Hipertensão portal esquistossomótica com varizes esofagianas de alto risco e hiperesplenismo — forma hepatoesplênica — Caso Residente
Apresentação Clínica
Homem 35 anos, natural de área endêmica de esquistossomose (Vale do Jequitinhonha, MG), contato com águas naturais na infância. Apresenta dor em hipocôndrio esquerdo, esplenomegalia volumosa (a 8cm do RCE), ascite de pequeno volume e hematêmese de pequeno volume (sangue vivo) há 2 dias. PA 100x60 mmHg, FC 105bpm, T 36,5°C. Hepatomegalia de lobo esquerdo (padrão esquistossomótico). Labs: Hb 8,5 g/dL, plaquetas 55.000/mm³ (hiperesplenismo), leucócitos 3.200/mm³ com eosinofilia 12%, albumina 3,5 g/dL (preservada — função hepática ok), TP (INR) 1,1, bilirrubinas normais. EDA: varizes esofagianas F3 com sinais de risco (red spots). USG abdome: fibrose periportal (padrão de Symmers), esplenomegalia, veia porta dilatada 16mm, fluxo hepatofugal. Solicita tratamento de esquistossomose (praziquantel), profilaxia de sangramento varicoso e manejo da hipertensão portal esquistossomótica.
Síntese do Caso
Homem, 35 anos, com epidemiologia positiva para esquistossomose, apresentando quadro clássico de hipertensão portal pré-sinusoidal (esplenomegalia maciça, fibrose de Symmers, função hepática preservada) e Hemorragia Digestiva Alta (HDA) varicosa recente (há 2 dias). Apresenta taquicardia e pressão limítrofe, indicando necessidade de manejo agudo e profilaxia secundária imediata.
Hipótese Diagnóstica Principal
Esquistossomose Hepatoesplênica (B65.1) com HDA Varicosa Recente — Confiança: 100%
Diagnósticos Diferenciais
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Cirrose Hepática (Viral/Alcoólica) | 5% | HDA varicosa, ascite, esplenomegalia. | Função hepática normal (Albumina 3,5; INR 1,1), USG com padrão de Symmers. |
| 2 | Trombose de Veia Porta (TVP) | 10% | Hipertensão portal pré-hepática, função hepática normal. | USG mostra veia porta dilatada (16mm) e pérvia, sem trombos descritos. |
| 3 | Leishmaniose Visceral (Calazar) | 5% | Esplenomegalia maciça, pancitopenia. | Ausência de febre prolongada, EDA com varizes F3 (incomum no calazar isolado). |
Não Esqueça: A coinfecção Esquistossomose + Hepatite B ou C é comum e acelera a progressão para cirrose verdadeira (forma mista). É mandatório solicitar sorologias virais.
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos
Exames Complementares (por ordem de prioridade)
Imediatos (beira-leito): Tipagem sanguínea ABO/Rh, Glicemia capilar, Gasometria arterial com lactato (avaliar perfusão devido à taquicardia).
Laboratoriais: Sorologias para Hepatite B, C e HIV; EPF (Kato-Katz) quantitativo para *S. mansoni* (documentação de carga parasitária, embora o tratamento já esteja indicado).
Imagem: USG Doppler de sistema porta já realizado.
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Conduta Terapêutica
A conduta deve ser dividida no manejo da HDA recente (janela de 5 dias), profilaxia secundária e tratamento etiológico.
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)
Mesmo o sangramento tendo ocorrido há 2 dias, o risco de ressangramento nos primeiros 5 dias é altíssimo. O protocolo de HDA varicosa deve ser mantido.
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| Terlipressina (Glypressin®) | 2 mg (2 ampolas) a cada 4h | IV | Bolus lento (1-2 min) | Manter por 2 a 5 dias | *1ª Linha*. Reduzir para 1 mg/4h após controle do sangramento. |
| *Alternativa:* Octreotida (Sandostatin®) | 50 mcg bolus + 50 mcg/h | IV | Diluir 1200 mcg em 250mL SF 0,9% (correr a 10,4 mL/h) | Manter por 2 a 5 dias | *2ª Linha*. Usar se Terlipressina indisponível ou contraindicada. |
| Ceftriaxona (Rocefin®) | 1 g 1x/dia | IV | Diluir em 100mL SF 0,9%, infundir em 30 min | Máximo 7 dias | Profilaxia de infecções bacterianas (extrapolado da cirrose, reduz mortalidade). |
| Omeprazol | 40 mg 12/12h | IV | Bolus lento | Até tolerar VO | Na HDA varicosa, não há benefício de infusão contínua em bomba. |
Estratégia Definitiva
1. Profilaxia Secundária do Sangramento Varicoso (Início após suspensão da Terlipressina):
2. Tratamento Etiológico da Esquistossomose:
3. Manejo Cirúrgico da Hipertensão Portal Esquistossomótica:
Avaliação de Resposta
Alertas Críticos
Disposição e Acompanhamento
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*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM), protocolos do Ministério da Saúde do Brasil e Baveno VII, e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Hipertensão portal esquistossomótica com varizes esofagianas de alto risco e hiperesplenismo — forma hepatoesplênica
- Cirrose hepática com hipertensão portal
- Trombose de veia porta
- Linfoma esplênico
- Leishmaniose visceral