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Hipertensão Arterial Pulmonar grupo 1 associada à Esclerose Sistêmica — grave com disfunção de VD, indicação de cateterismo cardíaco direito e terapia combinada — Caso Residente

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Apresentação Clínica

Paciente feminina, 55 anos, esclerose sistêmica limitada (CREST) com anticentrômero+, Raynaud grave e DRGE, em uso de nifedipina 60mg/d e omeprazol 40mg/d. Encaminhada ao cardiologista por dispneia aos esforços progressiva (CF I→III) em 1 ano. PA 110x70, FC 85, FR 22, SpO2 88% em repouso (dessatura para 75% no TC6M — distância 280m), T 36.5°C, Glasgow 15. B2 hiperfonética, P2 palpável, sopro de regurgitação tricúspide, turgência jugular, hepatomegalia, edema MMII. ECG: desvio eixo D, P pulmonale, padrão de SVD com strain em V1-V3. BNP 850. ECO: PSAP 80mmHg, VD dilatado (VD/VE >1.0), TAPSE 12mm (disfunção sistólica de VD), insuficiência tricúspide moderada, derrame pericárdico leve. TCAR sem fibrose significativa. DLCO 38%.

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
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07/04/2026 Disclaimer

Síntese do Caso

Paciente feminina, 55 anos, com Esclerose Sistêmica Limitada (CREST), apresentando quadro de *Cor Pulmonale* descompensado (dispneia CF III, hipoxemia grave ao esforço, turgência jugular, hepatomegalia, edema). Achados ecocardiográficos, eletrocardiográficos e laboratoriais (BNP 850) confirmam disfunção sistólica grave de ventrículo direito e hipertensão pulmonar severa, sem evidência de doença intersticial pulmonar significativa (TCAR limpa, mas DLCO muito reduzida).

Hipótese Diagnóstica Principal

Hipertensão Arterial Pulmonar (HAP) associada à Esclerose Sistêmica (Grupo 1 da OMS) — Confiança: 95%

  • Justificativa: A redução isolada e grave da DLCO (38%) sem fibrose na TCAR é a marca registrada da vasculopatia pulmonar na esclerose sistêmica. A paciente apresenta sinais clássicos de falência de VD secundária ao aumento extremo da pós-carga pulmonar (PSAP 80 mmHg).
  • Estratificação de Risco (ESC/ERS 2022): ALTO RISCO (Mortalidade > 20% em 1 ano). Critérios presentes: Classe Funcional III da OMS, TC6M < 440m (280m), BNP > 300 pg/mL, derrame pericárdico e disfunção de VD (TAPSE 12mm).
  • Diagnósticos Diferenciais

    Ordenados do mais letal/urgente ao menos grave:

    #DiagnósticoConfiançaAchados que FavorecemAchados que Afastam
    1Doença Veno-Oclusiva Pulmonar (DVOP)20%Esclerose sistêmica, hipoxemia grave, DLCO muito baixa.Ausência de linhas septais, opacidades em vidro fosco ou linfonodomegalia na TCAR.
    2HP Tromboembólica Crônica (HPTEC - Grupo 4)15%Sinais de HP grave e falência de VD.Ausência de história de TEV (embora possa ser silencioso). Exige Cintilografia V/Q.
    3HP por Doença Cardíaca Esquerda (Grupo 2)5%Idade, fatores de risco gerais.Ausência de disfunção de VE ou valvulopatia esquerda no ECO.
    4HP por Doença Pulmonar (Grupo 3)<5%Hipoxemia ao esforço.TCAR sem fibrose significativa.
    Não Esqueça: Doença Veno-Oclusiva Pulmonar (DVOP). Pacientes com esclerose sistêmica têm maior risco. A introdução de vasodilatadores pulmonares (especialmente prostaciclinas) em pacientes com DVOP pode precipitar edema agudo de pulmão fatal. Monitorar de perto após início da terapia.

    Confirmação Diagnóstica

    Critérios Clínicos

  • Probabilidade Ecocardiográfica de HP (ESC/ERS): ALTA (Velocidade de regurgitação tricúspide > 3.4 m/s + sinais indiretos de HP como VD dilatado e relação VD/VE > 1.0).
  • Exames Complementares (por ordem de prioridade)

    *Pedido de exames gerado via sistema (TUSS integrados).*

    Imediatos (beira-leito):

  • Gasometria Arterial: Avaliar grau de hipoxemia, distúrbio ácido-base e lactato (marcador de hipoperfusão por baixo débito de VD).
  • US-POC (POCUS): Avaliar VCI (pletórica, sem colabamento) para guiar terapia diurética e descartar tamponamento cardíaco (tem derrame pericárdico leve).
  • Laboratoriais:

  • Troponina Ultrassensível: Avaliar isquemia de VD por sobrecarga de pressão.
  • Função Renal e Hepática: Ureia, Creatinina, TGO, TGP, Bilirrubinas, TAP/RNI (avaliar congestão hepática e síndrome hepatorrenal tipo 2).
  • Perfil de Ferro: Deficiência de ferro é comum na HAP e piora a dispneia.
  • Imagem e Procedimentos Especiais:

  • Cateterismo Cardíaco Direito (Padrão-Ouro): OBRIGATÓRIO antes de iniciar terapia específica para HAP. Critérios diagnósticos: PAPm > 20 mmHg, POAP ≤ 15 mmHg e RVP > 2 Unidades Wood.
  • Cintilografia de Ventilação/Perfusão (V/Q): OBRIGATÓRIA para descartar HPTEC (Grupo 4).
  • Conduta Terapêutica

    Medidas Imediatas (Tempo 0)

  • MOV: Monitorização contínua.
  • Oxigenoterapia: Cateter nasal ou máscara para manter SpO₂ > 90%. A hipoxemia causa vasoconstrição pulmonar hipóxica, piorando a HP e a falência de VD.
  • Controle de Volemia: Acesso venoso periférico para terapia diurética. Restrição hídrica (1.5L/dia) e salina (< 2g/dia).
  • Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)

    Foco na descongestão sistêmica e otimização da pré-carga do VD.

    MedicaçãoDoseViaPreparo/DiluiçãoTempoObservação
    Furosemida (Lasix®)20-40 mgIVAmpola 20mg/2mL. Sem diluição.Bolus lento (1-2 min)Dobrar dose se uso prévio crônico. Meta: balanço hídrico negativo.
    Espironolactona (Aldactone®)25-50 mgVOComprimidos 25mg, 50mg.1x/diaBloqueio do SRAA, sinergismo diurético. CI: K+ > 5.0 ou disfunção renal grave.

    Estratégia Definitiva

    A terapia específica para HAP (Grupo 1) SÓ DEVE SER INICIADA APÓS CONFIRMAÇÃO POR CATETERISMO DIREITO. Como a paciente é de ALTO RISCO, a diretriz ESC/ERS 2022 recomenda Terapia Combinada Tripla Upfront (incluindo prostanóide parenteral).

    1ª Linha (Após Cateterismo Direito):

  • Antagonista do Receptor de Endotelina (ERA):
  • Ambrisentana (Volibris®) 5mg VO 1x/dia (titular para 10mg se tolerado) OU Macitentana (Opsumit®) 10mg VO 1x/dia.
  • Inibidor da Fosfodiesterase-5 (PDE5i):
  • Tadalafila (Adcirca®) 20mg VO 2x/dia (total 40mg/dia) OU Sildenafila (Revatio®) 20mg VO 3x/dia.
  • Análogo da Prostaciclina (Parenteral):
  • Epoprostenol IV contínuo (iniciar 2 ng/kg/min) OU Treprostinila SC/IV contínuo. *Requer acesso central de longa permanência e bomba de infusão ambulatorial.*
  • Manejo das Medicações Prévias:

  • Nifedipina 60mg/dia: ⚠️ CONTRAINDICADA no cenário atual. Bloqueadores de Canal de Cálcio (BCC) são deletérios em pacientes com disfunção de VD e baixo débito cardíaco. Pacientes com esclerose sistêmica raramente são vasorreativos.
  • *Conduta:* Desmamar e suspender a Nifedipina. Para o Raynaud grave, a introdução do PDE5i (Sildenafila/Tadalafila) para a HAP tratará simultaneamente o fenômeno de Raynaud.
  • Omeprazol 40mg/dia: Manter para a DRGE (comum na CREST e previne microaspiração que piora a doença pulmonar).
  • Avaliação de Resposta

  • Critérios de Sucesso: Redução da turgência jugular, perda de peso (0.5 a 1 kg/dia), melhora da SpO₂ e da Classe Funcional.
  • Sinais de Falha/Piora: Hipotensão sistêmica (PA < 90/60), piora da função renal (síndrome cardiorrenal), lactato ascendente, rebaixamento do nível de consciência.
  • Tempo de Reavaliação: Reavaliação clínica diária. Repetir ECO, BNP e TC6M em 3 a 6 meses após início da terapia específica.
  • Alertas Críticos

  • ⚠️ ALERTA DE INTERAÇÃO GRAVE: A associação de ERA (Ambrisentana/Macitentana) com PDE5i (Tadalafila/Sildenafila) pode causar hipotensão sistêmica severa. Iniciar de forma escalonada e monitorar PA de perto.
  • ⚠️ ALERTA HEMODINÂMICO: O VD isquêmico e dilatado é altamente dependente da pré-carga. Diurese excessiva pode causar colapso hemodinâmico por queda do débito cardíaco. Monitorar função renal e perfusão periférica rigorosamente.
  • ⚠️ ALERTA DE PROCEDIMENTO: Evitar intubação orotraqueal a todo custo. A ventilação com pressão positiva aumenta a pós-carga do VD e reduz o retorno venoso, podendo precipitar Parada Cardiorrespiratória (PCR) imediata em pacientes com *Cor Pulmonale* grave.
  • Disposição e Acompanhamento

  • Destino: Internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ou Unidade Coronariana (UCO) devido ao alto risco de choque cardiogênico direito e necessidade de monitorização hemodinâmica estrita.
  • Especialista: Acionar Cardiologia/Hemodinâmica imediatamente para programação do Cateterismo Cardíaco Direito e Pneumologia/Reumatologia para acompanhamento conjunto.
  • Transferência: Se o hospital não dispuser de hemodinâmica ou medicações específicas para HAP (prostanóides), iniciar diuréticos, estabilizar e transferir via vaga zero para Centro de Referência em Hipertensão Pulmonar.
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    *⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (ESC/ERS 2022 Guidelines for the diagnosis and treatment of pulmonary hypertension) e EBM, não substituindo o julgamento clínico presencial.*

    Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

    Hipertensão Arterial Pulmonar grupo 1 associada à Esclerose Sistêmica — grave com disfunção de VD, indicação de cateterismo cardíaco direito e terapia combinada

    Diferenciais esperados:
    • HAP por ILD associada (grupo 3)
    • CTEPH (grupo 4)
    • IC esquerda com HP proporcional

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    Acuracia Clinica
    Completude dos Diferenciais
    Adequacao Terapeutica
    Seguranca
    Qualidade do Function Calling
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    Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: