caso Estudante
Apresentação Clínica
Paciente masculino, 55 anos, etilista crônico, dá entrada no PS com hematêmese e melena há 6 horas. Relata dor epigástrica crônica, uso frequente de AINEs para lombalgia. Palidez, sudorese. PA 90x55, FC 125, FR 22, SpO2 95%, T 36.3°C, Glasgow 15. Hb 7.1 g/dL, Ht 22%, ureia 120, creatinina 1.0. Toque retal com melena.
Síntese do Caso
Homem, 55 anos, com fatores de risco sobrepostos (etilismo crônico e uso frequente de AINEs), apresentando quadro clássico de Hemorragia Digestiva Alta (HDA) ativa (hematêmese e melena) associada a choque hipovolêmico grau III (hipotensão, taquicardia, palidez, sudorese) e anemia aguda grave (Hb 7.1).
Hipótese Diagnóstica Principal
Hemorragia Digestiva Alta (HDA) Severa — Confiança: 99%
Diagnósticos Diferenciais
Ordenados do mais letal/urgente ao menos grave:
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Ruptura de Varizes Esofágicas | 85% | Etilismo crônico, choque hemorrágico rápido. | Ausência (até o momento) de estigmas de hepatopatia crônica descritos (ascite, icterícia). |
| 2 | Úlcera Péptica Sangrante | 85% | Uso crônico de AINEs, dor epigástrica crônica. | Choque tão grave é menos frequente que nas varizes, mas perfeitamente possível. |
| 3 | Síndrome de Mallory-Weiss | 30% | Etilismo, hematêmese. | Geralmente precedida por vômitos incoercíveis sem sangue; raramente causa choque grau III. |
| 4 | Neoplasia Gástrica | 20% | Idade (55 anos), dor crônica, anemia. | Sangramento costuma ser insidioso, hematêmese maciça é menos comum como apresentação inicial. |
Não Esqueça: Fístula Aortoentérica. Embora raro, se o paciente tiver história prévia de correção de aneurisma de aorta abdominal (AAA), este é um diagnóstico letal que exige cirurgia imediata, não endoscopia.
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos
Exames Complementares (Prioridade Máxima)
Imediatos (beira-leito):
Laboratoriais (Coletar no momento do acesso venoso):
Imagem/Procedimento:
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Conduta Terapêutica
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)
Como não sabemos a etiologia exata, a terapia farmacológica empírica deve cobrir tanto a causa não-varicosa (IBP) quanto a varicosa (Vasoativo + Antibiótico).
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| 1. Pantoprazol (Pantocal®) | 80 mg (Bolus) seguido de 8 mg/h | IV | Bolus: 2 ampolas (80mg) em 20mL SF 0,9%.<br>BIC: 5 ampolas (200mg) em 100mL SF 0,9% (correr a 4 mL/h). | Imediato | Estabiliza o coágulo (pH > 6.0). Manter BIC por 72h se úlcera de alto risco na EDA. |
| 2. Terlipressina (Glypressin®) | 2 mg | IV | Diluir 2 ampolas (2mg) em 10mL de SF 0,9%. | Imediato | Fazer em bolus lento (1-2 min). Repetir 1-2mg a cada 4h. Reduz pressão portal. *Alternativa: Octreotide 50mcg bolus + 50mcg/h BIC.* |
| 3. Ceftriaxona (Rocefin®) | 1 g | IV | Diluir 1g em 100mL de SF 0,9%. | Em 30 min | Profilaxia de PBE e infecções em cirróticos com HDA. Reduz mortalidade. Fazer 1x/dia por 7 dias. |
| 4. Metoclopramida (Plasil®) | 10 mg | IV | Sem diluição ou em 10mL SF 0,9%. | 30-60 min antes da EDA | Pró-cinético. Esvazia o estômago de coágulos, melhorando a visualização endoscópica. |
Estratégia Definitiva
Avaliação de Resposta
Alertas Críticos
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Disposição e Acompanhamento
*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM - ACG/ASGE Guidelines for UGIB, Baveno VII) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Hemorragia digestiva alta por provável úlcera péptica
- Varizes esofágicas
- Síndrome de Mallory-Weiss
- Lesão de Dieulafoy