Hipertermia maligna deflagrada por succinilcolina — Caso Especialista
Apresentação Clínica
Paciente masculino, 25 anos, hígido, em centro cirúrgico para redução de fratura de tíbia. Após indução anestésica com propofol e succinilcolina, desenvolve rigidez masseterina intensa seguida de rigidez generalizada, taquicardia (FC 160), hipertermia de rápida progressão (T atual 40.5°C e subindo), arritmia ventricular e urina cor de Coca-Cola. PA 90x50, SpO2 90%, EtCO2 80 mmHg (muito elevado). Labs emergenciais: K+ 7.5, pH 7.05, CPK 25.000 (subindo rapidamente), mioglobinúria maciça, lactato 12. Gasometria mista (acidose metabólica + respiratória).
Síntese do Caso
Paciente masculino, 25 anos, apresentando crise hipermetabólica fulminante no perioperatório imediato após indução com succinilcolina. O quadro é marcado por rigidez masseterina e generalizada, elevação súbita e extrema do EtCO₂ (80 mmHg), hipertermia grave (40.5°C), rabdomiólise maciça (CPK 25.000, mioglobinúria) e hipercalemia grave (K+ 7.5) com arritmia ventricular e instabilidade hemodinâmica. Risco iminente de parada cardiorrespiratória.
Hipótese Diagnóstica Principal
Hipertermia Maligna (HM) — Confiança: 99%
Diagnósticos Diferenciais
Ordenados do mais letal/urgente ao menos grave:
| # | Diagnóstico | Confiança | Achados que Favorecem | Achados que Afastam |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Tempestade Tireoidiana | 5% | Taquicardia, hipertermia, arritmia. | Ausência de rigidez masseterina; EtCO₂ não sobe tão abruptamente; sem gatilho anestésico claro. |
| 2 | Síndrome Neuroléptica Maligna | 2% | Rigidez, hipertermia, rabdomiólise. | Gatilho ausente (induzida por neurolépticos); evolução insidiosa (dias), não em minutos. |
| 3 | Choque Séptico | 1% | Hipotensão, taquicardia, acidose, febre. | Não explica a rigidez muscular, a hipercalemia súbita nem o pico extremo de EtCO₂. |
| 4 | Feocromocitoma (Crise) | 1% | Taquicardia, arritmias. | Cursa tipicamente com hipertensão severa; não causa rigidez ou elevação primária de EtCO₂. |
Não Esqueça: A hipercalemia grave (K+ 7.5) com arritmia ventricular é a causa mais provável de óbito nos próximos minutos. O tratamento da hipercalemia deve ocorrer *simultaneamente* à administração do antídoto.
Confirmação Diagnóstica
Critérios Clínicos
O diagnóstico na fase aguda é exclusivamente clínico. NÃO se deve aguardar nenhum exame laboratorial para iniciar o tratamento. O protocolo da *Malignant Hyperthermia Association of the United States (MHAUS)* deve ser ativado imediatamente.
Exames Complementares (Monitorização Contínua)
Imediatos (beira-leito):
Conduta Terapêutica
Medidas Imediatas (Tempo 0)
Medicações Iniciais (Primeiros 10-30 min)
*A prioridade é o antídoto e a estabilização da membrana miocárdica devido ao K+ 7.5.*
| Medicação | Dose | Via | Preparo/Diluição | Tempo | Observação |
|---|---|---|---|---|---|
| 1. Gluconato de Cálcio 10% | 1 ampola (10 mL) | IV | Direto ou diluído em 50mL SF 0,9% | 2-3 min | Prioridade 1 (Arritmia/K+ 7.5). Estabiliza o miocárdio. Repetir se ECG não melhorar. |
| 2. Dantroleno Sódico (Dantrolen®) | 2,5 mg/kg (Aprox. 175 mg para 70kg) | IV | CRÍTICO: Diluir CADA frasco (20mg) em 60 mL de Água Destilada (NÃO usar SF). | Bolus rápido | Antídoto. Repetir 2,5 mg/kg a cada 5-10 min até controle dos sintomas (Max: 10 mg/kg). |
| 3. Insulina Regular + Glicose | 10 UI + 50 mL Glicose 50% | IV | Solução em seringa | Bolus | Shift intracelular de K+. |
| 4. Bicarbonato de Sódio 8,4% | 1 a 2 mEq/kg (Aprox. 70-140 mL) | IV | Direto | Bolus lento | Trata acidose grave (pH 7.05) e ajuda no shift de K+. |
| 5. Amiodarona (Ancoron®) | 300 mg (se FV/TV sem pulso) ou 150 mg (com pulso) | IV | Diluir em 100 mL SG 5% | 10 min | Para arritmia ventricular refratária. *Ver Alerta Crítico sobre BCC.* |
Estratégia Definitiva
Avaliação de Resposta
Alertas Críticos
Disposição e Acompanhamento
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*⚠️ AVISO: Esta análise é baseada em diretrizes gerais (EBM), protocolos da MHAUS e ACLS, e não substitui o julgamento clínico presencial.*
Diagnostico de Referencia (Gold Standard)
Hipertermia maligna deflagrada por succinilcolina
- Síndrome neuroléptica maligna
- Síndrome serotoninérgica
- Tempestade tireoidiana
- Feocromocitoma