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Hemorragia pós-parto por atonia uterina — Caso Residente

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Apresentação Clínica

Puérpera 34 anos, G3P2A0, parto vaginal há 1 hora de RN 3.800g. Placenta entregue aparentemente completa. Evolui com sangramento vaginal volumoso (estimativa > 1000mL), útero acima da cicatriz umbilical, amolecido e atônico à palpação. PA 85x50 mmHg, FC 130bpm, FR 24irpm, SpO2 95%, palidez cutânea +++/4+. Massagem uterina bimanual com resposta parcial. Ocitocina 40UI em curso. Hb 7,2 g/dL, fibrinogênio 180 mg/dL. Solicita protocolo completo de manejo de HPP e critérios para balão de Bakri.

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
07/04/2026 Disclaimer

Síntese do Caso

Puérpera de 34 anos, 1 hora pós-parto vaginal de feto macrossômico (3.800g), evoluindo com choque hemorrágico (PA 85x50, FC 130, palidez +++/4+) secundário a Hemorragia Pós-Parto (HPP) volumosa (>1000mL) por atonia uterina, com resposta apenas parcial à massagem bimanual e ocitocina.

Hipótese Diagnóstica Principal

Hemorragia Pós-Parto (HPP) por Atonia Uterina + Choque Hemorrágico Grau III — Confiança: 99%

  • Justificativa: Útero amolecido e supraumbilical, sangramento > 1000mL, instabilidade hemodinâmica franca.
  • Score Clínico (Índice de Choque): FC / PAS = 130 / 85 = 1,52.
  • *Interpretação:* Índice > 1,0 indica perda volêmica grave e alta probabilidade de necessidade de Transfusão Maciça.
  • Alerta Laboratorial: Fibrinogênio de 180 mg/dL na gestação/puerpério é baixo (o normal na gestação é 300-600 mg/dL). Indica consumo ativo e risco iminente de Coagulopatia Induzida pelo Trauma/Choque.
  • Diagnósticos Diferenciais (Regra dos 4 Ts)

    Ordenados da intervenção mais imediata para a menos frequente:

    #Diagnóstico (T)ConfiançaAchados que FavorecemAchados que Afastam
    1Tônus (Atonia)99%Útero amolecido, supraumbilical, feto grande (distensão).-
    2Trauma (Lacerações)40%Parto vaginal de feto 3.800g.Útero atônico é a causa primária visível.
    3Tecido (Restos)20%Pode causar atonia secundária.Placenta "aparentemente" completa.
    4Trombina (Coagulopatia)80%Fibrinogênio 180 mg/dL, choque prolongado.É uma consequência neste caso, não a causa primária.
    Não Esqueça: A inversão uterina e a ruptura uterina (embora rara sem cicatriz prévia) devem ser descartadas rapidamente durante a palpação e revisão do canal.

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    Conduta Terapêutica (Protocolo de HPP - "Código Vermelho")

    1. Medidas Imediatas (Tempo 0)

  • Acionar Ajuda: Declarar "Código Vermelho" (Obstetra, Anestesista, Enfermagem, Banco de Sangue).
  • MOV + Posição: Monitorização contínua, O₂ sob máscara não reinalante (10-15 L/min). Decúbito dorsal com elevação dos membros inferiores.
  • Acessos: 2 acessos venosos periféricos calibrosos (14G ou 16G).
  • Sondagem: Sonda Vesical de Demora (SVD) imediata. *O esvaziamento vesical facilita a contração uterina e permite monitorar o débito urinário.*
  • Ressuscitação Volêmica: Bolus inicial de 500mL de Ringer Lactato aquecido. Não fazer expansão agressiva com cristaloide para evitar hemodiluição e piora da coagulopatia (estrategia de hipotensão permissiva até a chegada do sangue).
  • Revisão: Curagem uterina rápida (garantir cavidade vazia) e revisão do canal de parto (descartar lacerações).
  • 2. Medicações Iniciais (Primeiros 10-20 min)

    Como a paciente já está recebendo Ocitocina e não respondeu, deve-se avançar IMEDIATAMENTE para a 2ª linha de uterotônicos e antifibrinolíticos.

    MedicaçãoDoseViaPreparo/AdministraçãoObservação
    Ácido Tranexâmico (Transamin®)1 gIVDiluir em 100mL SF 0,9%, infundir em 10 min.FAZER AGORA. Reduz mortalidade se feito < 3h do parto (Estudo WOMAN). Se sangramento persistir após 30 min, repetir 1g.
    Ocitocina (Syntocinon®)10 a 40 UIIVManter infusão: 40 UI em 500mL de SF/RL a 250 mL/h.Já em curso. Manter como manutenção.
    Metilergometrina (Methergin®)0,2 mg (1 amp)IMSem diluição. Pode repetir em 20 min.CI Absoluta: Hipertensão, Pré-eclâmpsia, Eclâmpsia. (Seguro neste caso: PA 85x50).
    Misoprostol (Prostokos®)800 a 1000 mcgRetalIntroduzir 4 a 5 comprimidos de 200mcg no reto.Demora 20-30 min para pico de ação.

    3. Estratégia Definitiva: Tamponamento e Transfusão

    Diante do choque (Índice > 1) e falha farmacológica, a intervenção mecânica e transfusional é mandatória.

    #### A. Protocolo de Transfusão Maciça (PTM)

  • Gatilho: Sangramento ativo + Instabilidade hemodinâmica + Hb 7,2.
  • Conduta: Solicitar 2 a 4 CHAD O-negativo (ou tipo específico se já tipada) IMEDIATAMENTE.
  • Manejo do Fibrinogênio: Fibrinogênio < 200 mg/dL na HPP exige reposição. Solicitar Crioprecipitado (10 unidades) ou Concentrado de Fibrinogênio (Haemocomplettan® 2-3g IV).
  • #### B. Balão de Bakri (Tamponamento Intrauterino)

    Como a paciente não respondeu aos uterotônicos e a massagem, o Balão de Bakri é a próxima etapa imediata antes da laparotomia.

    Critérios de Indicação:

    1. HPP por atonia uterina refratária ao tratamento medicamentoso.

    2. Ausência de indicação imediata de laparotomia (ex: ruptura uterina).

    3. Teste terapêutico ("Tamponade Test") para evitar histerectomia.

    Contraindicações Absolutas:

  • Retenção de restos placentários (a cavidade deve estar limpa).
  • Suspeita de ruptura uterina.
  • Infecção intrauterina purulenta.
  • Alergia ao silicone.
  • Anomalia anatômica uterina que impeça a insuflação.
  • Passo a Passo da Inserção:

    1. Garantir bexiga vazia (SVD).

    2. Inserir o balão desinsuflado na cavidade uterina (via vaginal ou cesárea).

    3. Insuflar com 250 a 500 mL de Soro Fisiológico aquecido (nunca ar). Insuflar até encontrar resistência ou cessar o sangramento.

    4. Tracionar levemente e fixar a haste na coxa da paciente ou usar tamponamento vaginal com gaze para evitar expulsão.

    5. Conectar a via de drenagem a uma bolsa coletora para monitorar sangramento residual.

    6. Antibioticoprofilaxia obrigatória: Cefazolina 2g IV ou Clindamicina 900mg + Gentamicina 5mg/kg IV.

    7. Tempo de permanência: 12 a 24 horas (desinsuflar gradualmente 50mL/hora antes da remoção).

    4. Avaliação de Resposta e Escalonamento

  • Critérios de Sucesso: Cessação do sangramento pelo dreno do Bakri (< 50mL/h), estabilização da PA (> 90x60 mmHg), queda da FC (< 100 bpm), débito urinário > 0,5 mL/kg/h.
  • Sinais de Falha (Red Flags): Sangramento contínuo pelo dreno do balão, instabilidade hemodinâmica persistente.
  • Escalonamento (Se falha do Bakri): Indicação de Laparotomia Exploradora imediata.
  • *1ª Linha cirúrgica:* Suturas compressivas (B-Lynch).
  • *2ª Linha cirúrgica:* Ligadura vascular (Artérias uterinas / hipogástricas).
  • *Último recurso:* Histerectomia subtotal ou total (cirurgia de salvamento).
  • Disposição e Acompanhamento

  • Destino: Vaga de UTI mandatória após estabilização ou controle de danos no Centro Cirúrgico.
  • Especialista: Acionar Cirurgia Geral/Vascular de sobreaviso caso haja necessidade de ligadura de hipogástricas.
  • Reavaliação: Monitorar sangramento, sinais vitais e débito urinário a cada 15 minutos. Repetir Hb, plaquetas, TAP/TTPA e Fibrinogênio a cada 4-6 horas ou após cada ciclo de transfusão.
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    *⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (ACOG, RCOG, OPAS/OMS para HPP) e não substitui o julgamento clínico presencial.*

    Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

    Hemorragia pós-parto por atonia uterina

    Diferenciais esperados:
    • Retenção de restos placentários
    • Laceração cervical
    • Coagulopatia
    • Inversão uterina

    Avalie a Resposta do Assistente

    Acuracia Clinica
    Completude dos Diferenciais
    Adequacao Terapeutica
    Seguranca
    Qualidade do Function Calling
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    Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: