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Hipertensão pulmonar tromboembólica crônica (HPTEC/CTEPH) — Caso Residente

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Apresentação Clínica

Mulher de 54 anos, tabagista, pós-menopausa em TRH, TVP em MIE há 2 anos, dispneia aos esforços progressiva há 6 meses com edema de MMII bilateral. Ecocardiograma mostra PSAP 65mmHg. Angio-TC de tórax mostra artérias pulmonares dilatadas, trombos organizados excêntricos com calcificação parcial em artérias lobares bilaterais, padrão de perfusão em mosaico no parênquima. BNP 450. PA 105/70, FC 90, SpO2 91%.

RESPOSTA ASSISTENTE CLINICO
07/04/2026 Disclaimer

Síntese do Caso

Paciente feminina, 54 anos, com fatores de risco pró-trombóticos (tabagismo, TRH) e antecedente de TVP, apresentando quadro de insuficiência cardíaca direita (cor pulmonale) crônica. A clínica de dispneia progressiva, edema, BNP elevado e PSAP de 65 mmHg, associada a achados tomográficos patognomônicos (trombos excêntricos organizados/calcificados e perfusão em mosaico), configura um quadro clássico de doença vascular pulmonar crônica.

Hipótese Diagnóstica Principal

Hipertensão Pulmonar Tromboembólica Crônica (HPTEC - Grupo 4 da OMS) — Confiança: 95%

  • Justificativa: A presença de trombos organizados, excêntricos e com calcificação na Angio-TC, associada ao padrão de perfusão em mosaico (áreas de hipoperfusão alternadas com hiperperfusão compensatória), é o achado radiológico definitivo para HPTEC. O antecedente de TVP e o uso de TRH corroboram a etiologia tromboembólica. O BNP elevado e o edema de MMII indicam falência ventricular direita secundária à alta resistência vascular pulmonar.
  • Diagnósticos Diferenciais

    Ordenados do mais letal/urgente ao menos grave:

    #DiagnósticoConfiançaAchados que FavorecemAchados que Afastam
    1TEP Agudo sobreposto30%Dispneia, hipoxemia (SpO2 91%), tabagismo, TRH.Trombos descritos são *organizados e calcificados* (crônicos), não falhas de enchimento centrais agudas.
    2Hipertensão Arterial Pulmonar (HAP - Grupo 1)10%Mulher meia-idade, PSAP elevada, falência de VD.Angio-TC com evidência clara de tromboembolismo crônico (exclui Grupo 1).
    3Cor Pulmonale por DPOC (Grupo 3)15%Carga tabágica, dispneia crônica, hipoxemia.Ausência de descrição de enfisema grave na TC; padrão em mosaico é vascular.
    Não Esqueça: Síndrome Antifosfolípide (SAF) ou Trombofilias Ocultas. Pacientes com HPTEC, especialmente mulheres de meia-idade, devem ser rastreadas para SAF, pois isso altera a escolha do anticoagulante definitivo (contraindica DOACs).

    Confirmação Diagnóstica

    Critérios Clínicos e Hemodinâmicos (Diretriz ESC/ERS 2022)

    O diagnóstico de HPTEC exige anticoagulação terapêutica por pelo menos 3 meses antes da confirmação hemodinâmica definitiva.

    Exames Complementares (por ordem de prioridade)

    Imediatos (beira-leito):

  • Gasometria Arterial: Avaliar grau de hipoxemia, distúrbio ácido-base e gradiente alvéolo-arterial.
  • ECG de 12 derivações: Buscar sinais de sobrecarga de VD (S1Q3T3 crônico, desvio do eixo para direita, BRD, ondas T negativas em V1-V4).
  • Laboratoriais:

  • Painel de Trombofilias (após fase aguda): Anticoagulante lúpico, Anticorpos anticardiolipina (IgG/IgM), Anti-beta-2-glicoproteína I.
  • Função Renal e Hepática: Ureia, Creatinina, TGO, TGP, Bilirrubinas (avaliar congestão hepática crônica pelo cor pulmonale).
  • Imagem e Hemodinâmica:

  • Cintilografia de Ventilação/Perfusion (V/Q): Exame de triagem padrão-ouro para HPTEC (mostrará defeitos de perfusão segmentares incompatíveis com a ventilação).
  • Cateterismo Cardíaco Direito (CATE Direito): OBRIGATÓRIO para confirmação. Critérios: PAPm > 20 mmHg, POAP ≤ 15 mmHg, RVP > 2 Unidades Wood.
  • Angiografia Pulmonar: Realizada junto ao CATE para definir a operabilidade (localização anatômica das lesões).
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    Conduta Terapêutica

    Medidas Imediatas (Tempo 0)

  • MOV: Monitorização contínua (ECG, SpO2, PA não invasiva).
  • Oxigenoterapia: Cateter nasal 2 a 4 L/min para manter SpO2 > 92%. *Justificativa: A hipoxemia causa vasoconstrição pulmonar hipóxica, piorando agudamente a hipertensão pulmonar e a falência de VD.*
  • Suspensão Imediata da TRH: O estrogênio é fator pró-trombótico e deve ser descontinuado imediatamente.
  • Acesso Venoso: Punção de acesso venoso periférico calibroso.
  • Medicações Iniciais (Primeiros 10-60 min)

    O foco inicial é a anticoagulação plena (evitar progressão da doença) e o manejo da congestão sistêmica (otimizar a pré-carga do VD).

    MedicaçãoDoseViaPreparo/DiluiçãoTempoObservação
    1ª Linha (Congestão): Furosemida (Lasix®)20 a 40 mg (1 a 2 ampolas)IVAmpola 20mg/2mL. Fazer puro, em bolus lento.ImediatoAvaliar débito urinário. Evitar depleção excessiva de volume (o VD precisa de pré-carga para manter débito cardíaco).
    1ª Linha (Anticoagulação): Enoxaparina (Clexane®)1 mg/kgSCSeringas preenchidas (40, 60, 80mg).12/12hTerapia de ponte até definição de varfarina vs DOAC. Ajustar se ClCr < 30 mL/min.
    Alternativa (Anticoagulação): Rivaroxabana (Xarelto®)15 mgVOComprimido.12/12hManter por 21 dias, depois 20mg 1x/dia. *Apenas se SAF for descartada.*

    Estratégia Definitiva

    A HPTEC é a única forma de Hipertensão Pulmonar potencialmente curável.

    1. **Anticoagulação *Ad Eternum*:** Obrigatória para todos os pacientes. A Varfarina (alvo INR 2.0-3.0) é historicamente a droga de escolha, mas os DOACs são aceitos pelas diretrizes atuais, *exceto* se houver Síndrome Antifosfolípide associada.

    2. Avaliação de Operabilidade (Equipe Multidisciplinar):

  • Tromboendarterectomia Pulmonar (TEAP): Tratamento de escolha e potencialmente curativo. Indicada para trombos em artérias principais, lobares ou segmentares proximais.
  • 3. Terapias para Pacientes Inoperáveis ou com HPTEC Persistente pós-TEAP:

  • Angioplastia Pulmonar por Balão (BPA): Para lesões distais/segmentares inacessíveis à cirurgia.
  • Terapia Farmacológica Específica:
  • Riociguate (Adempas® - Estimulador da Guanilato Ciclase Solúvel): Única medicação com nível de evidência I para HPTEC inoperável. Dose inicial: 1 mg VO 3x/dia, titular a cada 2 semanas até máximo de 2,5 mg 3x/dia.
  • *Contraindicação Absoluta:* Uso concomitante com inibidores da PDE-5 (Sildenafila, Tadalafila) devido a risco de hipotensão severa.
  • Avaliação de Resposta

  • Critérios de sucesso (Curto prazo): Redução do edema, melhora da dispneia, SpO2 > 92% em ar ambiente, balanço hídrico negativo sem hipotensão.
  • Critérios de sucesso (Longo prazo): Classe Funcional da OMS I/II, BNP normalizado, teste de caminhada de 6 minutos > 440m.
  • Sinais de falha/piora: Hipotensão sistêmica (sinal de falência de VD e baixo débito), síncope, piora da função renal (síndrome cardiorrenal).
  • Alertas Críticos

  • ⚠️ ALERTA DE PRESCRIÇÃO: NUNCA inicie vasodilatadores pulmonares específicos (Sildenafila, Bosentana, Iloprosta) antes da avaliação de operabilidade por um centro de referência. O tratamento de escolha é MECÂNICO (cirurgia).
  • ⚠️ ALERTA HEMODINÂMICO: O ventrículo direito na HPTEC é dependente de pré-carga. O uso excessivo de diuréticos pode causar queda abrupta do débito cardíaco e choque obstrutivo. Titule a Furosemida com cautela.
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    Disposição e Acompanhamento

  • Destino: Internação em Enfermaria de Cardiologia ou Pneumologia. A paciente está hemodinamicamente estável (PA 105/70), mas necessita de compensação da insuficiência cardíaca direita, início de anticoagulação supervisionada e investigação avançada.
  • Especialista: Acionar Pneumologia/Cardiologia para programar Cateterismo Cardíaco Direito.
  • Encaminhamento: OBRIGATÓRIO referenciar a paciente para um Centro de Referência em Hipertensão Pulmonar para avaliação de Tromboendarterectomia Pulmonar.
  • *⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (ESC/ERS 2022 Guidelines for the diagnosis and treatment of pulmonary hypertension) e não substitui o julgamento clínico presencial.*

    Diagnostico de Referencia (Gold Standard)

    Hipertensão pulmonar tromboembólica crônica (HPTEC/CTEPH)

    Diferenciais esperados:
    • Hipertensão arterial pulmonar idiopática
    • TEP agudo submaciço
    • Doença veno-oclusiva pulmonar

    Avalie a Resposta do Assistente

    Acuracia Clinica
    Completude dos Diferenciais
    Adequacao Terapeutica
    Seguranca
    Qualidade do Function Calling
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    Aviso: Este caso clínico é disponibilizado exclusivamente para fins educacionais. As análises automatizadas do Scanner não substituem a avaliação médica profissional. Nunca tome decisões clínicas baseando-se apenas neste conteúdo.Fonte: eval-pipeline-v1 · Licença: