Hipertensão Arterial Pulmonar (HAP) grupo 1 associada à Esclerose Sistêmica — classe funcional III OMS — Caso Residente
Apresentação Clínica
Paciente feminina, 56 anos, esclerose sistêmica forma limitada (síndrome CREST) há 10 anos, com Raynaud, esclerodactilia, telangiectasias e anticorpo anticentrômero positivo. Internada com dispneia progressiva aos esforços há 6 meses. PA 110x70, FC 90, FR 22, SpO2 88% em repouso, T 36.5°C, Glasgow 15. B2 hiperfonética, turgência jugular, edema MMII, hepatomegalia. ECG com SVD e desvio do eixo à direita. BNP 950. ECO: PSAP estimada 75 mmHg, VD dilatado e hipofuncionante, AD dilatado, septo paradoxal. TCAR sem fibrose significativa. Espirometria normal. DLCO 45%.
Síntese do Caso
Paciente feminina, 56 anos, com diagnóstico prévio de Esclerose Sistêmica forma limitada (Síndrome CREST), apresentando quadro de dispneia progressiva, hipoxemia em repouso (SpO₂ 88%) e sinais clínicos francos de insuficiência cardíaca direita (Cor Pulmonale descompensado). Exames evidenciam BNP elevado, ecocardiograma com hipertensão pulmonar severa (PSAP 75 mmHg) e disfunção de VD, associados a parênquima pulmonar normal na TCAR e redução isolada da DLCO (45%).
Hipótese Diagnóstica Principal
Hipertensão Arterial Pulmonar (HAP) associada à Esclerose Sistêmica (Grupo 1 da OMS) com Cor Pulmonale Descompensado — Confiança: 95%
Diagnósticos Diferenciais
Ordenados do mais letal/urgente ao menos grave:
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Tromboembolismo Pulmonar (TEP) Agudo | 30% | Dispneia, hipoxemia, disfunção de VD, BNP elevado. | Quadro arrastado (6 meses), ausência de dor pleurítica súbita. |
| 2 | Hipertensão Pulmonar Tromboembólica Crônica (HPTEC - Grupo 4) | 20% | Sinais de HP severa, disfunção de VD. | Ausência de história de TVP/TEP prévio (embora não exclua). |
| 3 | Doença Pulmonar Intersticial (Grupo 3) | 5% | Esclerose sistêmica, dispneia, DLCO reduzida. | TCAR sem fibrose significativa, espirometria normal. |
| 4 | Cardiopatia Esquerda (Grupo 2) | 5% | Dispneia, BNP elevado. | ECO sem menção a disfunção de VE ou valvulopatia esquerda. |
Não Esqueça: Crise Renal Esclerodérmica pode cursar com congestão e dispneia, mas a PA normal (110x70) e a ausência de disfunção de VE tornam este diagnóstico improvável no momento. Contudo, a função renal deve ser rigorosamente checada.
Confirmação Diagnóstica
Exames Complementares (por ordem de prioridade)
Imediatos (beira-leito):
Laboratoriais e Imagem (Pedido Estruturado):
Conduta Terapêutica
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)
O foco inicial é o manejo da sobrecarga de volume do VD (Cor Pulmonale descompensado) sem causar hipotensão sistêmica.
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| Furosemida (Lasix®) | 20 a 40 mg (1-2 ampolas) | IV | Direto, sem diluição | Em 2 min | 1ª Linha para congestão. Avaliar resposta diurética. |
| Enoxaparina (Clexane®) | 40 mg 1x/dia | SC | Seringa preenchida | Imediato | Profilaxia de TEV (alto risco por estase venosa e HAP). |
Estratégia Definitiva
A terapia específica para HAP (vasodilatadores pulmonares) NÃO deve ser iniciada na emergência sem a confirmação hemodinâmica por Cateterismo Cardíaco Direito (RHC). Após o RHC, a terapia baseia-se na estratificação de risco (Diretrizes ESC/ERS 2022):
Avaliação de Resposta
Alertas Críticos
Disposição e Acompanhamento
*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM - ESC/ERS 2022 Guidelines for Pulmonary Hypertension) e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Hipertensão Arterial Pulmonar (HAP) grupo 1 associada à Esclerose Sistêmica — classe funcional III OMS
- HAP por doença intersticial (grupo 3)
- TEP crônico (CTEPH grupo 4)
- IC com FEp por disfunção diastólica
- Doença veno-oclusiva pulmonar